Na segunda-feira, saiu às 12h30 e “nunca mais ninguém consegue entrar em contato com ela” desde então. O seu telemóvel está desligado e por ordem judicial para fins de investigação criminal foi solicitado à operadora de telecomunicações para determinar a localização do dispositivo.
A posição estimada, cruzando os sinais em relação a antenas próximas, indicará que o telemóvel se encontra na zona urbana das Caldas da Rainha, com uma margem de erro que pode ser de centenas de metros. Não foi encontrado.
Não foi igualmente localizado o carro de Maria Amaral, um BMW preto Série 5, um veículo executivo de gama alta.
Uma colega transmitiu que a última vez que foi vista foi em Paço, uma aldeia no concelho da Lourinhã, onde se deslocou no âmbito da angariação da habitação que iria colocar à venda.
Habitualmente deveria inserir os dados dessa casa no sistema informático da agência imobiliária e não o fez. Sendo uma profissional cumpridora, a ausência de comunicação gerou preocupação, levando a empresa, colegas, amigos e familiares, a lançarem apelos públicos nas redes sociais, com pedidos de ajuda para reunir qualquer informação que possa contribuir para a sua localização.
A diretora da agência deu à Polícia Judiciária de Lisboa todos os dados disponíveis, mas escusou-se a partilhá-los com a comunicação social, o mesmo se passando com familiares, pelo que os pormenores acerca do desaparecimento são escassos e as informações a partir daqui tornam-se mais difíceis de obter e de confirmar.
Maria Amaral, de 54 anos, terá estado antes do desaparecimento a tomar o pequeno-almoço com o namorado, na Lourinhã, área de residência, e depois de ir trabalhar já se desconhece o seu percurso.
O desaparecimento foi participado à GNR da Lourinhã, pelo companheiro, na terça-feira, altura em que também começou a ser partilhado nas redes sociais um apelo a quem pudesse ajudar a conhecer o paradeiro desta mulher. A sua casa e o imóvel que visitou foram dois locais já analisados.
É a Unidade Nacional Contraterrorismo da Polícia Judiciária quem está a investigar o caso. Esta unidade operacional especializada que dá resposta preventiva e repressiva ao fenómeno do terrorismo, tem também outras competências em matéria de deteção e investigação criminal, como é caso de matérias de sequestro e rapto, e é nesse âmbito que desenvolve diligências.
Vários cenários estão em cima da mesa: Haver envolvimento de terceiros, ter tido um acidente, ter-se afastado por vontade própria, enfim, um conjunto de hipóteses que habitualmente são consideradas nestes casos.
O sentimento é de incerteza, como se percebe na mensagem de uma sobrinha no Facebook: “Se estiveres a ler isto, por favor volta para casa. E se alguém sabe de algo, ou se alguém te fez mal: nenhuma verdade fica escondida para sempre”.
Apontada como uma pessoa cheia de vida e de afetos, Maria Amaral é filha única da atriz de teatro, televisão e também cinema, Maria Delfina da Cruz Neto Pinto do Amaral, mais conhecida por Delfina Cruz, falecida há mais de uma década.
As duas sempre tiveram uma grande ligação de proximidade e chegaram a surgir juntas em eventos. Em setembro de 2015, Maria Amaral passou por um momento de grande dor, quando a mãe morreu, a seu lado, na sequência de complicações de saúde.
Delfina Cruz lutava contra um cancro da mama e encontrava-se em Paris quando uma pneumonia a levou à cama de um hospital da capital francesa e acabou por falecer, aos 69 anos.
Menos conhecido, o pai de Maria Amaral, José Pinto do Amaral, falecido aos 77 anos, em 2003, em Cascais, foi oficial piloto da Força Aérea Portuguesa e comandou Francisco Pinto Balsemão em África, durante a guerra colonial.
Natural de Luanda, Angola, Maria Amaral, tem um filho adulto de uma anterior relação.








