A exploração destes recursos tem-se mantido em níveis ridículos, por falta de ambição. Além de petróleo e gás natural, a Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Portugal, que é imensa, a 3ª mais extensa da UE, tem a maior mancha de sulfuretos polimetálicos do mundo, a Sul dos Açores. São campos hidrotermais com ocorrências de zinco, cobre, chumbo, ouro e prata, crostas de ferro, magnésio, cobalto e níquel. Matérias-primas estratégicas, cujo controle marca a geopolítica deste século.
No mar, Portugal é rico, vasto e central. Só somos periféricos e irrelevantes ante a miopia europeia. Portugal é cêntrico na Lusofonia e poderá sê-lo cada vez mais na óptica dos países emergentes, assim os nossos governantes o saibam promover. Com o alargamento do canal do Panamá, desde 2016, Portugal poderia ser a porta de entrada na Europa para mercados tão importantes como Estados Unidos, Brasil e toda a Ásia. A localização de Portugal na charneira Mediterrâneo-Atlântico torna-o naturalmente país-chave no sucesso do projecto europeu. O que impede os nossos governantes de o promover e concretizar?
Neste contexto de concorrência entre as três potências mundiais, Estados Unidos, China e Rússia, em que cada uma procura aumentar a respectiva esfera de influência, a capacidade de proteger territórios, recursos naturais e rotas de comércio é o único garante da soberania. Por exemplo, na Venezuela, Trump tenta usurpar as maiores reservas de petróleo do planeta, sob o pretexto de que os venezuelanos se têm revelado incompetentes ou displicentes a fazê-lo, chegando a portar-se como um pirata, sequestrando petroleiros. Na óptica trumpista, se não forem os Estados Unidos a controlar o regime e os recursos da Venezuela, os chineses e os russos fá-lo-ão.
Acerca da Gronelândia, o raciocínio é o mesmo. Se a Dinamarca jamais conseguirá impedir uma invasão chinesa ou russa, significa que não tem soberania sobre os seus recursos. Assim sendo, a quem se deve confiar essa fonte de matérias-primas essenciais ao futuro da Humanidade? Para o predador Trump, a resposta é óbvia.
Nesta nova ordem mundial, não há diplomacia que substitua a força. Portugal tem de se precaver militarmente e proteger-se e à sua ZEE de modo inquestionável. É inconcebível que, sendo detentor de uma ZEE com os recursos naturais e a importância geoestratégica que o mundo conhece, não a aproveite nem a proteja. Ora, mesmo para ficar de braços cruzados, mesmo para não precisar de lutar, há que ter força dissuasora.
Entretanto, depois da apenas voluntariosa “coligação de vontades”, o comissário europeu da Defesa Andrius Kubilius propõe a criação de um dispositivo militar com 100 mil soldados provenientes dos 27 Estados-membros, para substituir as forças americanas na Europa. Será este o caminho — um sistema federal europeu de segurança, paralelo ou alternativo à NATO, que coordene e optimize o imenso armamento e tropas dispersos pelos países da UE, sem sobrecarga significativa dos orçamentos de Estado e, sobretudo, sem prejuízo do Estado de Bem-Estar Social.
Num tempo em que, mais do que nunca, se exige decência e coragem, Portugal deixa-se estar, à espera do que aconteça.









