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“Nadador-salvador deve ser profissão o ano inteiro”

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A Oeste Rescue – Associação de Nadadores Salvadores está desde 10 de junho, início da época balnear na praia da Foz do Arelho no concelho das Caldas da Rainha com dez nadadores salvadores a cumprir a sua missão de prevenção e salvamento dos banhistas.“Salvar vidas na praia exige a robustez psíquica e física”, diz, o […]
Catarina Carvalho e Luís Vieira adoram a profissão

A Oeste Rescue – Associação de Nadadores Salvadores está desde 10 de junho, início da época balnear na praia da Foz do Arelho no concelho das Caldas da Rainha com dez nadadores salvadores a cumprir a sua missão de prevenção e salvamento dos banhistas.
“Salvar vidas na praia exige a robustez psíquica e física”, diz, o formador, Luís Vieira que é fundador e presidente da Associação Oeste Rescue.

O mar esconde riscos que somente podem ser identificados pelo banhista por meio das bandeiras de sinalização distribuídas na areia pelos nadadores salvadores indicando os pontos seguros para o banho.

No passado dia 4 de agosto, a praia da Foz do Arelho estava com a bandeira amarela e no espaço de uma hora houve cerca de 4 resgates. A caldense Maria Gonçalves foi uma das pessoas resgatadas. Estava com filha de 11 anos com água pela cintura quando foram arrastadas por uma onda. “Ao passar a onda, fomos arrastadas para dentro do mar sem nos apercebemos”, relatou a vítima que manteve sempre a calma para conseguir ajudar a filha de 11 anos. “Quando reparei, estávamos a metros do areal e sem pé. Disse à minha filha para nadar e empurrei-a, até que um estrangeiro a ajudou a sair e eu pedi ajuda, porque a corrente era muito forte e estava a afastar-me ainda mais”, contou.
Na sequência do pedido de auxílio por parte da vítima, deslocou-se de imediato para o local um nadador-salvador que a trouxe para o areal com o apoio de uma boia. “Eu agarrei a boia e o salva-vidas empurrou-me com uma força brutal”, adiantou.
A caldense foi transportada para terra, estava bem fisicamente, pelo que não precisou de assistência médica.

Oeste Rescue coordena 61 nadadores-salvadores

A Oeste Rescue Associação de Nadadores Salvadores faz todos os dias de manhã a distribuição dos 61 nadadores-salvadores pelas praias do Oeste que estão a seu cargo. Além da praia da Foz do Arelho, as praias de São Martinho do Porto, Supertubos (Peniche), Areia Branca (Lourinhã) todas as praias de Santa Cruz (Torres Vedras), a piscina de Salir do Porto (Caldas da Rainha) e, ainda, o projeto praia segura, que é uma carrinha que faz a vigilância a praias não vigiadas.
A esfera da ação da Oeste Rescue é a nível nacional, mas a maior incidência é na capitania da Nazaré e de Peniche. São estas as zonas vigiadas por este grupo de trabalho, com o apoio dos respetivos municípios.
Em vez de serem os concessionários a gerir os postos de vigilância, é a própria associação que tem essa tarefa, em relação aos recursos humanos. “Desta forma há a garantia de que a equipa de nadadores-salvadores em cada um dos postos está apenas encarregada e preparada da sua missão de prevenção e salvamento e os concessionários podem-se dedicar somente à restauração, área em que têm mais conhecimento”, disse, ao JORNAL DAS CALDAS, Luís Vieira, fundador e presidente da Associação Oeste Rescue e ainda formador da Escola da Autoridade Marítima do Núcleo de Formação do Instituto de Sports Náuticos.
O responsável que também é o fundador e diretor técnico da Escola de Formação Profissional de Nadadores da Oeste Rescue. Este revelou que, depois do final da época balnear no Oeste de 11 a 18 de setembro, há nadadores da associação que vão vigiar praias do Algarve até 30 de outubro. Tiveram ainda este ano nadadores-salvadores no Chipre, e agora com o Mundial 2022, no Qatar, foi-lhes solicitado 20 salva-vidas.
Este ano estão também a fazer os salvamentos na praia do Bom Sucesso, atravessando a aberta para o outro lado quando necessário.
A praia da Foz do Arelho é considerada como uma das mais complicadas de vigiar. O mar é traiçoeiro, por vezes com ondas fortes e agueiros, e são frequentadas por algumas pessoas que “não respeitam as indicações”, diz, o presidente da Oeste Rescue.
Os maiores problemas são segundo este responsável as correntes ou agueiros onde os banhistas são levados “muito facilmente na corrente”.
“Temos feito palestras e vamos às escolas porque os alunos levam a informação para os outros membros da família em casa”, contou.
Luís Vieira diz que os banhistas têm falta de conhecimento das regras ou boas condutas de ida à praia. “Há pessoas que ainda não sabem a sinalética das zonas de banho, pensam que são as bandeiras espanholas. Os frequentadores de praia procuram zonas onde não há rebentação que é onde estão os agueiros”, relatou, revelando que este ano têm disponibilizados no areal dezassete sinais de informação de perigosidade.
O formador de nadadores-salvadores falou também dos perigos da Lagoa, “a maior de água salgada da Europa que durante 6 horas está a vazar ou está a encher o que vai provocar correntes paralelas, remoinhos e correntes súbitas”. Referiu que a zona das chapas tem imensos fundões. “As pessoas são curiosas, tentam atravessar para o outro lado da lagoa e a maré começa a encher e ficam lá no meio e têm que ser resgatados”, disse, adiantado que no fim-de-semana têm “um fortíssimo apoio dos Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha que disponibilizam nadadores salvadores que foram formados por nós e que têm uma mota de água com alguma potência”.

80% das pessoas resgatadas na praia da Foz do Arelho são do sexo masculino

É quando está a bandeira amarela que os nadadores salvadores fazem mais intervenções. “A bandeira vermelha, hoje é proibitiva, e há coima para quem não cumpre. A amarela diz que as pessoas se podem banhar e não é atendido porque pensam que está quase verde e vão lá para dentro e é nestas alturas que as pessoas excedem”.
Segundo o responsável, há um rácio entre os 18 e 30 anos que são as pessoas que mais resgatamos e 80% são do sexo masculino. Para o presidente da associação, Portugal ainda não tem uma cultura “informada em matérias de salvamento”.
Quanto à Praia de São Martinho o responsável diz que serve famílias e que o maior problema é as crianças que se perdem.
Luís Filipe Vieira destacou o bom relacionamento com o município das Caldas da Rainha que tem abraçado positivamente as matérias de salvamento e os nadadores-salvadores. “Eles é que nos disponibilizam o equipamento físico, sala de formação, gabinetes, para a formação dos salva-vidas”, contou.
Para a Oeste Rescue não foi difícil arranjar nadadores-salvadores porque trabalha paralelamente com uma escola de formação que fundou em 2018 e onde já formou cerca de 400 profissionais.
A associação com 8 anos de existência e 152 associados tem o seu reconhecido mérito. Este ano fizeram formação a cerca de 50 alunos.

Quer ser nadador salvador? Salários nunca são menos de 900 euros

Para ingressar no curso de nadador-salvador precisa de ter o 12º ano completo e mais de 18 anos. Depois terá de passar num exame que contém algumas provas físicas. A vertente prática é fundamental e para isso é necessário ser fisicamente bem constituído e ter boas aptidões mentais.
Segundo o formador, tem que ter “capacidade psíquica, robustez física para o efeito e se passar a prova com sucesso pode ingressar no curso que decorre em horário pós-laboral com a duração de seis semanas consecutivas de aulas teóricas e práticas em contexto piscina e em contexto marítimo. “O resgate no meio aquático, trauma, oxigenoterapia, acidentes mais frequentes (diabetes), pré-hospitalar nas praias são, entre outras, matérias que fazem parte do curso. Estão ainda aptos a operar com o Desfibrilhador Automático Externo (DAE) e com os equipamentos de salvamento.
“Durante a formação são levados ao estímulo máximo psicológico e físico, porque é o que vão encontrar na praia”, relatou, Luís Vieira, revelando que numa turma de 30, cerca de 16 e 17 na primeira semana desistem.
“Na praia também há hierarquia”, salientou, referindo que todos eles quando acabam o curso com certificação são “nadadores salvadores e ao fim de três anos podem ascender nadadores salvadores coordenadores”. Também existe a categoria de recuperadores mediante alguns requisitos e depois podem ser examinadores, mas aí têm que ser militares.
Os nadadores-salvadores também fazem intervenções no areal e zona dos bares. “Foi o caso de hoje um individuo com pace-maker que perdeu os sentidos num bar da praia da Foz do Arelho”, contou, revelando que restaurantes na zona das praias têm o contacto de emergência dos salva-vidas da praia.
Quanto aos salários, Luís Vieira diz que depende dos anos de experiência e categoria. No entanto revela que ninguém recebe menos de 900 euros. Têm ainda várias regalias como seguro profissional pago pela associação, folgas pagas, ginásio gratuito, piscina gratuita.

“Nadador-salvador deve ser profissão o ano inteiro”

O formador da Oeste Rescue admite que há uma necessidade de nadadores-salvadores e que é um problema a nível nacional. Defende a profissionalização da função, um emprego estável e em que se complemente o trabalho nas praias com atividades no meio ambiente (recuperação, limpeza) e em ações de sensibilização para a prevenção de acidentes.
Segundo este responsável, há municípios que têm nadadores-salvadores a tempo inteiro. “Mesmo no inverno há muito trabalho que efetivamente pode ser feito, nas arribas, na vistoria, plataformas, entre outros serviços”.
O presidente da associação diz que a maioria dos salva-vidas tem a sua responsabilidade, mas não vê este trabalho para o futuro porque a “profissão não evoluiu”. A maior parte dos nadadores-salvadores da Oeste Rescue são licenciados, na área do desporto ou saúde. “Aqui na Foz do Arelho temos um elemento que está no terceiro ano de medicina, uma socióloga, engenheiro Agrónomo, professor, mas a maioria são licenciados na Escola Superior do Desporto de Rio Maior”, contou.

“Temos muitos bons profissionais e existe já o doutoramento em salvamento aquático em Portugal, mas ao comparar com a Austrália, Califórnia e Havai, ainda temos muito a fazer”, afirmou.
Referiu ainda que nos Estados Unidos da América pagam para ir à praia e um salvamento que seja efetuado que seja mobilizado embarcação ou helicóptero a vítima depois de sobreviver tem de pagar e em Portugal isto não se aplica.
Há cerca de 20 anos que Luís Vieira está ligado ao salvamento nas praias. Uma profissão que faz com “paixão” e que vê reconhecida quando os jovens que tiram o curso de nadador-salvador na Oeste Rescue decidem “aprofundar os conhecimentos com os cursos na área da saúde”.

Nadadora-salvadora de 19 anos adora a adrenalina

Catarina Carvalho é uma jovem caldense, que estuda 19 anos das Caldas da Rainha é Arquitetura em Lisboa.É uma das nadadora-salvadoras mais nova que trabalha num do areal da Foz do Arelho. É o segundo ano que está a vigar esta praia das Caldas.
Tirou o curso em 2021 na escola de formação Escola de Formação de Nadadores-Salvadores da Oeste Rescue.
Começou a nadar aos sete meses e é surfista. Decidiu ser profissional nesta área porque adora o mar. No entanto partilhou a “adrenalina” da profissão onde se tem que “pensar e agir rapidamente”.
A jovem adora a profissão e admite que por vezes as pessoas “perguntam-me se sou ou não capaz de salvar um ou homem, ou mulher, num mar com bandeira vermelha por me acharem muito nova”.
Este ano, já fez dois salvamentos no mar. O que a mais marcou foi o agradecimento da mãe da criança que os colegas salvaram na Lagoa.
Ser nadadora-salvadora é, porém, muito mais do que apenas salvar alguém de um possível afogamento. “Somos nós que estamos lá para desinfetar um ferimento, aliviar a dor de uma picada de peixe-aranha ou até ajudar a procurar uma criança perdida”, refere a nadadora-salvadora.

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