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Grávida da região Oeste encaminhada para hospital sem urgência obstétrica a funcionar

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Uma grávida de Torres Vedras, de 33 semanas de gestação, foi obrigada a percorrer na madrugada do passado domingo mais de 200 quilómetros numa ambulância até chegar ao Hospital Distrital de Santarém, onde acabou por ser internada. Como o hospital das Caldas da Rainha tinha a urgência de obstetrícia fechada, o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), no âmbito do plano de partilha de recursos determinado para a região de Lisboa e Vale do Tejo, deveria ter encaminhado logo a grávida para Santarém, mas inicialmente foi até ao Hospital de Abrantes.

Uma grávida de Torres Vedras, de 33 semanas de gestação, foi obrigada a percorrer na madrugada do passado domingo mais de 200 quilómetros numa ambulância até chegar ao Hospital Distrital de Santarém, onde acabou por ser internada. Como o hospital das Caldas da Rainha tinha a urgência de obstetrícia fechada, o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), no âmbito do plano de partilha de recursos determinado para a região de Lisboa e Vale do Tejo, deveria ter encaminhado logo a grávida para Santarém, mas inicialmente foi até ao Hospital de Abrantes.

Os bombeiros foram chamados, pelas 01h55, à localidade de Vila Facaia, na freguesia do Ramalhal, em Torres Vedras, para socorrer a grávida, de 41 anos, devido a rutura da bolsa.

O INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), em comunicado, admitiu que “num primeiro momento, por lapso do CODU”, a grávida foi orientada para o Hospital de Abrantes, mas “a situação foi prontamente corrigida e, após uma primeira observação na unidade de Abrantes e reunidas as condições de segurança, a senhora foi então conduzida para a maternidade do Hospital de Santarém”.

Pese embora o desfecho feliz, a situação podia não ter corrido bem, pela demora no atendimento provocada pela distância maior a percorrer. Realizou 141 quilómetros até Abrantes e depois mais 80 até Santarém, quando podia ter feito 81 quilómetros a partir de Torres Vedras até Santarém, ou seja, foram efetuados mais 141 quilómetros desnecessariamente. Ainda assim, se o hospital das Caldas da Rainha estivesse com a urgência de obstetrícia aberta, a distância seria bem menor – 37 quilómetros.

“As circunstâncias que motivaram o lapso no CODU estão a ser apuradas e foram corrigidos os procedimentos para que não se venha a repetir uma situação similar”, garante o INEM na mesma nota informativa.

“A senhora e o bebé em gestação estão bem e a gravidez está a ser acompanhada em regime de internamento”, assegurou o INEM.

A Comissão Cívica de Utentes do CHO já lamentou que, por não haver médicos, as grávidas sejam obrigadas a fazer percursos que colocam em risco as suas vidas e as dos bebés.

Serviços de hospitais funcionam em rotatividade

O fim de semana passado foi mais um complicado para grávidas residentes na área abrangida por vários hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo. A falta de médicos obriga ao cumprimento da deliberação da direção executiva do Serviço Nacional de Saúde referente ao fecho rotativo das maternidades.

O bloco de partos do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), no Hospital de Abrantes, encontrava-se encerrado, só se prevendo a sua reabertura na segunda-feira, às 09h00. A urgência de obstetrícia e ginecologia também sofreu constrangimentos, fechando as portas às 21h00 de 13 de janeiro, reabrindo em conjunto com o bloco de partos na segunda-feira.

O reencaminhamento das utentes estava previsto para o Hospital Distrital de Santarém (HDS), dado que a unidade das Caldas da Rainha do Centro Hospitalar do Oeste (CHO) teve também o bloco de partos e serviço de obstetrícia e ginecologia encerrados.

O CHO, o CHMT e o HDS passaram a partilhar recursos no sentido de garantir o funcionamento rotativo dos respetivos serviços de urgência de ginecologia e obstetrícia, blocos de partos e unidades de neonatologia. O despacho de 19 de dezembro assinado pelo diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde, Fernando Araújo, determina que na região de Lisboa e Vale do Tejo passam a haver três grupos de hospitais a cooperar entre si e a partilhar recursos para as urgências de obstetrícia e blocos de partos, funcionando de forma rotativa, num reforço do trabalho “em rede” para colmatar a falta de profissionais nas escalas de urgência.

No primeiro grupo estão o CHO (Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras), o CHMT (Abrantes, Tomar e Torres Novas) e o HDS, que têm de garantir o acesso a pelo menos um serviço de urgência de ginecologia e obstetrícia, para “evitar constrangimentos com consequências imprevisíveis no atendimento às grávidas e recém-nascidos”.

Já na época natalícia as três instituições mobilizaram recursos no sentido de assegurar a operação entre os dias 23 e 26 de dezembro e entre 30 de dezembro e 1 de janeiro, levando a que na prática os serviços de urgência de ginecologia e obstetrícia e o bloco de partos do CHO estivessem fechados vários dias.

Durante o primeiro trimestre de 2023 a situação não será muito diferente e foi definido um modelo de funcionamento. Durante os fins-de-semana, o serviço de urgência de ginecologia e obstetrícia do HDS alterna o acesso com o CHO e o CHMT.

No nível 1 não são admitidas novas parturientes, estando por isso o bloco de partos encerrado para o exterior, mas mantém apoio a parturientes já internadas, cesarianas eletivas e induções do trabalho de parto, bem como episódios de urgência de ginecologia.

No nível 3, o bloco de partos e o serviço de urgência de ginecologia/obstetrícia estão encerrados, apenas se mantendo o apoio aos internamentos e apoio de emergência ao serviço de urgência geral. Nestes casos, tal como definido pela Comissão de Acompanhamento da Resposta em Urgência de Ginecologia/Obstetrícia e Bloco de Partos, será apenas necessária a presença física de um médico especialista em ginecologia/obstetrícia, garantida a disponibilidade em presença física de um especialista de cirurgia para situações de emergência.

Nesse sentido, no fim-de-semana em que o serviço de urgência de ginecologia e obstetrícia do HDS funciona de forma regular, o CHO e o CHMT funcionarão no nível 1, entre as 8h e as 20h de sexta-feira e no nível 3 das 20h de sexta-feira até às 08h de segunda-feira.

No fim-de-semana seguinte, o sistema inverte-se, funcionando de forma regular os serviços de urgência de ginecologia e obstetrícia do CHO e do CHMT, sendo que o HDS funciona no nível 1 entre as 8h e as 20h de sexta-feira e o nível 3 das 20h de sexta-feira até às 08h de segunda-feira.

Os resultados deste plano estratégico serão avaliados pela direção executiva do SNS.

No âmbito deste plano há também uma abordagem integrada com os serviços/unidades de neonatologia, na defesa da qualidade da resposta e da segurança dos recém-nascidos.

De acordo com o estipulado, o INEM “deve estar em regime de prontidão, com uma atenção especial aos locais que estejam em nível de contingência, disponibilizando os meios de emergência médica pré-hospitalar que possibilitem apoio de emergência e/ou encaminhamento de forma segura e adequada”. Por outro lado, “deve desenvolver, de forma urgente, um sistema de partilha de informação no que concerne à disponibilização de vagas nos serviços/unidades de neonatologia, em articulação com o transporte inter-hospitalar pediátrico, para garantir respostas consistentes nos cuidados aos recém-nascidos”.

O CHO, o CHMT e o HDS, em articulação com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, o INEM, o SNS24 – Centro de Contacto do Serviço Nacional de Saúde, o Portal do SNS, as corporações de bombeiros, os agrupamentos de centros de saúde e as autarquias da área de influência daqueles hospitais, devem disponibilizar “informação atempada à população sobre o funcionamento dos serviços de urgência de ginecologia e obstetrícia destas instituições hospitalares”.

Das Caldas para Santarém

Como o JORNAL DAS CALDAS noticiou, também no início deste ano, em vez de seis quilómetros, uma grávida residente na aldeia de Salir de Matos, nas Caldas da Rainha, teve de percorrer sessenta quilómetros até ao hospital de Santarém, porque o bloco de partos do hospital caldense se encontrava fechado na noite da passagem de ano.

Valentina Kovalenko, de 36 anos, de nacionalidade ucraniana e há dez anos a viver em Portugal, ainda festejou em casa a chegada de 2023, mas pouco depois começaram as contrações e rebentaram-se as águas da bolsa que envolvia o seu primeiro bebé. Os bombeiros tiveram de ser chamados pelas 02h28 da madrugada para levá-la e à mãe de ambulância, enquanto o padrasto foi noutro carro até ao hospital.

“Nós queríamos que ela fosse para o hospital das Caldas da Rainha e ficámos admirados quando nos disseram que estava fechado”, contou Helder Sousa, padrasto da grávida, que é surda-muda e repositora de supermercado em Lisboa.

“Correu bem, mas podia ter corrido mal, porque já se têm visto crianças a morrerem pela demora a chegar aos hospitais”, manifestou. Melissa Valentina nasceria às 11h09 de 1 de janeiro, com 2,060 quilogramas.

A distância não deixou de causar um “grande transtorno”: Helder Sousa quando regressava do hospital despistou-se com o carro onde seguia sozinho e embateu numa árvore, em Ribeira de Crastos, nas Caldas da Rainha, destruindo a viatura. “Foi o sono. Se fosse mais perto não tinha acontecido”, lamentou.

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