Ana Paula Martins visitou o hospital das Caldas na tarde de 5 de janeiro, para se inteirar da resposta do Serviço Nacional de Saúde ao aumento do número de doentes, em particular de casos de gripe e de infeções respiratórias. Anteriormente, tinha estado também no hospital de Leiria, onde acabou por se demorar mais do que o previsto e, por isso, nas Caldas fez só uma visita aos serviços de urgência e acabou por não reunir com a administração da Unidade Local de Saúde do Oeste (ULSO) como estava previsto.
No entanto, no final da visita a ministra prometeu a Elsa Baião, presidente da ULSO, que iria voltar para ter essa reunião.
Ana Paula Martins assumiu logo aos jornalistas que é essencial ser construído um hospital novo, mas escusou-se a fazer mais comentários sobre o assunto, de forma a evitar tensões políticas e sociais.
“Há muitos anos que o Oeste precisa de um novo hospital e ele tem de ser feito. Ponto final”, afirmou.
Perante a insistência dos jornalistas, remeteu o anúncio oficial da localização para o primeiro-ministro, “que é quem fala sobre essa matéria no governo”.
Afinal, foi o também líder de PSD que veio às Caldas da Rainha, às portas das eleições autárquicas, anunciar, num comício de apoio à candidatura de Hugo Oliveira para presidente da Câmara, que a decisão já tomada em relação à construção ser no Bombarral tinha sido revogada.
Nessa altura, no início de outubro, Luís Montenegro afirmou que foi suspenso o processo que estava em curso, de modo a “aprofundar a avaliação sobre a construção do Hospital do Oeste e na relação de verdade com as pessoas”.
O líder do PSD assegurou que “a decisão será a que resultar do processo de avaliação aprofundado, fundamentado com todas as consequências”.
Por outro lado, a ministra comentou que o novo hospital não terá de implicar o fecho das unidades das Caldas ou Torres Vedras, uma vez que as instalações poderão ter outra utilização. Como Portugal tem uma média de camas por habitante (3,5) inferior à média europeia (5), estas instalações poderão ser reconvertidas para camas de retaguarda ou hospital de dia.
Ministra elogia equipas e administração
No final da visita, no qual falou com os vários diretores de serviço e também alguns doentes que estavam nas urgências, a ministra revelou-se surpreendida com a forma como o hospital das Caldas consegue responder à procura durante esta época.
“O que se faz neste hospital é quase inédito”, considerou, elogiando as equipas de trabalho pelo seu trabalho.
Tendo em conta todas as dificuldades, como o facto de as equipas serem reduzidas (devido à falta de médicos) e as instalações serem antigas e com espaço muito reduzido, a ministra salientou o “espírito de missão e de sacrifício” por parte dos profissionais de saúde.
A ministra fez também um elogio à resiliência do conselho de administração e ao trabalho dos profissionais perante estas limitações.
A gestão de pessoal foi apontada como o “maior desafio” atual no setor da saúde, mas a governante salientou que pela primeira vez em vários anos, estão a ser recrutados mais médicos do que aqueles que saem, embora o mesmo ainda não se verifique com os enfermeiros.
A ministra destacou a importância de um contingente de 1.111 médicos com 70 anos ou mais, que são fundamentais para sustentar o peso das urgências.
Na sua opinião, a atratividade não passa apenas pela remuneração, mas também por sistemas de avaliação mais justos, progressão na carreira e a criação de internatos para enfermeiros. Estão também em curso negociações com os sindicatos.
A ministra admitiu também que existe uma carência grave de médicos de família na região do Oeste, o que sobrecarrega os serviços hospitalares.
“Esta região é uma das mais desprotegidas do país”, referiu, adiantando que que não existem “soluções mágicas” e que as estratégias devem ser adaptadas à realidade específica de cada região.
Desta visita ao hospital das Caldas leva na “bagagem”, como disse, algumas das propostas apresentadas pelos diretores de serviço que ouviu e tentar implementar o que for possível.
Caldas no nível mais crítico do plano de contigência
Elsa Baião referiu que o hospital das Caldas encontra-se na fase três do plano de contingência para o inverno, o nível mais crítico, devido à elevada afluência às urgências e à sobrelotação dos internamentos.
Esta situação, agravada pela forte incidência da gripe, dificulta a transferência de doentes da urgência para as enfermarias, resultando na acumulação de doentes em macas.
Para lidar com o fluxo de doentes, a administração adotou várias medidas operacionais, nomeadamente o cancelamento de atividade programada de situações não urgentes para libertar tanto camas como profissionais de saúde.
Foram contratadas 15 camas externas de agudos (em unidades como a Trofa, na Amadora) e o número de camas de retaguarda foi aumentado para 35.
Estas últimas destinam-se a doentes com “alta clínica”, mas que permanecem no hospital por motivos sociais.
A administradora destaca o sucesso de iniciativas que visam reduzir a vinda desnecessária de utentes ao hospital, como o “Ligar Antes de Salvar Vidas”. Este projeto permitiu reduzir em 17% os atendimentos na urgência e em 20% a afluência de doentes triados com a cor verde (pouco urgentes) na ULSO.
Foi criado um canal de comunicação direta com os lares para evitar que idosos frágeis e acamados sejam deslocados para a urgência sem necessidade absoluta
Está a ser implementado também um projeto em parceria com farmácias comunitárias que utiliza questionários e testes para monitorizar em tempo real quais os vírus respiratórios que circulam na comunidade.










