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Conferência do Jornal das Caldas/Rádio Mais Oeste/Ordem do Trevo

“Todos temos um papel na prevenção e promoção da saúde”

EXCLUSIVO

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“Prevenção e Promoção da Saúde” foi o tema da conferência que encheu o pequeno auditório no passado dia 9, organizada pelo Jornal das Caldas/Rádio Mais Oeste e a associação de solidariedade social Ordem do Trevo em parceria com a Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha (CCC) e Centro Hospitalar do Oeste (CHO).
“Prevenção e Promoção da Saúde” foi o tema da conferência/debate

Conferência do Jornal das Caldas/Rádio Mais Oeste/Ordem do Trevo

“Prevenção e Promoção da Saúde” foi o tema da conferência que encheu o pequeno auditório no passado dia 9, organizada pelo Jornal das Caldas/Rádio Mais Oeste e a associação de solidariedade social Ordem do Trevo em parceria com a Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha (CCC) e Centro Hospitalar do Oeste (CHO).

A pandemia da obesidade, a diabetes como uma doença de todos, o número de tentativas de suicídio entre adolescentes que aumentou nas Caldas e na região, a saúde mental que é a base do bem-estar geral, foram alguns temas abordados pela especialista em Medicina Interna na Unidade das Caldas do CHO, Joana Louro, a chefe do Serviço de Pediatria do CHO, Luísa Preto, e a médica psiquiatra Paula Carvalho.

Houve também na plateia testemunhos oncológicos que partilharam sua experiência focando a falta de apoio psicológico durante e após a doença.  

A sessão de abertura contou com Elsa Baião, presidente do Conselho de Administração do CHO, que agradeceu à organização o evento, salientando a importância de ter o público informado, uma vez que ajuda a melhorar as respostas da saúde e também a ação dos profissionais de saúde. “Cada um de nós pode e deve ser um agente de saúde pública e ter uma estratégia no sentido de prevenir determinadas situações de risco e de gerir as doenças crónicas que muitas vezes nos acompanham”, relatou.

Para esta responsável cabe a cada um de nós contribuir para a “sustentabilidade do sistema” tentando adotar os “comportamentos adequados e uma visão da utilização dos serviços de saúde”. “Este evento é um alerta para a literacia nestas áreas da saúde e agradeço a disponibilidade destas médicas em partilharem o que sabem”, concluiu.

José Viegas, presidente da Ordem do Trevo, disse que esta sessão é a primeira de várias iniciativas que a associação vai ter em conjunto com o Jornal das Caldas e que “vem ao encontro do que fazíamos antes da pandemia, com alguns debates sobre temas prementes para a sociedade”.

Considera que esta associação de solidariedade, que apoia semanalmente 64 famílias (cerca de 220 pessoas) carenciadas com alimentos, vestuário, material escolar e desporto, tem também o dever de “contribuir para o bem-estar da comunidade trazendo à discussão pública temáticas que ajudem a melhorar a qualidade de vida”.  

Recordou, ainda, que a Ordem do Trevo festeja este mês o seu 11º aniversário e que haverá um jantar no dia 18 de março no restaurante “A Lareira”, convidando toda a população a juntar-se à comemoração. 

António Salvador, proprietário do Grupo Medioeste, que concentra o Jornal das Caldas e a Rádio Mais Oeste, também destacou o retomar do ciclo de conferências com a Ordem do Trevo, como era costume antes do período da Covid-19, porque “quer na área da saúde quer cultural, social ou de solidariedade, é importante fazer momentos destes com o intuito de informar a comunidade e também dar a oportunidade às pessoas de partilharem as suas dúvidas e anseios”.

A vereadora Conceição Henriques, que tem o pelouro da ação social, elogiou a “excelente iniciativa que é a promoção e salvaguarda da saúde e por conseguinte a prevenção da doença”. 

Segundo a autarca, a Câmara das Caldas tem todo o interesse na promoção da saúde, assim como se tem feito com “determinadas medidas com os trabalhadores diretos da autarquia, mas há outros em que podemos ter influência como nas escolas, ação social e pela cultura”. “Todas estas áreas bem articuladas entre a autarquia e a população são promotoras da saúde”, apontou. 

A vereadora destacou o facto de numa quinta-feira ao fim da tarde o auditório estar cheio de pessoas interessadas em ouvir falar sobre saúde. “É com alegria que vejo a sociedade civil envolvida em causas como esta porque na verdade uma sociedade verdadeiramente saudável é ativa e construtiva”, afirmou.

“Juntos seremos poucos na prevenção da diabetes e da obesidade”

Joana Louro, médica especialista em Medicina Interna na Unidade das Caldas (CHO), faz parte do Núcleo de Estudos da Diabetes Mellitus/Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e baseou a sua intervenção na obesidade e diabetes. São “duas doenças do presente e do futuro que se não travarmos rapidamente não vamos ter mãos para agarrar o futuro, porque não vai haver recursos humanos nem poder económico para combater aquelas que vão ser as duas grandes pandemias”.

Estas duas doenças que, em determinada altura se cruzam numa só, são, segundo Joana Louro, a causa de “enfartes, AVC, cancro, entre outras complicações que retiram muita qualidade de vida aos doentes”.

A médica explicou que uma pessoa obesa não é sinónimo que “come muito ou que não se mexe. “É óbvio que há excesso de ingestão e há pouco gasto calórico, mas a complexidade também envolve uma série de “mecanismos genéticos, epigenéticos e hormonais”. Uma das mensagens que quis transmitir é que “não se pode culpabilizar ninguém por ser obeso”. No entanto, alega que em todo esse percurso há muita coisa que “não podemos mudar, mas também há muita que podemos modificar para prevenir”.

Esta responsável diz que a diabetes é uma “doença de todos e deve haver a aceitação e apoio familiar, porque só quando a encararmos ao nível da empatia e cooperação é que nós vamos mesmo conseguir mudar o rumo da doença”. “A forma como lidar com a doença será o principal fator de sucesso no tratamento”, apontou.

Joana Louro defende que uma alimentação saudável “passará sempre por coisas naturais e equilibradas” e alertou a plateia a “fugir dos padrões light e de tudo que é embalado”. “A fruta só é natural se vier da árvore e os legumes só são naturais se vierem da terra” apontou, destacando ainda a necessidade de saber ler os rótulos. “Eu tenho que saber o que estou a comer e o que estou a dar aos meus filhos”, sublinhou.

Olhando para o número de pessoas com obesidade no nosso país, Joana Louro considera que “os médicos, decisores políticos, escolas e sociedades civis estão a falhar”.

Na sua perspetiva, esta conferência é “um passo para promover a literacia em saúde”, “porque juntos seremos poucos na prevenção da diabetes e da obesidade! E todos são mesmo todos – profissionais, sociedade civil, decisores políticos – nesta jornada; porque a saúde é um bem precioso, mas uma responsabilidade partilhada”, salientou. “Nós somos o que comemos, o que quisermos ser, o que sonharmos ser e o céu é o limite. O futuro começa agora!”, concluiu Joana Louro.

Número de comportamentos suicidas entre adolescentes nas Caldas é alarmante

Luísa Preto, chefe de Serviço de Pediatria do CHO, também alertou para o grande problema de obesidade nas crianças, revelando que é importante prevenir para que no futuro não “haja uma panóplia de patologias”.

Defende a necessidade de criar na criança hábitos saudáveis, no entanto, reconheceu a dificuldade de acompanhamento das crianças devido ao défice de médicos de família.

Achou também importante juntar a comunidade com os profissionais de saúde, sobretudo nesta fase de “alteração do Serviço Nacional de Saúde, para as pessoas se consciencializarem e aprenderem que talvez haja problemas que podemos resolver sem entupir os serviços de urgência”. Segundo Luísa Preto, 70% a 80% das situações que recorrem ao Serviço de Urgência “não são urgentes”.

Terá havido aumento das doenças respiratórias pós pandemia? A médica disse que sim e também houve um aumento da gravidade e do seu aparecimento antes da época habitual. “Em 2022, houve um aumento da circulação do vírus sincicial respiratório, uma causa muito comum de infeções respiratórias em bebés e crianças jovens”.

Segundo esta responsável, febre, infeções respiratórias, gastroenterites (vómitos, diarreia) e patologia da pele são as doenças mais frequentes na urgência pediátrica do hospital das Caldas. “Cerca de 80% a 90% das doenças das crianças são situações provocadas por vírus e a Covid ensinou que não têm tratamento específico e terá que ser o nosso organismo a ser capaz de debelar essa infeção”.

A chefe de Serviço de Pediatria do CHO disse que o aumento de comportamento suicida em jovens adolescentes é preocupante. “Há dez anos nós víamos isto”, salientou, referindo que em 2022 “transferimos 37 adolescentes para uma urgência de pedopsiquiatria, o que corresponde a um jovem em cada semana e meia”.

Fez um repto aos autarcas, profissionais de saúde, sociedade civil e escolas, para que “ajudem a diminuir estes números, que são muito preocupantes”.  

“É urgente a saúde mental no trabalho!”

“Estar aqui hoje neste tipo de conferência é um indicador de saúde mental, porque temos uma organização com participantes de áreas diferentes e representantes da sociedade civil e é aberto ao público”, começou por dizer Paula Carvalho, médica psiquiatra responsável pela clínica Opin – de psiquiatria e saúde mental nas Caldas. 

A psiquiatra define a saúde mental como o estado de bem-estar no qual a pessoa realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida e trabalhar de forma produtiva. Revela que na Europa as perturbações mentais são a principal causa de incapacidade.

Segundo Paula Carvalho, determinantes sociais da saúde estão relacionadas às condições em que uma pessoa vive e trabalha. Também podem ser considerados os fatores sociais, económicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais que influenciam a ocorrência de problemas de saúde mental e fatores de risco à população, tais como a habitação, alimentação, escolaridade e desigualdades sociais.

Esta responsável sublinhou que Portugal é o país europeu onde os trabalhadores se sentem mais insatisfeitos, revelando que a “gestão autoritária é uma organização produtora de doença”.

 “As pessoas sentem-se tratadas de forma descartável, mente-se, engana-se e manipula-se”, salientou, acrescentando que “é importante não prescindir do quinhão da escolha que temos”.

Quanto ao acompanhamento psicológico a uma pessoa como uma doença grave como o cancro, Paula Carvalho disse que “cada doente e cada família é um caso”. “Uma coisa é dar orientações e outra coisa é queremos enfiar as pessoas dentro nas nossas classificações e naquilo que achamos que está certo, porque há pessoas que precisam de falar e há outras que precisam de não falar, e, nós temos que ter a sensibilidade de perceber e tentar dar resposta em função da especificidade de cada um”, explicou. “A saúde mental é uma responsabilidade de cada um de vós na relação com vós próprios e na relação com os outros”, finalizou.

O evento foi moderado por Francisco Gomes, chefe de redação do Jornal das Caldas.  

Testemunhos

“Cuidados oncológicos devem incluir não só o doente como a sua família”

Célia Antunes, fundadora do Olha-te, uma associação que apoia pessoas com doenças oncológicas, contou que aos 30 anos lhe foi diagnosticado um cancro nos intestinos que a levou a estar nove meses ostomizada (com um saco para o intestino na barriga). Recordou que, na altura, sentia-se “feliz só por se conseguir levantar da cama”.

A doença e a realidade que viveu levaram-na a alterar a sua forma de estar e ver a vida. Concordou com a opinião de Paula Carvalho, pois “cada pessoa tem que ser vista como individual e não como um todo”.

Revelou que o pós-cancro também é muito difícil porque as pessoas estão “desajustadas do trabalho, da sociedade e dos amigos”, considerando que há “falta de apoio na transição”. Falou ainda do problema da “sexualidade e intimidade da pessoa com doença oncológica, que precisa de acompanhamento psicológico porque pode mudar a vida de muitas pessoas”. 

A arte, o acompanhamento psicológico e um grupo de pertença em que a pessoa se sinta confortável, confiante e protegida são as caraterísticas que a levaram a formar o Olha-Te. “A minha experiência como doente fez-me pensar do Olha-Te como um ginásio da mente”, contou. 

Vanda Silva Limpinho sofreu um linfoma e esteve mais de sete meses internada. Recebeu medula de um doador da Alemanha. Recordou que quando chegou a casa teve de “aprender a viver outra vez”. Elogiou o hospital onde esteve internada ao nível do tratamento, mas na área da saúde mental não teve qualquer acompanhamento, revelando que o psicólogo ia ao quarto uma vez por semana perguntar se estava tudo bem. “Não é suficiente porque há alturas muito difíceis onde precisamos de falar e também a minha filha, que na altura tinha seis anos, passou uma fase muito má”, contou. “Foi uma doença da família”, salientou, considerando que também “os pais, irmão, marido e filha estavam doentes e nunca tiveram qualquer apoio psicológico”.

Recordou que quando estava internada pediu um caderno e uma caneta para poder registar o turbilhão de emoções que estava a sentir naquele momento. Este caderno serviu de base para poder escrever o livro “Nunca atires a toalha ao chão”. O objetivo é inspirar outras pessoas que estejam a passar pelo mesmo, fazê-las ver que não estão sozinhas e que passo a passo é possível sair desta espiral de dor e voltar a ser feliz. A obra reverte na totalidade a favor da APCL – Associação Portuguesa Contra a Leucemia.

Na plateia, Manuela Simões, de Leiria, interveio e afirmou ser “uma sobrevivente de cancro”, destacando que é tão importante “o tratamento para a doença como é o acompanhamento da mulher que passa por um diagnóstico de cancro da mama”.

Relatou que era professora num colégio particular, quando recebeu a informação da doença e que foi abandonada pelos amigos. Falou ainda das dificuldades relativas à intimidade que surgem e como é difícil de superar. “Os doentes oncológicos não têm uma doença contagiosa”, é preciso mudar mentalidades, frisou.

Também do público presente, Élia Mendonça partilhou a sua experiência oncológica revelando que contou com o apoio de família e amigos, o que prova que “cada doente é um caso”.

Médica alerta para o aumento de AVC

No final houve tempo para algumas questões, o que suscitou um debate interessante. Joana Louro alertou para o aumento dos casos de acidente vascular cerebral (AVC) em pessoas de 50 e 60 anos. Há também um crescimento de patologias cardiovasculares. Alega que “a chuva imensa de AVC tem muito a ver com difícil acesso aos cuidados de saúde primários, à falta de médicos de família e falta de controlo dos fatores de risco cardiovasculares”.

Questionada sobre como se prepara a família de um doente oncológico, Paula Carvalho respondeu que “o serviço de saúde deveria ter uma ligação à área da saúde mental para se poder fazer uma triagem e perceber qual o plano que faz mais sentido desenhar para aquele doente e a sua família”. Revelou ainda que há “instituições e organizações, como a associação Olha-te, que se organizam para responder a falhas que há no apoio psicológico”.

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Pequeno auditório do CCC cheio numa quinta-feira à tarde (Foto Pedro Almeida)
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