A visita foi conduzida por Joana Beato Ribeiro, investigadora do Património Histórico (PH) e responsável científica da exposição, e pela educadora Joana Correia, que acompanha diariamente o funcionamento do jardim de infância. Ao longo do percurso, os participantes puderam identificar elementos arquitetónicos preservados, como o painel de azulejos que se vê ao entrar no edifício, e compreender as alterações introduzidas ao longo das décadas, sendo que atualmente é um jardim de infância que alberga 75 crianças, divididas por três salas.
Durante a visita, Joana Beato Ribeiro explicou que o Lactário-Creche, fundado em 1925, passou por várias sedes até à construção deste edifício, resultado de um esforço coletivo que envolveu donativos, angariações públicas e a colaboração de várias instituições e particulares. A localização, no então bairro operário das Caldas da Rainha, não foi por acaso, correspondendo à necessidade de proximidade às famílias trabalhadoras que mais recorriam a este apoio.
O edifício funcionou inicialmente com valências internas e externas, incluindo acolhimento diário de crianças, distribuição de leite, acompanhamento médico e apoio às mães. Com o encerramento progressivo do lactário, na década de 1940, o espaço viria a integrar a esfera da Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha, sendo posteriormente adaptado a jardim-escola e, após o 25 de Abril, a jardim de infância, função que mantém até hoje.
Em entrevista ao JORNAL DAS CALDAS, Joana Beato Ribeiro explicou que esta exposição se insere num trabalho de investigação mais vasto, que tem vindo a desenvolver há vários anos a partir do arquivo do médico Fernando da Silva Correia, figura central na história do Lactário-Creche. Esse trabalho foi agora aprofundado com a identificação de documentação existente no arquivo da Misericórdia, sobretudo relativa à fase final da atividade do lactário, já nos anos 40.
“A ideia desta exposição foi também lançar as comemorações do centenário da Santa Casa da Misericórdia, que se assinala em 2028, aproveitando o facto de o Lactário completar cem anos em 2025 e de existir uma relação muito próxima entre as duas instituições”, explicou a investigadora, sublinhando que a investigação em curso está agora mais centrada na história da Misericórdia e no tratamento do seu arquivo.
Quanto ao acesso do público à documentação, Joana Beato Ribeiro referiu que o arquivo de Fernando da Silva Correia pode ser consultado mediante contacto com o PH, enquanto o arquivo da Misericórdia se encontra em fase de tratamento, embora seja possível o acesso a quem esteja interessado. A investigadora adiantou ainda que a exposição documental permanecerá acessível por mais alguns dias, apesar do encerramento oficial.
Para além deste trabalho, o Património Histórico tem já outros projetos em desenvolvimento, incluindo novas sessões das “Tertúlias PH”, marcadas para fevereiro e março, e iniciativas ligadas ao tratamento de arquivos e à preparação das comemorações do centenário da Misericórdia. Está também em estudo uma futura publicação com base em espólios fotográficos relacionados com a história local.










