Primeiro bebé em 2026 no Hospital das Caldas nasceu a 3 de janeiro

7 de Janeiro de 2026

Abner Fortuna nasceu no dia 3 de janeiro, às 16h42, com 3,430 quilos, no Hospital das Caldas da Rainha, sendo o primeiro bebé deste ano no estabelecimento de saúde, que tem estado com o bloco de partos vários dias encerrado por semana. Foi muito por causa desta situação que no primeiro dia de 2026 não foram ali registados nascimentos. Se houvesse possibilidade de contar com recursos humanos médicos, o número de bebés aumentaria bastante na maternidade. Em 2025 nasceram 1.178 bebés neste hospital.

 

Tal como já tinha ocorrido em 2025, o primeiro bebé do ano nas Caldas da Rainha não nasceu no dia 1 de janeiro. Entre a meia-noite e as nove da manhã, quando o serviço ainda estava aberto, não havia grávidas a entrarem em parto. O último nascimento tinha sido às 23h09 de 31 de dezembro.

Por carência de recursos humanos médicos, a urgência de ginecologia/obstetrícia e bloco de partos não estiveram a funcionar entre as 09h00 de 1 de janeiro e as 09h00 de 3 de janeiro.

As grávidas têm recebido informação de que quando tal acontece deverão contactar previamente a linha SNS 24 (808 24 24 24) e em situações de emergência ligar diretamente o 112.

Aos meios de emergência médica da área de influência do hospital tem sido solicitada a passagem de dados clínicos ao CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes), central de emergência médica do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), para uma correta referenciação hospitalar e encaminhamento das grávidas.

Foi assim preciso esperar pela reabertura do bloco de partos e eis que ao terceiro dia do ano nascia o terceiro filho de Moniza Fortuna, de 45 anos, e Anderson Fortuna, de 34 anos.

O casal angolano, de Luanda, já tinha Agnes, menina de três anos, e Quemuel, menino de dois anos.

Residente em Tremês, vila no concelho de Santarém, a família estava longe de imaginar que seria Caldas da Rainha o local do nascimento.

Era para ser a 31 de dezembro, mas as dores de parto só se intensificaram às três da manhã de 3 de janeiro e por volta das três da tarde foi a altura de pedir transporte para o hospital.

“Os bombeiros de Alcanede foram a minha casa. Como o Hospital de Santarém não tinha vagas porque a urgência de obstetrícia estava fechada, ficámos à porta de casa uns 20 ou 30 minutos, porque eles estavam a procurar vagas noutros hospitais e encontraram nas Caldas da Rainha”, contou Moniza, que foi bancária em Angola.

“Consegui gerir o stress, procurei ficar calma, uma vez que as dores já estavam mesmo a apertar e já tenho um certo domínio disto”, relatou, adiantando que “sinto-me privilegiada por ter sido o primeiro bebé do ano nas Caldas da Rainha”.

Foi um parto normal e “correu tudo bem” e onde a assistência “foi top”. Moniza deixou elogios aos profissionais do hospital.

Em Portugal desde abril do ano passado, para tratar de questões de saúde da filha mais velha e ao mesmo tratar de pedir dupla nacionalidade, Moniza disse que não conhecia Caldas da Rainha, apesar de ter vivido no país e passado férias muitas vezes em território nacional, por ter um avô português e pai com dupla nacionalidade.

“Vim há nove meses e quando cheguei cá já estava grávida e não sabia. Um dia senti-me mal e fiz um teste. Descobri que estava grávida de três ou quatro meses”, indicou.

O marido só veio em finais de setembro para acompanhar a gestação, aproveitando o tempo para fazer uma pós graduação em gestão de empresas em Lisboa.

Regressar a Angola não está nos planos porque a vontade é ficar, mas os processos para a permanência em território nacional “são muito burocráticos”, sublinha Anderson.

Moniza está desde julho do ano passado a aguardar agendamento da AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo). Em novembro entrou com os papéis mas para obter a nacionalidade precisa de ter um ano de residência em Portugal ou autorização de residência.

O mesmo se passa com Anderson, que em Angola tem uma empresa na área da construção civil e consultoria, da qual gostaria de criar uma filial em Portugal, porque “há muito trabalho cá”. Só que os obstáculos começam na abertura de uma conta bancária: “Exigem autorização de residência”.

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