Caldas e o milagre presidencial

24 de Janeiro de 2026

As eleições presidenciais podem vir a ser um momento de viragem para as Caldas da Rainha. Curiosamente, não porque a cidade, o concelho ou os seus responsáveis políticos tenham feito algo de particularmente brilhante para o merecer.

 

É mais um daqueles casos em que a sorte pode bater à porta, por engano.

Vejamos os cenários. Depois da primeira e da segunda volta, ou a cidade evolui, finalmente, em áreas essenciais como a saúde, a segurança e a economia, ou continua exatamente como está: parada, à espera, ou entregue ao marasmo.

E aqui entra o fator inesperado. Se António José Seguro for eleito Presidente da República, poderá ser a melhor coisa que acontece às Caldas. Não por mérito local, mas por mera consequência geográfica e pessoal.

António José Seguro viverá em Belém, claro. Mas tem casa nas Caldas. E quando um Presidente da República vem a casa, não vem sozinho. Vem com segurança adequada. Vem com exigências mínimas de saúde. Vem com um enquadramento que obriga o Estado a garantir condições que, curiosamente, nunca foram prioridade para quem governa localmente.

A pergunta impõe-se: o que fizeram, até hoje, a Câmara Municipal, os sucessivos governos ou os representantes locais para garantir essas condições? A resposta é simples e conhecida: nada. Zero. Bola.

Mas, de repente, a eleição de António José Seguro pode mudar tudo. Não por estratégia municipal ou nacional, não por força política local, regional ou nacional, mas porque o Presidente mora aqui.

De repente, a Linha do Oeste pode passar a ser assunto sério. A Foz do Arelho e a Lagoa de Óbidos, locais onde o Presidente gosta de passear, podem começar a ser tratadas como património digno desse nome. O Hospital das Caldas pode ganhar outro peso. A segurança pode deixar de ser um tema secundário. A economia pode beneficiar de uma atenção que nunca chegou por mérito próprio.

É, no fundo, como se caísse um presente do céu. Um milagre laico, sem promessas eleitorais locais pelo meio.

Convém esclarecer. Isto não é um apelo ao voto em António José Seguro. É apenas a constatação de um facto político desconfortável. Ter o Chefe de Estado a residir nas Caldas pode mudar mais esta cidade do que anos de consensos falhados, estratégias inexistentes e falta de influência em Lisboa.

Claro que António José Seguro não se esquecerá de Penamacor, a Beira Baixa, os amigos e as suas origens. Mas também é evidente que onde reside, onde vive a sua família, onde passa os seus dias, algo tende a mexer. Não porque os responsáveis locais o tenham conquistado, mas porque ele trabalhou para lá chegar, e pode fazer acontecer.

Mais policiamento. Mais e melhores condições no hospital. Mais atenção às vias de comunicação. Mais peso político. Coisas simples. Coisas básicas. Coisas que nunca ninguém conseguiu fazer com visão própria.

O apoio declarado do atual Presidente da Câmara levanta, aliás, uma dúvida legítima: será que isto alguma vez lhe passou pela cabeça? Ou estamos apenas perante mais um caso de adesão tardia a uma oportunidade que caiu do céu?

Espero, sinceramente, que haja visão para perceber o que aqui está em causa. Porque esta pode ser, ironicamente, a tábua de salvação de uma estratégia que nunca existiu. Claro que, se questionado, dirá que já tinha pensado em tudo isto.

Mas sejamos claros: o que é que foi, até hoje, apresentado? O que é que foi dito? O que é que foi feito?

Pois.

Até para a semana.

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