Tal como já tinha ocorrido em 2025, o primeiro bebé do ano nas Caldas da Rainha não nasceu no dia 1 de janeiro. Entre a meia-noite e as nove da manhã, quando o serviço ainda estava aberto, não havia grávidas a entrarem em parto. O último nascimento tinha sido às 23h09 de 31 de dezembro.
Por carência de recursos humanos médicos, a urgência de ginecologia/obstetrícia e bloco de partos não estiveram a funcionar entre as 09h00 de 1 de janeiro e as 09h00 de 3 de janeiro.
As grávidas têm recebido informação de que quando tal acontece deverão contactar previamente a linha SNS 24 (808 24 24 24) e em situações de emergência ligar diretamente o 112.
Aos meios de emergência médica da área de influência do hospital tem sido solicitada a passagem de dados clínicos ao CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes), central de emergência médica do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), para uma correta referenciação hospitalar e encaminhamento das grávidas.
Foi assim preciso esperar pela reabertura do bloco de partos e eis que ao terceiro dia do ano nascia o terceiro filho de Moniza Fortuna, de 45 anos, e Anderson Fortuna, de 34 anos.
O casal angolano, de Luanda, já tinha Agnes, menina de três anos, e Quemuel, menino de dois anos.
Residente em Tremês, vila no concelho de Santarém, a família estava longe de imaginar que seria Caldas da Rainha o local do nascimento.
Era para ser a 31 de dezembro, mas as dores de parto só se intensificaram às três da manhã de 3 de janeiro e por volta das três da tarde foi a altura de pedir transporte para o hospital.
“Os bombeiros de Alcanede foram a minha casa. Como o Hospital de Santarém não tinha vagas porque a urgência de obstetrícia estava fechada, ficámos à porta de casa uns 20 ou 30 minutos, porque eles estavam a procurar vagas noutros hospitais e encontraram nas Caldas da Rainha”, contou Moniza, que foi bancária em Angola.
“Consegui gerir o stress, procurei ficar calma, uma vez que as dores já estavam mesmo a apertar e já tenho um certo domínio disto”, relatou, adiantando que “sinto-me privilegiada por ter sido o primeiro bebé do ano nas Caldas da Rainha”.
Foi um parto normal e “correu tudo bem” e onde a assistência “foi top”. Moniza deixou elogios aos profissionais do hospital.
Em Portugal desde abril do ano passado, para tratar de questões de saúde da filha mais velha e ao mesmo tratar de pedir dupla nacionalidade, Moniza disse que não conhecia Caldas da Rainha, apesar de ter vivido no país e passado férias muitas vezes em território nacional, por ter um avô português e pai com dupla nacionalidade.
“Vim há nove meses e quando cheguei cá já estava grávida e não sabia. Um dia senti-me mal e fiz um teste. Descobri que estava grávida de três ou quatro meses”, indicou.
O marido só veio em finais de setembro para acompanhar a gestação, aproveitando o tempo para fazer uma pós graduação em gestão de empresas em Lisboa.
Regressar a Angola não está nos planos porque a vontade é ficar, mas os processos para a permanência em território nacional “são muito burocráticos”, sublinha Anderson.
Moniza está desde julho do ano passado a aguardar agendamento da AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo). Em novembro entrou com os papéis mas para obter a nacionalidade precisa de ter um ano de residência em Portugal ou autorização de residência.
O mesmo se passa com Anderson, que em Angola tem uma empresa na área da construção civil e consultoria, da qual gostaria de criar uma filial em Portugal, porque “há muito trabalho cá”. Só que os obstáculos começam na abertura de uma conta bancária: “Exigem autorização de residência”.










