André Ventura numa arruada nas Caldas – “Não queremos elites, queremos ganhar com o povo”

29 de Janeiro de 2026

O candidato presidencial André Ventura marcou presença no passado domingo nas Caldas da Rainha, cidade onde vive o seu adversário na segunda volta, António José Seguro. A chegada à rotunda da Rainha estava prevista para as 16h00, mas desde as 15h00 dezenas de apoiantes já aguardavam no local com bandeiras do Chega. Pelas 16h30, o candidato chegou à cidade, acompanhado pela esposa, e foi recebido por uma multidão entusiasta que gritava “8 de fevereiro, Ventura em primeiro”. O tempo, que até então tinha estado chuvoso, deu tréguas no momento em que Ventura saiu da viatura, permitindo uma receção calorosa. Muitos quiseram tirar selfies e cumprimentar o candidato, sendo necessário o apoio dos seguranças para garantir a circulação e a segurança.

Ventura desafia Seguro

 

Antes de subir a rua até à Praça da República, André Ventura dirigiu-se aos jornalistas junto às grades do Parque D. Carlos I. Numa intervenção marcada pelas críticas a António José Seguro, o líder do Chega acusou o antigo secretário-geral do PS de “ter medo” de debater e de “não ter nada para dizer”. “Sinto-me numa campanha comigo próprio”, afirmou, defendendo que as pessoas querem “uma mudança mesmo na terra dele (Seguro)”. O candidato disse ainda que o seu opositor “voltou a desprezar os debates” e que a campanha de Seguro se centra na ideia de “fazer-se de morto” e de evitar confrontos, acusando-o de estar “nas mãos do sistema de interesses bipartidários” e de não ter “ideias nenhumas”.

André Ventura insistiu que a segunda volta deveria ser um duelo de ideias entre os dois candidatos. “É um mau sinal quando passa o tempo todo sem aceitar debate, sem aceitar ser questionado, sem aceitar responder”, afirmou, defendendo que “a campanha agora é entre o espaço socialista e o espaço não socialista”.

Sobre as sondagens e o facto de o seu adversário estar à frente, André Ventura disse que “todos se juntaram contra” si, mas que isso é sinal de que está “no caminho certo” e que a luta “vai agora começar”.  O candidato apoiado pelo Chega reiterou que pretende “fazer uma campanha a sério” e afirmou que quer estar “junto das pessoas que querem uma mudança”. Por isso, lançou um desafio direto ao adversário António José Seguro, insistindo que o socialista terá de responder sobre a questão das subvenções vitalícias atribuídas a antigos titulares de cargos públicos. “Ele pode não me responder hoje, mas terá que responder na terça-feira no debate”, afirmou defendendo que seria “positivo” que Seguro dissesse claramente se concorda ou não com a manutenção destas subvenções.  “Eu quero mudar a Constituição para impedir subvenções vitalícias e garantir a criminalização do enriquecimento ilícito”, disse o candidato.

Mudando o tema para a saúde, o JORNAL DAS CALDAS questionou André Ventura sobre a situação do serviço de saúde nas Caldas da Rainha e sobre o novo hospital. O candidato respondeu que o problema não é exclusivo da cidade, mas sim nacional. Segundo Ventura, “mais de 33% ou 34%” das promessas do Governo em matéria de novos hospitais e centros de saúde ficaram por cumprir.

O candidato destacou que atrasos semelhantes ocorrem em Lisboa, onde o novo hospital é aguardado há anos, e no Algarve, sublinhando que as Caldas da Rainha “não são exceção”. “Temos recebido cada vez mais queixas sobre o atendimento médico e a falta de acesso a centros de saúde”, afirmou.

André Ventura acrescentou que exigirá ao Governo o cumprimento dessas promessas, garantindo que “todos têm acesso à saúde”.

Depois de falar com os jornalistas, o candidato retomou a arruada e subiu a Rua General Queirós em direção à Praça da República. Por ser domingo, a maioria dos estabelecimentos comerciais estava fechada, pelo que Ventura não conseguiu falar com muitos comerciantes, apenas o Quiosque da Praça e a mercearia Asian Daily Food, de proprietários estrangeiros, se encontravam abertos.

A comitiva passou ainda pela Rua das Montras e, ao passar por um edifício com uma fachada onde se podia ler “Vote no António Seguro”, ouviram-se gritos de “buu” por parte das pessoas que acompanhavam o candidato.

O percurso terminou junto ao banco e à estátua de Zé Povinho, onde Ventura subiu ao banco para dirigir-se à população. Na intervenção, salientou que é com o símbolo de Zé Povinho (figura representativa do povo português) que pretende “ganhar as eleições”, afirmando que “não queremos as elites que andam atrás dele (Seguro), queremos o povo para levantar Portugal”.

A arruada terminou no café Venézia, onde uma viatura esperava o candidato. Com os presentes a entoarem o hino de Portugal, André Ventura e a esposa entraram no veículo e seguiram viagem.

 

Caldas “ao nível do Martim Moniz”

 

No final da visita, o vereador do Chega nas Caldas da Rainha, Luís Gomes, afirmou que a mobilização em torno de André Ventura foi rápida e “muito forte”, graças à ativação das redes sociais e dos militantes locais. “Logo que soubemos que vinha cá, conseguimos mobilizar as pessoas”, disse, lembrando que a confirmação da visita surgiu apenas na tarde de sábado.

Luís Gomes explicou que a deslocação foi pedida pela comissão concelhia do Chega, justificando que as Caldas são “o quartel-general do Seguro” e que a cidade tem um apoio “gigantesco” ao candidato. O vereador acrescentou que a visita serve também para mostrar “a realidade” do território, apontando que o centro histórico está “transformado num autêntico Martim Moniz” e que a segurança na cidade é um problema.

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