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Derrocada ameaça casas no Bairro do Visconde

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Várias pedras de grandes dimensões caíram de uma falésia em Peniche, onde no topo há diversas habitações. Os moradores no Bairro do Visconde estão em alerta e temem que a arriba acabe por colapsar e as casas sejam arrastadas.
Os moradores olham para o problema com preocupação

A derrocada de parte da falésia onde estão assentes diversas casas, devido à erosão costeira, agravada nos últimos dias pela chuva e vento, está a deixar preocupados os moradores, que dizem que as habitações estão em risco. Um enorme buraco foi aberto na arriba com a queda de pedregulhos na semana passada.

“Estava em casa e foi um susto enorme. Ouvi um estrondo que parecia um tremor de terra e fiquei muito assustado. Não consegui ver o que tinha caído, porque já era de noite, só depois me apercebi que o que tinha acontecido era grave”, disse Manuel Vagos.

Este morador frisou que “é uma preocupação enorme, porque moramos aqui e sentimos que estamos em perigo com uma derrocada ainda maior, que pode pôr em causa continuarmos aqui a viver”.

O Bairro do Visconde está implantado nas arribas fronteiras à Fortaleza de Peniche e dentro da faixa de domínio marítimo. É sobre a rocha que está edificado este bairro habitacional.

“Nós há muito tempo que sentimos que há rochas a caírem em vários locais, só que agora está mesmo a cair debaixo das nossas casas. Esperava que alguém chegasse ao pé de nós e viesse com soluções ou preocupado pelo menos”, lamentou António Pereira, sustentando que “bastava injetar betão para que essas pedras não ficassem soltas, porque não tendo nada que as segure vão cair”.

Com as derrocadas mais recentes para os moradores torna-se urgente uma solução, seja imediata ou uma intervenção de fundo que garanta a segurança de quem reside naquele que é considerado um bairro pitoresco de Peniche e um marco turístico incontornável da cidade.

“Estou muito aflita e só pedimos ao presidente da Câmara que nos ajude a arranjar aquilo que os nossos pais nos deixaram”, desabafou Maria Henriques.

 

Presidente da Câmara confirma risco

 

Henrique Bertino, presidente da Câmara Municipal de Peniche, prestou esclarecimentos sobre o caso, no dia a seguir a ter vindo a público, através de uma reportagem do canal de televisão CMTV.

Em reunião de Câmara realizada na passada sexta-feira, o autarca referiu que “o serviço municipal de proteção civil esteve no terreno e isolou a área, os técnicos da divisão de obras estiveram no local e eu também, e foi feito logo um ofício ao sr. capitão do porto [por ser área de domínio marítimo]”.

Anunciou também que técnicos da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que “é a entidade com maior responsabilidade na matéria”, estavam a deslocar-se para a cidade para avaliar a situação.

“É uma situação considerada de risco há muito tempo. A zona virada para a Fortaleza é que está mais em cima da rocha. É uma arriba que está a sustentar casas que estão a sobrecarregá-la”, indicou, sublinhando que “há ali muitas ilegalidades” que vêm de há muitas décadas. “Hoje ninguém pode construir ali nem intervir numa margem substancial do bairro”, fez notar.

“Um dia em que haja um pequeno tremor de terra podemos ter azar naquela zona. Provavelmente será a pior zona no concelho de Peniche. E quando cair ali uma casa espero que não esteja ninguém lá dentro.

Coitado do presidente que esteja cá quando isso aconteça. Tenho dito isso até para defesa dos vindouros”, comentou.

O autarca, confrontado por alguns vereadores da oposição, disse que “não vamos prometer mundos e fundos, mas vamos assumir as nossas competências”.

“Quem colocou a questão na televisão facilitou-nos para serem tomadas medidas. E por isso é que hoje está cá a APA”, relatou.

O presidente da Câmara declarou que “vamos aguardar a avaliação técnica, o relatório e as conclusões e pedi uma audiência ao presidente da APA”.

O edil anunciou ainda a intenção de ser feito um levantamento do número de moradores e as condições das habitações. “Temos de arranjar alguém para ir para o terreno para ver cada casa e quem está lá. O que me preocupa é haver pessoas resistentes a não querer sair, mas as pessoas têm de tomar consciência do risco“, vincou.

 

Cartaz turístico

 

No início do século XX, a indústria conserveira começou a florescer em Peniche, atraindo muitos forasteiros para a localidade. Emílio José Ló Ferreira, Visconde de Trevões, título nobiliárquico criado por D. Manuel II, por decreto de 29 de abril de 1909, instala uma fábrica de conservas de peixe naquela zona, onde é edificado um bairro habitacional inicialmente ocupado pelas famílias dos operários e depois também pela comunidade piscatória.

Mais tarde, as casas em madeira foram dando lugar a construções em tijolo. O Turismo de Portugal considera-o como “um dos locais mais fascinantes de Peniche”.

“O desenho arquitetónico do bairro é particularmente impressionante. As casas pitorescas coloridas situam-se sobre as falésias com uma vista inacreditável sobre o Atlântico, verdadeiro postal de Peniche”, descreve.

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