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Vigília junto ao Centro de Saúde contra “noitadas” para marcar consultas

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Os utentes do Centro de Saúde do Cadaval são obrigados a fazer “noitadas” à porta da unidade de saúde para conseguiremter uma consulta na manhã seguinte. A situação está a revoltar a população, que no passado sábado realizou uma vigília deprotesto. Quem não tem médico de família só tem consulta ao sábado. João Libório, de […]
A população está revoltada e a CDU organizou uma vigília

Os utentes do Centro de Saúde do Cadaval são obrigados a fazer “noitadas” à porta da unidade de saúde para conseguirem
ter uma consulta na manhã seguinte. A situação está a revoltar a população, que no passado sábado realizou uma vigília de
protesto.

Quem não tem médico de família só tem consulta ao sábado. João Libório, de 75 anos, passou doze horas dentro do carro à
entrada do Centro de Saúde do Cadaval para marcar vez e conseguir uma consulta para mostrar exames. “Vim às 22h10 e já
tinha duas pessoas à minha frente. Enrolei-me nos casacos”, contou.
Carlos Garcia chegou às onze da noite para obter uma consulta para fazer um exame de cardiologia. Com uma manta para
aguentar o frio, conseguiu uma das 24 vagas disponíveis quando o Centro de Saúde abriu, no dia seguinte, às oito da manhã.
“Sou natural do concelho mas mudei-me para Caldas da Rainha porque aqui não há condições para nada. Estou a morar nas
Caldas e só estou à espera da transferência da documentação”, revelou, sublinhando estar “revoltado”.
Daisy Mercier estava preocupada com a filha de dois anos, que estava adoentada, e o melhor que conseguiu para dizerem-lhe
para tentar ir ao hospital, a algumas dezenas de quilómetros de distância, sendo mais um caso para entupir as urgências.
“Sou de uma aldeia do Cadaval e cheguei às nove da manhã com a minha filha. Eram 24 vagas que estavam completas e fui
informada que só na segunda-feira é que havia, ou então tinha de me deslocar ao hospital das Caldas da Rainha ou de Torres
Vedras para ter um auxílio médico”, relatou.
“É incompreensível porque as crianças e idosos deveriam ter prioridade. Agora vou ter de ir às urgências do hospital e chegarei
lá e estão cheias. E estão lotadas porque não temos auxílio no nosso centro de saúde”, manifestou.
Estes foram os motivos, mais do que suficientes, para a realização de uma vigília de protesto, organizada pela CDU do
Cadaval. “É importante que o ministro perceba que as soluções que ele apresenta na televisão não batem certo com a
realidade. Se uma pessoa estiver aflita não pode vir ao Centro de Saúde porque não tem consulta”, lamentou Ricardo Miguel,
responsável daquele partido.
O problema é também denunciado por outras forças partidárias. A Comissão Política do PSD Cadaval enviou ao Ministro da
Saúde um abaixo-assinado recolhido pelo concelho, a exigir respostas urgentes para a “situação dramática de falta de
consultas que coloca em causa a saúde dos cadavalenses”.
O assunto também já mereceu uma moção da Assembleia Municipal, em junho, enviada ao ministro. No documento referia-se
que os utentes eram obrigados “a longas esperas de madrugada para conseguir consultas no próprio dia” e, para as consultas
programadas, esperavam “meses entre a data da marcação e a sua efetiva realização”.
O presidente da Câmara, José Bernardo Nunes, que esteve presente na vigília, considera a situação intolerável. “É
inadmissível que uma população com 14 mil habitantes tenha dois médicos no ativo. O Centro de Saúde tem sete vagas, mas
três estão por ocupar e das quatro ocupadas dois estão frequentemente em falta e os dois que ficam também têm que gozar
férias”, referiu.
“São dois meses para tirar uma receita, seis meses ou mais para ter um exame. Quem tem necessidade de atestado médico
não consegue apresentar a tempo. No sábado de manhã é o dia que há para terem consultas e têm de vir na véspera e
passam aqui a noite inteira”, sublinhou o autarca, para quem “não se vislumbra nenhuma situação que vá resolver este
problema”. “Há que criar condições para fixar mais médicos no Serviço Nacional de Saúde”, exortou, para preencher as vagas
em falta, de forma a travar a degradação da prestação dos cuidados de saúde.
Quase metade da população do concelho não tem médico de família.

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