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Central solar vai beneficiar empresas e famílias com energia mais acessível

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A AIRO – Associação Empresarial da Região Oeste e a EDP assinaram no passado dia 18, nas Caldas da Rainha, um protocolo para a criação da Comunidade de Autoconsumo Coletivo das Caldas, que vai beneficiar com energia mais acessível cerca de 250 empresas e famílias da cidade. Esta é “a primeira comunidade de muitas que […]
O evento “Energia - Desafios e Oportunidades para 2023” reuniu cerca de 250 empresários no CCC

A AIRO – Associação Empresarial da Região Oeste e a EDP assinaram no passado dia 18, nas Caldas da Rainha, um protocolo para a criação da Comunidade de Autoconsumo Coletivo das Caldas, que vai beneficiar com energia mais acessível cerca de 250 empresas e famílias da cidade.

Esta é “a primeira comunidade de muitas que a AIRO deseja implementar”, revelou Jorge Barosa, na sessão de abertura da conferência “Energia – Desafios e Oportunidades para 2023” que decorreu na passada quarta-feira, no CCC – Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha.

Foi neste encontro que reuniu no grande auditório do CCC cerca de 250 empresários que foi lançada a plataforma “AIRO Comunidade” (//comunidades.airo.pt), uma ferramenta online que vai disponibilizar às empresas soluções sobre energia, matérias-primas, telecomunicações e recursos humanos, propondo-se negociar, em conjunto com empresas parceiras, condições contratuais mais vantajosas para os seus associados.

Tem como objetivo promover a realização de compras conjuntas de eletricidade, descontos e oportunidades nos combustíveis fósseis e ainda soluções autoconsumo individual.

“É um site à medida das empresas, com ofertas que serão publicadas online, de forma periódica, com protocolos que temos e que iremos continuar a fazer para conseguir preços competitivos e justos em energia, matérias-primas, no mercado das telecomunicações e também para o recrutamento de recursos humanos”, explicou Sérgio Félix, secretário-geral da AIRO.

Na plataforma está disponível um formulário onde os empresários podem colocar os dados da empresa “e terão acesso às oportunidades e pacotes de vantagens dos parceiros da AIRO”.

“Em comunidade conseguimos ter aqui um conjunto de vantagens para os nossos associados e para a região Oeste, que é o foco da AIRO”, salientou Sérgio Félix. 

Os combustíveis fósseis é uma preocupação da AIRO “porque os custos aumentaram e existe uma instabilidade nos preços”.

Para já a oferta disponível na plataforma é um desconto de dez cêntimos por litro em todos os postos Alves Bandeira e Repsol.

Para compras em grandes quantidades ou outras especificidades a AIRO está a trabalhar com um conjunto de empresas da região e a nível nacional de forma a criar as melhores ofertas nesta área.

Uma das soluções para as empresas com grandes necessidades de consumo de energia e telhado disponível é o autoconsumo individual.

Na nova plataforma da AIRO existem várias opções onde se poderá optar por fazer investimentos diretos em soluções de autoconsumo ou procurar parceiro para fazer a instalação fotovoltaica sem custo para a empresa (empresa compra a energia produzida). 

Segundo Sérgio Félix, a vantagem para o associado da AIRO é que “identificamos empresas credíveis e sólidas para consulta e pré-negociamos melhores condições”.

Outro objetivo do site é compras conjuntas de eletricidade. Uma solução é mensalmente serem disponibilizados os melhores preços para consulta dos associados. A segunda solução é a procura conjunta, junto dos comercializadores, do melhor preço para a energia.

“O que pretendemos fazer é juntar todas as empresas associadas da região Oeste para podermos chegar a um comercializador, como por exemplo à EDP ou a outro, e dizer que temos 50 empresas e é uma preocupação nossa conseguir negociar, o que também é bom para o comercializador que tem garantido um conjunto de clientes”, explicou o secretário-geral da AIRO.

Esta medida proporciona um “preço idêntico, estabilizado e mais justo para todas as empresas”.

Quanto aos preços da energia a AIRO fez uma parceria com a empresa Master Vantagem. Segundo o fundador e CEO, João Pereira, “estamos a iniciar um trabalho de recolha de informação, aplicando o princípio da lei da oferta (comercializadores) e da procura (consumidores), com a vantagem da agregação, consultando as ações de compra e venda entre os negociadores com segurança e transparência”.

A associação empresarial estabeleceu também um protocolo com a Alves Bandeira (postos de abastecimento e cartões frota) e a empresa UTIS, que reforça a sua posição na otimização dos processos de combustão e na produção de hidrogénio.

No encontro, Luís Ventura, administrador da Alferpac – Eletricidade, Projeto e Construção, deu alguns exemplos de onde e como se pode melhorar a eficiência energética.

Comunidade da Rainha arranca em novembro

Margarida Correia Pires (responsável do Desenvolvimento de Negócios da EDP Comercial), destacou as “Comunidades de Energia”, com apresentação detalhada do conceito e do projeto ‘Comunidade de Autoconsumo Coletivo da Rainha’, que foi formalizado oficialmente com a assinatura do protocolo, criando assim um Bairro Solar e fornecendo esta energia a negócios vizinhos.

Referiu que a EDP “vai instalar uma central solar com cerca de 1 MWp (megawatt-pico) e mais de 1.800 painéis solares” para servir cerca de 200 empresas e entre 35 a 50 famílias carenciadas (identificadas e indicadas pela autarquia), que poderão “beneficiar de descontos entre 35% a 50% no preço mensal da sua energia”.

Segundo Margarida Correia Pires, no mês de fevereiro será feita a submissão do pedido de licenciamento à Direção Geral de Energia e Geologia, e espera até junho obter os pareceres positivos. Em julho a EDP irá proceder à instalação da central fotovoltaica e espera o início da operação da comunidade em novembro deste ano.

As condições garantidas são estabilidade de preço, sem fidelização, preço de 0,04254 Euros/KWh para média tensão e 0,09211 euros /KWh para baixa tensão.

O secretário-geral da AIRO disse que “estão já inscritas 164 empresas associadas” e como a primeira fase está sobrelotada as empresas podem fazer a inscrição na nova plataforma para a 2ª fase do projeto.

“Primeira comunidade de muitas”

A abertura dos trabalhos pertenceu a Jorge Barosa, presidente da direção da AIRO, revelando que os custos de energia são hoje uma das “principais preocupações das empresas, com uma previsão de aumento anual escalável acima da capacidade de pagamento das mesmas”.

É para Jorge Barosa “essencial que os nossos empresários se destaquem” e para isso foram desenvolvidas “soluções inovadoras e bastante competitivas querendo afirmar o Oeste como uma referência nacional”.

Quanto às soluções para as empresas associadas, destacou a implementação da “maior comunidade de autoconsumo coletivo em Portugal”, a “comunidade da Rainha, com um modelo de negócio completamente desenhado pela AIRO”.

“É um projeto inovador a nível nacional e talvez europeu por ser a primeira solução dirigida na sua maioria a micro e pequenas empresas e onde o setor social não foi esquecido”, referiu.

O projeto visa responder ao “problema dos comerciantes do centro da cidade, que não têm soluções competitivas a nível energético, porque em determinadas zonas dos centros históricos não é possível a colocação de painéis solares ou os telhados, pela sua dimensão ou orientação solar, não o permitem”, explicou o presidente da AIRO.

A comunidade de energia é apoiada pelo município das Caldas da Rainha, através da cedência de terreno rústico, de 11.000m2, na zona dos Texugos, por um período de 25 anos.

Esta é “a primeira comunidade de muitas que a AIRO deseja implementar”, afirmou Jorge Barosa, adiantando que a associação “está em negociações avançadas com os municípios de Alcobaça, Óbidos, Lourinhã e Cadaval, esperando que todos os restantes municípios da região Oeste adiram rapidamente ao projeto”.

Município caldense quer eficiência na gestão energética

O presidente da Câmara das Caldas, Vitor Marques, salientou que “cabe aos agentes locais verem as melhores oportunidades”, e por isso, a importância de projetos integrados – como por exemplo, entre as áreas dos edifícios, a produção renovável, a mobilidade elétrica, ou a ligação com gases renováveis e o hidrogénio. São áreas de intervenção que o Município das Caldas da Rainha tem vindo a trazer à colação e que dinamizou com esta parceria com a AIRO, na criação de uma “Comunidade de Energia Renovável”.

Segundo o autarca, a atual crise energética tem contribuído para impulsionar iniciativas no sentido de potenciar novas “atividades e atores no domínio energético – não sendo as entidades públicas, nomeadamente os Municípios, uma exceção a esta realidade – garantindo maior independência do exterior e de fatores exógenos, bem como de combustíveis fósseis”.

Foi isso que norteou o Município das Caldas, ao pretender promover a “eficiência na gestão energética, monitorizar e maximizar o aproveitamento das fontes de energia autóctones e renováveis e otimizar as condições de fornecimento de energia, a nível rural e urbano, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do concelho”.

No que diz respeito às comunidades de energia, Pedro Folgado, presidente da Comunidade Intermunicipal do Oeste, alertou que a palavra “renovável pode fazer toda a diferença nestes processos, nomeadamente de candidaturas a fundos quer nacionais quer europeus”. “Enquanto autarcas nós somos abordados por muitas empresas que olham para o nosso território e consideram que há uma oportunidade de montarmos uma comunidade de energia, mas a questão é montar uma comunidade de energia renovável que pode fazer a diferença”, referiu, considerando que é “importante que haja este esclarecimento mais jurídico e técnico”.

A Secretária de Estado da Energia e Clima, Ana Fontoura Gouveia, não compareceu porque teve de estar presente numa reunião agendada com urgência em Bruxelas.

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Assinatura do protocolo entre a EDP e a AIRO para a criação do “bairro solar” nas Caldas da Rainha
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