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Modelo ucraniana e Mrs. Top Europe está refugiada em São Martinho do Porto

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A vila de São Martinho do Porto foi o local escolhido pela modelo ucraniana Helen Gydyrym, vencedora num concurso de beleza do título Queen of Mrs. Top Europe, para se refugiar com a família, desde março.
Helen Gydyrym está desde março em Portugal

A vila de São Martinho do Porto foi o local escolhido pela modelo ucraniana Helen Gydyrym, vencedora num concurso de beleza do título Queen of Mrs. Top Europe, para se refugiar com a família, desde março.

A guerra na Ucrânia mudou completamente a vida de Helen, de 34 anos, e de toda a sua família, que fugiu de Odessa, assim que percebeu que “a guerra tinha começado”. “Não vou esquecer esse dia, 24 fevereiro. Estava sozinha em casa com as crianças quando começaram as primeiras explosões em Odessa, e não sabíamos se eram mísseis ou outro tipo de armas”, contou a modelo, relembrando “os vizinhos a saírem das suas casas a gritar que começou a guerra”. Nessa altura, a finalista do concurso Mrs. Universe, em 2018, e coroada Queen of Mrs. Top Europe, que “estava assustada e confusa, e sem saber bem o que fazer”, decidiu guardar algumas roupas na mochila e fugir de casa, com os dois filhos, de 7 e 15 anos, e o gato, para ir para a casa da sogra, que vivia numa vila perto de Odessa.
Na casa da mãe do marido, Alexander, de 31 anos, que no momento do início da guerra estava embarcado num navio porta contentores a milhares de quilómetros, a modelo permaneceu apenas dois dias. “Na verdade, durante duas noites não conseguíamos dormir, devido às explosões”, sublinhou Helen, que nunca teve a intenção de deixar o seu país, pois “tinha uma vida maravilhosa e o meu próprio negócio em Odessa, uma escola de modelos”. Contudo, “o medo e o receio pela vida” fez com que a modelo tomasse a decisão de fugir e salvar os filhos, apesar de não saber bem para onde.
A Miss Top Ukraine não queria que os filhos vivessem com medo da morte, nem escondidos em bunkers, então rumou novamente a casa para ir buscar mais alguns bens, entre engarrafamentos e longas filas para abastecer os automóveis, e seguiu para a fronteira com a Moldávia, e mais tarde para a Roménia, onde esteve temporariamente.
“Havia esperança de que em breve tudo acabaria na Ucrânia e de que poderíamos regressar a casa, mas infelizmente percebemos que isso não ia acontecer, e que era tempo de pensar num sítio para viver”, explicou Helen, que em conversações com o marido puseram-se à procura no motor de pesquisa Google de um local seguro para onde irem.
Apesar de não conhecer Portugal, a modelo ucraniana disse que adorou o que viu nas pesquisas, e como o marido, entretanto desembarcado em Espanha, estava sem meios para voltar à Ucrânia, Helen optou por ir ter com ele, guiando mais de cinco mil quilómetros até chegar a Valência. “Já não nos víamos há oito meses, e juntos sem dúvida é muito mais fácil”, sublinhou a modelo, destacando a atitude das mulheres refugiadas, que sozinhas saíram do país, deixando os maridos para trás”.
O caminho até Lisboa foi “muito longo e difícil”, mas assim que chegaram depararam-se como o problema de encontrar um local para ficar. Face a isso, Helen e Alexander dirigiram-se a várias organizações de solidariedade, e uma delas ajudou o casal refugiado a encontrar um alojamento temporário em São Martinho do Porto.
Inicialmente estiveram alojados numa guest-house com três quartos, cedida “gentilmente pelos proprietários, Mic e Pascale, que até final de maio nos fizeram sentir em casa”. Mas com o aproximar do verão e facto dos donos quererem alugar a casa a veraneantes, fez com que tivessem de sair, estando agora num apartamento mais pequeno.
“Desde de que a época balnear começou em São Martinho que se tornou difícil de encontrar alojamento, mas mais uma vez Mic e Pascale fizeram o seu melhor para nos ajudar, encontrando um sítio para ficarmos e perto da escola”, frisou Helen, adiantando que “apesar de ser um T1, estamos muito contentes por ter um teto para morar”
Para o casal refugiado, “desde que as crianças começaram a frequentar a escola, o nosso objetivo principal era ficar nesta vila, onde fomos muito bem recebidos”.
Helen e o marido estão a aprender português através de cursos online. Neste momento, a modelo sente-se “segura em São Martinho do Porto e feliz por viver aqui, mesmo que seja temporário”. “Aqui vivem pessoas maravilhosas que nos ajudam a integrar na sociedade, sem falar de que é um local com paisagens fantásticas”, destacou Helen, que gostaria de um dia conseguir regressar ao seu país para voltar a ter o nível de vida que tinha antes da guerra, apesar de considerar que “a vida na Ucrânia nunca mais será igual”. “Há uma guerra em grande escala na Ucrânia, onde estão pessoas e crianças a morrer por causa de alguém”, referiu a modelo.
Atualmente, o casal vive apenas das economias, mas pretende arranjar trabalho, quem sabe começar um negócio por conta própria. “Fiz o meu melhor na Ucrânia e posso ser útil em Portugal, partilhando os meus quinze anos de experiência na área dos concursos de beleza”, sublinhou Helen, que juntamente com Alexander estão gratos pela ajuda que têm recebido por parte dos habitantes de São Martinho do Porto.

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