Jovem caldense apresentou o seu primeiro romance publicado

28 de Fevereiro de 2026

A Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha recebeu no passado sábado a apresentação do romance “O Casamento da Filha do Senhor Nogueira”, do jovem escritor caldense Roberto Saraiva. A obra “é uma reconstrução histórica que mistura a realidade com a ficção” e que se passa em Angola, de onde o jovem caldense descende. Na sua apresentação estiveram presentes leitores, amigos e família.

 

A ação do romance acontece em 1961, na altura dos ataques de 15 de março da União dos Povos de Angola (UPA), às fazendas dos colonos portugueses no Norte de Angola. O código usado para avançar com o golpe foi “o casamento da filha do Nogueira”, sinal que dá pretexto a uma perseguição fictícia no meio do terror da guerra, de mãe e filha (do senhor Nogueira), por um casamento que nunca existiu. Como gesto amoroso de preservação de inocência, a mãe cega a filha com uma venda, para que esta não testemunhe as atrocidades do conflito, conceito que dá imagem à capa do livro, desenhada por Joana Antunes.

Durante a apresentação o autor refletiu sobre a obra, o processo de escrita, as suas influências e história. Considera que “o mais difícil, quando se constrói uma obra é, na sua singularidade, encontrar universalidade”, algo que conquistou através do amor maternal tão fortemente presente no “Casamento da Filha do Senhor Nogueira”.

O contexto histórico é algo muito importante na obra e para o autor e vai mais longe do que o simples conhecimento dos acontecimentos de 15 de março de 1961. Roberto Saraiva escreve com muita informação histórica em consideração e o seu conhecimento remonta até à Grécia Antiga. Na apresentação, o jovem escritor explicou o paralelismo entre o mito de Édipo e a sua obra, sendo que, da mesma maneira que “o grego se apoderou de um corpo que não era seu, os colonos portugueses se apoderaram de territórios que não eram seus”. Outros paralelos entre este clássico mito e a obra do caldense são os temas da “maternidade e cegueira”, destacou Roberto Saraiva.

O autor fez um balanço positivo da apresentação. “Consegui ver caras que já não via há muito tempo e o público parece ter estabelecido uma relação emocional com a obra, o que é bom”, expressou. Aproveitou para clarificar o que espera que os leitores retirem da obra, defendendo que o objetivo “não é doutrinar alguém”, mas sim levar a “refletir sobre o nosso passado em comum”.

Roberto Saraiva tem permanecido ativo tanto na promoção do livro, como no mundo da literatura, revelando que continua a trabalhar em diferentes obras de estilos variados. Em novembro do ano passado participou na Noite da Literatura Ibero-Americana, da Fundação José Saramago e tem mantido contacto com pessoas no meio.

O jovem escritor não mete muita pressão em metas a alcançar com o livro, apenas quer que ele chegue “onde as pessoas permitissem que ele fosse”, revelando que o mais importante é “que se consigam relacionar com a obra”. Defendeu ainda que não tem nenhum objetivo político com a publicação, salientando que em momento algum é escrita a palavra “racismo” ou até mesmo “escravo” no seu texto: “Eu quero que as pessoas pensem e cada um é livre de chegar à sua conclusão”, rematou.

No dia da apresentação, Roberto Saraiva doou um exemplar do “Casamento da Filha do Senhor Nogueira” à Biblioteca, estando agora a obra disponível gratuitamente ao público, através da sua requisição.

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