Licenciada em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Oureana Ferreira nasceu e cresceu na Suíça, mas mudou-se para Portugal, país de origem dos seus pais, para estudar na universidade. Tornou-se nutricionista em 2024, ano em que iniciou também o mestrado em Nutrição Pediátrica na Universidade do Porto, encontrando-se atualmente na fase final, com a redação da tese.
As suas áreas de maior interesse e experiência são a saúde da mulher, a nutrição pediátrica e as patologias gastrointestinais, com uma abordagem que vai além do peso na balança. “O meu foco é promover uma boa relação com a comida. Mais do que o número na balança, importa perceber como nos relacionamos com a alimentação ao longo das várias fases do ciclo de vida”, sublinha.
Questionada sobre os excessos alimentares após épocas festivas, a nutricionista afirma que a “culpa não ajuda”. Pelo contrário, pode agravar uma relação já fragilizada com a comida. “Quando entramos numa lógica de tudo ou nada, muita restrição durante o ano e depois exageros nos eventos sociais cria-se um ciclo vicioso de culpa e restrição”, explica.
Para Oureana Ferreira, existem alimentos que devem ser consumidos com mais ou menos frequência, dentro de um equilíbrio. “Depois das festas, o mais importante é retomar os hábitos habituais, como uma boa hidratação e refeições estruturadas, sem entrar na lógica do ‘perdido por cem, perdido por mil’”, defende, acrescentando que alguns dias de excessos não anulam um ano inteiro de hábitos.
A importância do acompanhamento nutricional
Recorrer a um nutricionista pode ser decisivo para quem sente dificuldades em manter uma alimentação equilibrada. “O nutricionista adapta a alimentação às necessidades da pessoa, aos seus horários, condições de saúde, preferências alimentares, atividade física e até aos resultados de análises clínicas”, explica. Ao contrário de planos genéricos, o acompanhamento nutricional olha para a pessoa como um todo, integrando também a componente comportamental e emocional da alimentação.
Na saúde da mulher, as hormonas desempenham um papel central na fome, na saciedade e até no desejo por doces. “Ao longo do ciclo menstrual, é normal que a fome varie, sobretudo antes da menstruação”, refere. Défices nutricionais, como de proteína ou de alguns minerais, podem intensificar estes sinais.
Existem ainda condições como a resistência à insulina, frequentemente associada à síndrome do ovário poliquístico ou à menopausa, que podem provocar aumento do apetite, especialmente por doces, inchaço abdominal e maior acumulação de gordura na zona abdominal. Nestes casos, a estratégia alimentar deve ser ajustada de forma individualizada.
Dietas da moda
Entre jejuns intermitentes, dietas restritivas e modas alimentares, Oureana Ferreira defende que poucas fazem realmente sentido de forma generalizada. “O jejum intermitente pode funcionar para algumas pessoas, mas não é adequado para todos, como no caso de pessoas com diabetes ou com dificuldade em ficar muitas horas sem comer”, alerta.
Para a nutricionista, a abordagem mais sólida continua a ser a dieta mediterrânica, base das recomendações alimentares em Portugal. “Assenta em alimentos naturais e pouco processados, consumo diário de frutas e legumes, cereais integrais, azeite como principal fonte de gordura, peixe, ovos e carnes brancas, sem excluir alimentos, mas sempre com equilíbrio”, resume.
A quem está cansado de dietas rígidas e regras inflexíveis, a mensagem é uma mudança “passo a passo”. “Os hábitos alimentares constroem-se ao longo de toda a vida, por isso não faz sentido querer mudar tudo de um dia para o outro”, afirma. O ideal é identificar prioridades, começar por pequenas mudanças e, sempre que possível, procurar apoio profissional.
“Uma alimentação saudável pode e deve ser prazerosa. Quando bem orientada, não gera frustração, mas sim bem-estar e saúde a longo prazo”, conclui a nutricionista.









