A iniciativa “Capitais Europeias do Pequeno Retalho” integra um conjunto de ações promovidas pela União Europeia com o objetivo de apoiar os pequenos retalhistas e reforçar o papel das cidades na revitalização económica e social. São distinguidos os municípios que se destacam por abordagens inovadoras, apoio ao empreendedorismo e adaptação às transições digital e ecológica, e que alcançaram resultados notáveis quer no apoio ao pequeno comércio, quer na promoção e preservação de centros urbanos dinâmicos.
Caldas da Rainha é uma das três cidades finalistas na categoria “Cidades Vibrantes”, cuja população varia entre os 50 mil e os 250 mil habitantes.
O concurso europeu contou com 28 candidaturas de 13 países. Na final, a competir contra Caldas da Rainha estão Braga (Portugal) e Fuenlabrada (Espanha).
Na tarde desta quarta-feira os representantes de cada cidade finalista irão fazer uma apresentação perante um júri europeu.
Para decidir quem será a “Capital Europeia do Pequeno Retalho 2026”, os jurados irão avaliar os resultados alcançados pela cidade no que diz respeito ao apoio ao pequeno comércio, analisando a robustez e a viabilidade do programa de atividades proposto para 2026.
A União Europeia descreve que Caldas da Rainha “combina o seu centro histórico com um pequeno setor retalhista resiliente, que impulsiona a vida económica e social”. “Com um grande número de pequenos estabelecimentos comerciais que formam uma parte significativa do comércio total, gerando um volume de negócios substancial e proporcionando muitos empregos, a cidade demonstra o papel central do pequeno comércio retalhista no emprego, na identidade cultural e na vitalidade da comunidade. O centro histórico, centrado na Praça da Fruta, com as suas lojas familiares, restaurantes e serviços locais, é o coração do comércio e fortalece a vida comunitária e o património cultural”, é relatado na apresentação sumária.
Caldas da Rainha integra o retalho com a cultura, o turismo e a inovação. As iniciativas incluem a rota Bordaliana, o programa nacional de comércio com história e eventos como o MESTRA e o Caldas Nice Jazz, que reforçam a ligação entre o comércio e a cultura. Programas digitais como o ACELERAR 2030, a Startup Oeste, o INCUBA.Centro e o Distrito Comercial Digital apoiam modelos empresariais híbridos e alargam o alcance do mercado.
A sustentabilidade urbana está integrada no Plano Diretor Térmico, no Plano Municipal de Ação Climática e no Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, promovendo a mobilidade suave, as zonas pedonais e a eficiência energética. “Ao misturar património, inovação e práticas sustentáveis, Caldas da Rainha garante a vitalidade a longo prazo do seu pequeno setor retalhista”, conclui a apresentação.
Braga é “um animado centro comercial no norte de Portugal, onde pequenas lojas e serviços locais impulsionam a economia, formando a maioria das empresas e empregos”. “A cidade é o lar de um grande número de pequenas e microempresas, proporcionando emprego substancial. O seu centro histórico, com numerosas lojas em muitas ruas e várias «lojas históricas» oficialmente reconhecidas, é o coração do comércio, ligando o património, o empreendedorismo e a vida comunitária. Ao longo dos últimos 10 anos, o setor retalhista da cidade tem crescido de forma constante, refletindo o espírito empreendedor de Braga e a sua capacidade para combinar o turismo com os negócios locais”, relata a União Europeia.
Braga moderniza o comércio retalhista através de iniciativas como o Centro Braga, uma zona comercial digital que liga inúmeras lojas a mercados em linha, sistemas de comunicação integrados e soluções de pagamento eletrónico. “As ruas pedonalizadas, uma frota de autocarros elétricos em expansão e o Wi-Fi público melhoram a acessibilidade e a vitalidade urbana. Os programas de formação e incubação promovem as competências digitais e a inovação, enquanto os eventos culturais e o turismo trazem benefícios económicos e reforçam a identidade comercial da cidade. Ao combinar património, transformação digital e práticas sustentáveis, Braga constrói um ecossistema de retalho resiliente, inovador e orientado para o turismo”, sublinha a apresentação sobre a capital do Minho.
O panorama retalhista de Fuenlabrada “combina o seu centro histórico com os bairros circundantes, criando um tecido comercial diversificado e forte”. De acordo com a União Europeia, “a maior parte do comércio retalhista está concentrada no centro da cidade, enquanto as lojas locais, os mercados e as feiras de rua semanais nos bairros fornecem bens e espaços diários para a interação social”. Com um grande número de estabelecimentos ativos no rés-do-chão, principalmente pequenas lojas familiares, a cidade demonstra o seu compromisso com o comércio local, a comunidade e a vitalidade económica.
Fuenlabrada utiliza a sua forte identidade cívica, população estável e localização estratégica para promover a inovação no retalho. “A estreita cooperação entre a cidade, as associações e os retalhistas apoia novas abordagens, como o comércio local, as ferramentas digitais e as práticas sustentáveis. Os programas municipais e as iniciativas de vizinhança ajudam a enfrentar desafios como a mudança geracional, a digitalização e a mudança dos hábitos de consumo. Ao combinar os pontos fortes tradicionais com soluções modernas, Fuenlabrada constrói um ecossistema de retalho inclusivo, adaptável e voltado para o futuro”, destaca a apresentação da candidatura desta cidade espanhola a sul de Madrid, na sua área metropolitana.
Para Caldas da Rainha chegar à final é “o reflexo de uma estratégia consistente que tem apostado na valorização do comércio local, na dinamização do centro urbano e na criação de um ecossistema comercial mais resiliente, sustentável e próximo da comunidade”.
Ser finalista já coloca Caldas da Rainha no mapa europeu do comércio de proximidade, mostrando que o pequeno retalho continua a ser uma grande força, com impacto real na vida urbana.









