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Os dilemas e desafios do associativismo e cooperação

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O “Associativismo e Cooperação” foi o tema da 2ª edição da iniciativa “Três Conversas para Mudar o Mundo”, que decorreu no dia 2 de julho no Café Concerto do Centro Cultural e de Congressos (CCC) das Caldas da Rainha.
Filipe Pereira, Rui Jacinto, Ana Gonçalves, Célia Antunes, João Dias e Paulo Espírito Santo

No evento foi destacado que as festas populares desempenham um papel crucial nas freguesias. No entanto, foi salientado que as associações comunitárias enfrentam um declínio na adesão e participação por várias razões, o que poderá no futuro ter impacto significativo nas festas populares e na vida comunitária em geral.

Numa conversa com vários oradores e com a participação da plateia foi deixado o alerta para a falta de voluntários e lançado o repto de haver “benefícios sociais para quem dedica o tempo ao voluntarismo”.

“Fizemos durante duas horas o uso da consciência. Não conseguimos mudar o mundo, mas logo começaram a surgir novas ideias”, salientou o organizador do evento, Filipe Pereira, hipnoterapeuta e alquimista da consciência.

Depois de ouvir os convidados e o público Filipe Pereira defendeu “a criação de um regulamento de benefícios para os voluntários que poderá ser a nível fiscal”.     

O hipnoterapeuta foi o primeiro a usar da palavra. Ciente que “ninguém vai sair daqui iluminado, mas se dermos mais um balanço à consciência e trouxermos a responsabilidade da vida e da sociedade para nós já terá valido a pena”.   

Para Filipe Pereira, a consciência é aquilo que “capta a ideia e o pensamento e cabe-nos a nós criar a nossa própria opinião sobre alguma coisa”, apontou.  

Segundo este responsável, “todos os dias somos bombardeados com informação e perdemos a capacidade de fazer uso da consciência ou alguém se apropria dela”.

O organizador do evento destacou a importância do associativismo e cooperação para a promoção da coesão social e também para a dinamização económica e cultural das comunidades. “São a nossa identidade e nas freguesias as associações culturais e recreativas são a maior representação que existe da consciência coletiva daquele grupo”, salientou. 

Considera que é muito importante “todos terem um papel ativo na sociedade e trazer à nossa consciência se estamos a contribuir de uma forma correta”.

“Qual a vossa colaboração individual para uma consciência coletiva melhor?”, questionou Filipe Pereira. Defendeu que cada um possa intervir na sociedade “da forma que lhe dê prazer, mas que contribua para a expansão da consciência coletiva e individual”.

O organizador revelou ainda que é importante “incutir na infância que o trabalho voluntário não é tempo perdido, mas um ganho”. 

Rui Jacinto, antigo presidente da Junta de Freguesia de Salir de Matos, é atualmente professor e gerente do Café Concerto do CCC. Confessou que é sócio de algumas associações, mas nunca fez parte ativa das direções das associações culturais e recreativas.

Para o ex-autarca, um sistema “democrático só funciona se tiver associações a funcionarem em pleno, porque o associativismo é a participação ativa do povo para melhorar a sociedade”.

Segundo o professor, o “boom de associações coletivas após o 25 de Abril de 1974 foi um reflexo da libertação e democratização da sociedade portuguesa”.

O agora empresário revelou que muitas associações têm “membros mais velhos” e enfrentam dificuldades em “atrair os jovens que possam trazer novas ideias e energia”.

Referiu ainda que o declínio na participação nas associações é um desafio significativo para as freguesias, que têm de desenvolver “estratégias inovadoras para atrair mais pessoas e nomeadamente os jovens para assumirem a responsabilidade das direções dessas entidades”.

Ana Gonçalves, vice-presidente da Ordem do Trevo, associação de solidariedade que ajuda neste momento 70 famílias carenciadas e que representa o apoio a 326 pessoas, manifestou que “temos uma grande responsabilidade social porque atuamos como uma rede de apoio crucial para pessoas em situações de vulnerabilidade, e a nossa maior dificuldade é garantir de 15 a 15 dias o cabaz alimentar”, adiantando que fornecem outros serviços essenciais.

Referiu que têm o apoio do Banco Alimentar do Oeste, que “fornece 70% dos alimentos e o restante conseguimos angariar através de parcerias com empresas e entidades e é com base nessa estratégia que temos um retorno e já somos reconhecidos na sociedade”. 

“Vivemos do trabalho voluntário e temos uma missão coletiva perante a sociedade com responsabilidades assumidas e depende da vontade individual de cada voluntário que vai criar um impacto na vida dessas pessoas”, salientou Ana Gonçalves.

Segundo esta responsável, os “voluntários não são remunerados, dão o seu tempo, o que faz com que não podemos exigir, porque depende da vontade individual de cada um”.

Para a vice-presidente da Ordem, a falta de voluntários é “um desafio que requer uma abordagem proativa”. Defendeu a “implementação de estratégias eficazes para a atração de voluntários e, consequentemente, aumentar seu impacto positivo na sociedade”. “A sociedade necessita de uma intervenção social e só possível se cada um fizer a sua parte e só assim é que se consegue criar um impacto em torno de interesses e objetivos comuns”, afirmou.

Ana Gonçalves revelou que as empresas de “interesse público devem apresentar anualmente uma demonstração não financeira que inclua uma descrição das políticas seguidas em relação aos atos de responsabilidade social e ambiental ligados às atividades da empresa”.

Célia Antunes, fundadora da Associação Olha-te, explicou que é uma organização dedicada a apoiar pessoas com cancro. O foco é proporcionar suporte emocional, psicológico e ajudando as pessoas a enfrentar os desafios associados ao diagnóstico e tratamento da doença. “O objetivo é juntar um tratamento convencional a um tratamento complementar que vai buscar a arte e o apoio e acima de tudo cria um grupo de pertença”, salientou.

Quanto ao tema do associativismo, disse que “quando juntamos pessoas à volta de um propósito, em algo que acreditam, dá mais motivação”. “Como associação temos parcerias e todos trabalhamos em conjunto para resolver o problema de alguém”, adiantou.

Célia Antunes falou também das festas populares, que “desempenham um papel significativo em diversas sociedades, uma vez que preservam tradições culturais, mas também têm impacto económico e promovem o encontro de pessoas, fortalecendo os laços sociais e criando um senso de pertencimento”.

“As associações têm hoje uma gestão mais rigorosa”

Numa vertente mais política estiveram presentes João Dias, presidente da Mesa de Assembleia da União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro, e Paulo Espírito Santo, membro do PSD na Assembleia Municipal das Caldas da Rainha.

João Dias destacou que as associações culturais e freguesias desempenham papéis fundamentais no fortalecimento das comunidades locais e na promoção do desenvolvimento social e que “muitas vezes substituem o Estado Central porque estão mais próximas das populações”.

Referiu que a delegação de competências nas freguesias tem aumentado, nomeadamente no apoio às associações. Defendeu estratégias para “cativar mais pessoas para as associações”.

Já Paulo Espírito Santo defendeu “estatutos claros que definam a missão, visão, objetivos, estrutura organizacional e funções dos membros das associações”.

O membro da Assembleia Municipal referiu que o associativismo “vive dificuldades porque não há pessoas disponíveis e existem uma série de associações que já foram fortes e agora estão fechadas por falta de pessoas nas direções”.

Paulo Espírito Santo disse que “há uma responsabilidade de quem ocupa cargos no associativismo”. “As pessoas que estão nas direções das associações têm a consciência que as coisas não são fáceis relativamente às questões legais e fiscais porque se há algum erro na gestão pode ser grave e uma associação tem hoje muito mais responsabilidades do que antigamente”, salientou, revelando que os corpos socais têm hoje uma gestão muito mais rigorosa. 

O deputado quer que a Câmara Municipal das Caldas da Rainha “crie um gabinete de apoio às associações na gestão, questões legais, captação de recursos e sustentabilidade financeira”.

No dia 18 de julho, pelas 21h00, vai decorrer a 3ª edição de “Três Conversas para Mudar o Mundo”, com o tema da “Velhice”. A organização convida todas as associações e instituições que lidam com a terceira idade.

A iniciativa tem o apoio do JORNAL DAS CALDAS.

associativismo 2
Um debate à volta do associativismo e cooperação  
 
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