Ventura desafia Seguro
Antes de subir a rua até à Praça da República, André Ventura dirigiu-se aos jornalistas junto às grades do Parque D. Carlos I. Numa intervenção marcada pelas críticas a António José Seguro, o líder do Chega acusou o antigo secretário-geral do PS de “ter medo” de debater e de “não ter nada para dizer”. “Sinto-me numa campanha comigo próprio”, afirmou, defendendo que as pessoas querem “uma mudança mesmo na terra dele (Seguro)”. O candidato disse ainda que o seu opositor “voltou a desprezar os debates” e que a campanha de Seguro se centra na ideia de “fazer-se de morto” e de evitar confrontos, acusando-o de estar “nas mãos do sistema de interesses bipartidários” e de não ter “ideias nenhumas”.
André Ventura insistiu que a segunda volta deveria ser um duelo de ideias entre os dois candidatos. “É um mau sinal quando passa o tempo todo sem aceitar debate, sem aceitar ser questionado, sem aceitar responder”, afirmou, defendendo que “a campanha agora é entre o espaço socialista e o espaço não socialista”.
Sobre as sondagens e o facto de o seu adversário estar à frente, André Ventura disse que “todos se juntaram contra” si, mas que isso é sinal de que está “no caminho certo” e que a luta “vai agora começar”. O candidato apoiado pelo Chega reiterou que pretende “fazer uma campanha a sério” e afirmou que quer estar “junto das pessoas que querem uma mudança”. Por isso, lançou um desafio direto ao adversário António José Seguro, insistindo que o socialista terá de responder sobre a questão das subvenções vitalícias atribuídas a antigos titulares de cargos públicos. “Ele pode não me responder hoje, mas terá que responder na terça-feira no debate”, afirmou defendendo que seria “positivo” que Seguro dissesse claramente se concorda ou não com a manutenção destas subvenções. “Eu quero mudar a Constituição para impedir subvenções vitalícias e garantir a criminalização do enriquecimento ilícito”, disse o candidato.
Mudando o tema para a saúde, o JORNAL DAS CALDAS questionou André Ventura sobre a situação do serviço de saúde nas Caldas da Rainha e sobre o novo hospital. O candidato respondeu que o problema não é exclusivo da cidade, mas sim nacional. Segundo Ventura, “mais de 33% ou 34%” das promessas do Governo em matéria de novos hospitais e centros de saúde ficaram por cumprir.
O candidato destacou que atrasos semelhantes ocorrem em Lisboa, onde o novo hospital é aguardado há anos, e no Algarve, sublinhando que as Caldas da Rainha “não são exceção”. “Temos recebido cada vez mais queixas sobre o atendimento médico e a falta de acesso a centros de saúde”, afirmou.
André Ventura acrescentou que exigirá ao Governo o cumprimento dessas promessas, garantindo que “todos têm acesso à saúde”.
Depois de falar com os jornalistas, o candidato retomou a arruada e subiu a Rua General Queirós em direção à Praça da República. Por ser domingo, a maioria dos estabelecimentos comerciais estava fechada, pelo que Ventura não conseguiu falar com muitos comerciantes, apenas o Quiosque da Praça e a mercearia Asian Daily Food, de proprietários estrangeiros, se encontravam abertos.
A comitiva passou ainda pela Rua das Montras e, ao passar por um edifício com uma fachada onde se podia ler “Vote no António Seguro”, ouviram-se gritos de “buu” por parte das pessoas que acompanhavam o candidato.
O percurso terminou junto ao banco e à estátua de Zé Povinho, onde Ventura subiu ao banco para dirigir-se à população. Na intervenção, salientou que é com o símbolo de Zé Povinho (figura representativa do povo português) que pretende “ganhar as eleições”, afirmando que “não queremos as elites que andam atrás dele (Seguro), queremos o povo para levantar Portugal”.
A arruada terminou no café Venézia, onde uma viatura esperava o candidato. Com os presentes a entoarem o hino de Portugal, André Ventura e a esposa entraram no veículo e seguiram viagem.
Caldas “ao nível do Martim Moniz”
No final da visita, o vereador do Chega nas Caldas da Rainha, Luís Gomes, afirmou que a mobilização em torno de André Ventura foi rápida e “muito forte”, graças à ativação das redes sociais e dos militantes locais. “Logo que soubemos que vinha cá, conseguimos mobilizar as pessoas”, disse, lembrando que a confirmação da visita surgiu apenas na tarde de sábado.
Luís Gomes explicou que a deslocação foi pedida pela comissão concelhia do Chega, justificando que as Caldas são “o quartel-general do Seguro” e que a cidade tem um apoio “gigantesco” ao candidato. O vereador acrescentou que a visita serve também para mostrar “a realidade” do território, apontando que o centro histórico está “transformado num autêntico Martim Moniz” e que a segurança na cidade é um problema.









