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Grandes músicos abrilhantaram concerto solidário

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O concerto solidário com o trio de Pedro Caldeira Cabral e o maestro António Victorino d’Almeida, realizado a 8 de outubro no CCC - Centro Cultural e de Congressos de Caldas da Rainha, numa organização do Lions Clube caldense, conseguiu angariar 3.880 euros (bilheteira 2.480 euros, donativos da tômbola 400 euros e de empresário 1.000 euros), cuja receita reverte para a aquisição de um ecógrafo necessário à pediatria do Hospital das Caldas, unidade do Centro Hospitalar do Oeste (CHO).
- Concerto solidário organizado pelo Lions Clube das Caldas (foto município das Caldas)

O concerto solidário com o trio de Pedro Caldeira Cabral e o maestro António Victorino d’Almeida, realizado a 8 de outubro no CCC – Centro Cultural e de Congressos de Caldas da Rainha, numa organização do Lions Clube caldense, conseguiu angariar 3.880 euros (bilheteira 2.480 euros, donativos da tômbola 400 euros e de empresário 1.000 euros), cuja receita reverte para a aquisição de um ecógrafo necessário à pediatria do Hospital das Caldas, unidade do Centro Hospitalar do Oeste (CHO).

Cerca de 300 pessoas assistiram a uma noite memorável de música. Neste concerto, Pedro Caldeira Cabral assumiu a cítara portuguesa e apresentou-se com o obidense, Joaquim António Silva na guitarra clássica e com Duncan Fox no contrabaixo, músicos que o acompanharam na valorização de géneros musicais tão variados como a música popular ou o fado. 

Encantaram o público com “O Fado da Cítara Portuguesa”, uma viagem pelo “destino da Cítara Portuguesa, um instrumento com história desde o século XVI em Portugal e que a certa altura por razões várias é desvalorizada socialmente e associa-se a grupo de utilizadores marginais da cidade de Lisboa e depois é recuperado pela burguesia e até pela aristocracia”. “Ao contrário do que acontece com o reportório do fado tradicional, que é simplesmente de transmissão oral, aqui tocámos manuscritos musicais que fui encontrando por bibliotecas, alfarrabistas e feiras de velharias por todo o país, muitas de autor desconhecido do século XVIII até ao início século XX”, disse Pedro Caldeira Cabral.

“Fofa da Rozinha”, de António Vieira dos Santos (1784-1854), “Bailados do Minho”, de Anthero da Veiga (1866-1969), “Variações em mi menor”, de Artur Paredes (1899-1980), e ”Balada da Oliveira”, de Pedro Caldeira Cabral, foram alguns dos temas que o trio tocou.

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Os músicos Joaquim António Silva, Pedro Caldeira Cabral e Duncan Fox

Segundo Pedro Caldeira Cabral, na primeira secção deste espetáculo ouviram-se “os ecos do passado” com as peças de raiz popular e erudita que “nos legaram as fontes escritas do século XIX”. Com o intenso intercâmbio musical urbano resultante das migrações portuguesas para o Brasil formaram o reportório da segunda secção “a viagem da cítara”, “dada a atualidade desta memória do período de transição do século XIX para o século XX no Portugal multicultural de hoje”.

Fecharam o concerto com um conjunto de peças de autores consagrados e algumas das composições originais que Pedro Caldeira Cabral escreveu para a cítara portuguesa atual. À música, o trio juntou um conjunto de imagens de várias épocas “do instrumento tocado em contextos diferentes”. A primeira imagem retrata um pintor do século XVIII, Morgado de Setúbal, e que tinha um empregado que também era “citarista”. 

Improviso de António Victorino d’Almeida

Depois de um intervalo de quinze minutos, acontece o improviso magistral de António Victorino d’Almeida.

Antes de tocar referiu-se à “Balada da Oliveira”, de Pedro Caldeira Cabral, para falar da guerra da Ucrânia, sugerindo que todos enviassem para Moscovo um “ramo de oliveira”, mas como há “menos oliveiras do que pessoas contra a guerra” passava a mensagem que a “paz é muito mais forte do que a guerra”. “E como esta guerra que estamos a viver é tão absurda e horrível com as ameaças que são reais”, o maestro lembrou-se de uma visita ao Museu do Prado onde viu os “Desastres da Guerra”, uma série de 82 gravuras do pintor espanhol Francisco de Goya que representam a “vergonha das lutas”. Portanto, tocou uma peça que compôs há cerca de 40 anos intitulada Desastres da Guerra”.

O final foi com chave de ouro, com o célebre compositor e o trio Pedro Caldeira Cabral a interpretar um espetáculo inédito de improvisação. 

“Dia feliz para o SNS”

Numa cerimónia muito breve que precedeu o concerto, a presidente do conselho de administração do CHO, Elsa Baião, recordou as dificuldades do Serviço Nacional de Saúde (SNS), havendo “dias felizes e este é de facto um deles, organizado pelo Lions Clube das Caldas, que mostra a capacidade e determinação da sociedade civil para colaborar, neste caso com o serviço de pediatria”.

Destacou que a iniciativa irá contribuir para reforçar os meios e a “capacidade de resposta, numa fase onde as necessidades são imensas e onde o desenvolvimento tecnológico é mais exigente”. 

Segundo Elsa Baião, este “gesto solidário tem um impacto muito positivo nas nossas equipas porque mostra que a comunidade está do nosso lado”.

Recordou que o serviço de pediatria serve milhares de crianças do Oeste e presta um serviço de “excelência” muito vocacionado para a “qualidade dos cuidados e para a inovação” e que tem sido “muito bem liderado nos últimos anos pela Dra. Luísa Preto e a enfermeira chefe, Helena Lindinho”. “Não há qualidade sem quantidade”, salientou a responsável, revelando que nos últimos dez anos o serviço de pediatria realizou 106.738 consultas, internou cerca de 8 mil crianças (três mil na Neonatologia) e atendeu na urgência 270.484 utentes.

O presidente da Câmara das Caldas transmitiu o orgulho e satisfação de estar “aqui hoje nesta bela sala a manifestar a nossa solidariedade para com o hospital e serviço de pediatria”.

Vitor Marques disse que o município se juntou a esta iniciativa do Lions Clube das Caldas como forma de “homenagear os nossos profissionais de saúde, que têm feito um trabalho excecional e como forma de proporcionar as melhores condições às nossas crianças e jovens”.

O presidente do Lions Clube das Caldas da Rainha, Rui Vieira, agradeceu “aos músicos que atuaram graciosamente, à Câmara das Caldas que cedeu o grande auditório para o espetáculo e ao público que se deslocou ao CCC”. Revelou que os lions clubes têm como objetivo ajudar as comunidades locais na “missão de melhorar a saúde e o bem-estar”, referindo que as causas globais da Associação Internacional de Lions Clubes são a diabetes, a visão, a fome, o meio ambiente e o cancro infantil.

Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS, Pedro Caldeira Cabral e o maestro António Victorino d’Almeida disseram que já participaram em vários concertos solidários. Ambos os artistas têm ligações às Caldas da Rainha, nomeadamente à antiga Casa da Cultura. Referiram que “em Portugal cada vez há melhores jovens intérpretes que são muito mal aproveitados”. “Os nossos músicos vão para as orquestras internacionais porque aqui não têm projeção”, contou o maestro.

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António Victorino d’Almeida apelou à paz
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