Tertúlia sobre as cidades e as suas memórias reuniu historiadores e arquivistas

19 de Janeiro de 2026

Na passada quinta-feira, as “Tertúlias PH”, do grupo Património Histórico (PH), voltaram ao Palco Café Concerto do Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha (CCC), desta vez com o tema “memória é conhecimento: a cidade vista e revista por historiadores e arquivistas”.

 

A última vez que o grupo PH realizou uma tertúlia foi em 2020. Passados seis anos, o objetivo desta iniciativa continua a ser o debate aberto de temas do tempo presente com a participação de observadores qualificados. Nesse intuito esta edição contou com o professor António Camões Gouveia, doutorado em História e Teoria das Ideias, a professora Maria de Lurdes Rosa, doutorada em História Medieval, Paulo Batista, atual diretor do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, e com a moderação de Joana Beato Ribeiro, doutorada em Arquivística Histórica e investigadora do PH.

A conversa abordou, portanto, as cidades e as suas relações com a memória, história e cultura ao longo do tempo e na atualidade. Para António Camões Gouveia, que se interessa particularmente pela história social das sociabilidades e dos poderes, nas vertentes da história, da cultura, das mentalidades e da história religiosa, “a cidade é um espaço de tudo e de nada que permite microculturas” e, por isso, não é possível falar “da cidade”, mas sim de “espaços urbanos”. O professor acredita também na importância das pessoas na construção histórica, afirmando até que “não é possível pensar em memória e história sem pessoas”.

Em relação às Caldas da Rainha em específico, António Camões Gouveia acredita que a cidade “tem muito para recuperar” a nível histórico e que, apesar da sua incontestável importância, “Caldas não pode ficar apenas agarrado à Rainha Dona Leonor”, segundo o ponto de vista de que a história da cidade é mais do que isso.

Para além do passado e presente, António Camões Gouveia também falou do futuro, prevendo que “Caldas será uma daquelas autarquias que irá ganhar mais com o novo conceito de centralidade, definido pela Comunidade Europeia”, que projeta “vias rápidas para as grandes centralidades”.

Maria de Lurdes Rosa, sendo doutorada em História Medieval, começou por abordar o tema da tertúlia falando das cidades na época medieval, informando que o século XII, foi de especial relevância para estes organismos. A especialista fala mesmo de um renascimento do século XII, em que os países começam “a sair da ruralidade” e em que a cidade começa a ser mais vista como um “local de liberdade e difusão do pensamento”, onde nascem universidades e ordens religiosas medicantes.

A professora falou também da importância das memórias das comunidades, mas deixou o aviso de que podem por vezes ser muito deslocadas daquilo que os historiadores constroem e que precisam, por isso, de ser confrontadas com factos precisos, científicos e históricos. Também abordou o trabalho do PH que, segundo ela, “é dos melhores exemplos na cidade, do trabalho que se pode fazer sobre a história e a memória”.

Na sua perspetiva de arquivista, Paulo Batista considera que “a cidade é um organismo vivo e dinâmico que historiadores e arquivistas interpretam através de diferentes camadas de tempo e registos documentais”. O diretor do Arquivo Nacional da Torre do Tombo acredita que “os arquivos são a espinha dorsal da democracia”, no âmbito em que “são fundamentais para o conhecimento, a construção da memória coletiva, a produção cultural e a proteção dos direitos dos cidadãos e das suas organizações”. Lamenta, por essa razão, a falta de arquivos municipais em vários concelhos do país, nomeadamente nas Caldas da Rainha.

Após as questões do público, o tema dos arquivos foi ponto central da discussão. Maria de Lurdes Rosa considera relativamente fácil e muito importante a criação de arquivos digitais e que é “nas comunidades locais que reside esse poder”.

Já António Camões Gouveia afirmou que de certa maneira já existe arquivo municipal nas Caldas da Rainha, mas que está “polinucleado” em várias instituições. “Não tem uma missão em comum, esse é o problema”, defendeu o especialista.

No final da conversa, Joana Beato Ribeiro informou que no dia 19 de fevereiro haverá uma segunda tertúlia, no mesmo espaço, desta vez com artistas.

 

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