No sistema de órgãos da MTC, diz-se que o Shén reside no Coração (C), o que revela a estreita relação entre saúde mental, saúde física e equilíbrio emocional. Quando o C está nutrido adequadamente, principalmente através de um bom aporte de sangue (Xué, 血), o Shén manifesta-se de forma clara e estável, permitindo tranquilidade e discernimento. Por outro lado, se o C estiver em desequilíbrio, o Shén pode sofrer perturbações, como ansiedade, irritabilidade, insónia e até sintomas depressivos.
É importante ressalvar que o Shén não atua sozinho, ele depende de uma interação harmonioza com o Jīng (精) e o Qì (氣). O Jīng é a essência herdada e armazenada no Rim, enquanto o Qì é a energia vital que circula pelo organismo. Se estes elementos estiverem enfraquecidos, o Shén também será afetado, pois não encontra a base necessária para poder brilhar. Um Jīng debilitado, por exemplo, pode reduzir a resistência física e mental, enquanto um Qì em desequilíbrio compromete a absorção e distribuição de nutrientes, enfraquecendo o sangue, o que leva a um C debilitado e, consequentemente, provoca um Shén desequilibrado.
Práticas como acupuntura, fitoterapia, Qi Gong e meditação ajudam a fortalecer o C, a harmonizar os canais e a nutrir o sangue, proporcionando suporte ao Shén. Do ponto de vista preventivo, é fundamental manter hábitos saudáveis, como uma alimentação equilibrada, sono regular, exercício físico moderado e momentos dedicados ao lazer ou à contemplação. Assim, evitamos o desgaste energético e ajudamos o Shén a manifestar-se com clareza e integridade.
Resumindo, o Shén é o reflexo da nossa consciência integral, permitindo-nos experienciar o mundo com lucidez, sensibilidade e calma interior. Cuidar do Shén não implica apenas zelar pelo bem-estar mental, mas também estabelecer uma base sólida de energia vital, nutrição sanguínea e harmonia emocional. A MTC, ao unir corpo, mente e espírito numa abordagem sistémica, oferece caminhos profundos e eficazes para proteger e cultivar o Shén.
0 Comentários