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“Tecer Memórias” foi uma viagem ao passado com olhos postos no futuro

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Os alunos finalistas de Artes Visuais da Escola Secundária Raul Proença desenvolveram a temática da correspondência por envelope mediante vários objetos artísticos.
Finalista de Artes Visuais da Escola Secundária Raul Proença com o seu trabalho

Os alunos finalistas de Artes Visuais da Escola Secundária Raul Proença desenvolveram a temática da correspondência por envelope mediante vários objetos artísticos.

A exposição “Tecer Memórias” foi inaugurada no dia 8 de junho na Galeria de Exposições do Espaço Turismo, nas Caldas da Rainha.

A professora Ana Militão acompanhou os alunos finalistas de Artes Visuais da Escola Secundária Raul Proença desde o 10º ano e esteve presente na inauguração.

O desafio para a construção de um conjunto de trabalhos tendo por base a comemoração dos 50 anos do 25 de abril foi lançado no início do ano através do Plano Nacional das Artes. 

“Em Oficina de Artes eu desafiei-os a partir da escrita e do envelope de carta, para as memórias que existiam muito presentes na troca de correspondência”, contou a professora Ana Militão.

A professora lembrou que embora hoje em dia a troca de correspondência seja frequente pelas mensagens eletrónicas, no 25 de abril era muito importante esta correspondência ser feita no quotidiano das pessoas através das cartas.

Ana Militão pegou no poema “Trova do Vento que Passa”, de Manuel Alegre, mais especificamente no episódio da sua vida que remonta para o seu aniversário e para o gesto da mãe de colocar rosas vermelhas no seu quarto quando ele fazia anos:

“Ele quando estava preso e abriu a carta da mãe nesse dia caiu uma quantidade enorme de pétalas de rosa”, indicou.

A exposição tem, por isso, inspiração no escritor e a instalação foi realizada com envelopes em cerâmica e pétalas de rosa. “A partir daí cada um teve de criar em volta do objeto da carta uma peça escultórica de cerâmica que tivesse uma linha de raciocínio ligada ao conceito. Andámos à volta da escrita e de memórias, alguns foram buscar correspondência do país, outros foram para áreas mais criativas, mas sempre à volta desta base de trabalho”, apontou.

A exposição tem vários materiais e componentes artísticas ao longo do espaço. “Eu dava-lhes Oficina de Artes e Desenho e por isso temos o desenho, cartazes, fotografias, escultura e quadros vivos, criados num vídeo feito na Oficina de Multimédia” indicou a professora.

Alecsander Jordão, um dos alunos do 12º ano, criou uma escultura na entrada do espaço com o título “Preso na Mensagem”:

“Quando fizeram a proposta dos envelopes eu pensei logo em mensagens, e prendi-me mais na ideia das mensagens negativas”, revelou. A escultura de Alecsander é a sensação de estar preso numa mensagem negativa por meio de uma figura humana sem expressão e numa posição desconfortável presa dentro de um envelope.

Joana Mendes, por outro lado, fez a evolução da comunicação passando pelas cartas, os telemóveis de teclas e os telemóveis atuais. “Gostei muito de fazer este projeto, foi uma coisa boa que nos prepara para o futuro”, manifestou. A jovem está a pensar seguir Arquitetura e pensa que este trabalho a ajudou nesse sentido.

Todos os trabalhos têm a conotação referente às cartas, às memórias, ao envelope e às mensagens que circularam.

Os alunos prestaram uma homenagem à professora no final da apresentação e agradeceram toda a dedicação que lhes deu ao longo dos anos.

A exposição encontra-se patente até 28 de junho, estando aberta ao público de segunda a sexta das 10h00 às 13h30 e das 14h00 às 16h00. Encerra sábados, domingos e feriados.

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