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Quem destrói a nossa democracia

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Um livro recente de Larry M. Bartels, Democracy Erodes from the Top: Leaders, Citizens and the Chalenge of Populism in Europe (Princeton), confirma que quem destrói a democracia são as elites e não o povo. Até porque, diz Bartels, o povo e a correlacionada vocação iliberal e antidemocrática é elucubração de especialistas. O óbvio ganha sempre outro peso quando é afirmado por um cientista político como este ilustre catedrático da Universidade Vanderbilt.

Um livro recente de Larry M. Bartels, Democracy Erodes from the Top: Leaders, Citizens and the Chalenge of Populism in Europe (Princeton), confirma que quem destrói a democracia são as elites e não o povo. Até porque, diz Bartels, o povo e a correlacionada vocação iliberal e antidemocrática é elucubração de especialistas. O óbvio ganha sempre outro peso quando é afirmado por um cientista político como este ilustre catedrático da Universidade Vanderbilt.

Parafraseando João Pereira Coutinho numa crónica recente na revista Sábado, a propósito de Donald Trump, o sucesso de Ventura em 30 de Janeiro de 2022 e, quem sabe, em 10 de Março de 2024, também se deve à generosidade do circo que os jornalistas montaram para o palhaço. Ou seja, transpondo a argumentação do mui douto Bartels para o caso da ascensão do Chega: havia uma borra de racismo, xenofobia e outras irracionalidades populistas por explorar; eis que brota um intérprete acirrante; os partidos do costume vão chafurdando em incompetência e esquemas; e a comunicação social, vendo em Ventura o pícaro ideal para arredondar audiências, menciona-o por tudo e por nada e agiganta-o; a personagem passa a ocupar todo o espaço, a ponto de a direita tradicional mal conseguir espernear e a esquerda passar a referir-se-lhe para se definir e justificar — o Chega torna-se o monturo em torno do qual a mesmice política zumbe e esvoaça.

Os partidos tradicionais, mormente os que têm tido funções governativas, fizeram da venalidade o modus operandi. Servir-se antes de servir. Com isto delapidaram o capital mais precioso que é a confiança. Só quem acabe de chegar de outro planeta acredita na sinceridade das promessas eleitorais. Já os debates televisivos, conduzidos para o concurso de acusações inúteis e manipulação descarada, porque a audiência tiktok entedia-se com a apresentação serena de ideias e soluções — e seguidos de análises laboratoriais, em que especialistas mais ou menos sectários, alguns de estilete comprido e mola no nariz e a maioria com alvar deleite, remexem redundantemente no que se acabou de assistir —, apenas terão tornado mais convicta a abstenção. Governos assim eleitos representarão cada vez mais uma minoria contrafeita e resignada, que se esforça por continuar a acreditar que a democracia é o menos mau dos sistemas.

Uma figura que se afirma anti-sistema, se apresenta contra todos os outros, diz “Chega” e diz que fará coisas extraordinárias como destinar a fins muito nobres o montante exacto da corrupção, como se o dinheiro da fuga aos impostos e de toda a vigarice nacional fosse uma dotação do Orçamento do Estado, torna-se irresistível para quem nunca foi adepto de programas de História, não percebe economês, vê todos os dias a vida a andar para trás e está farto de casos e casinhos.

Neste contexto, acusar dos resultados eleitorais do próximo 10 de Março, que ensombrarão a passagem dos 50 anos do 25 de Abril, a asnice, racismo ou fascismo do povo, só mesmo por descaso ou conflito de interesses.

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