Q

Previsão do tempo

15° C
  • Saturday 23° C
  • Sunday 26° C
  • Monday 28° C
15° C
  • Saturday 23° C
  • Sunday 27° C
  • Monday 28° C
15° C
  • Saturday 25° C
  • Sunday 29° C
  • Monday 30° C

A política e o conhecimento

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
As ideias são perigosas, e quem as tem é – inevitavelmente - um alvo a abater. Essa frase poderia ter sido pensada por um político, num momento reflexivo, enquanto jantava à custa do contribuinte. Não só essa, centenas delas. Todas as possíveis, que demonstrem o asco que a maioria dos políticos possui dos seres que pensam.

As ideias são perigosas, e quem as tem é – inevitavelmente – um alvo a abater. Essa frase poderia ter sido pensada por um político, num momento reflexivo, enquanto jantava à custa do contribuinte. Não só essa, centenas delas. Todas as possíveis, que demonstrem o asco que a maioria dos políticos possui dos seres que pensam.

Poder, no latim, tem a mesma raiz que a palavra Potência, ou seja, a “capacidade de fazer algo, de empreender algo”. Com o correr das décadas, o significado foi alterado, passando a uma “capacidade de impor, de mandar, e de submeter os outros à própria vontade”. Poder, atualmente, também pode querer dizer Autoridade (geralmente acompanhada por demonstrações arrogantes de imposição, de dominação, e de brutalidade psicológica).
Poucos são os políticos com ideias, e detentores de conhecimento (sujeito – cognoscente e o subobjecto – cognoscível). A maioria é boa de conversa fiada, o que demonstra um certo toque argumentativo, aliado a algum carisma, ao abraço fofinho aos idosos, aos beijinhos doces nas bochechas dos pequerruchos e às constantes demonstrações de certezas absolutas sobre coisa nenhuma, porém com muito patuá pelo meio. Caminho perfeito para conquistar o voto dos absortos.
O indivíduo que possui opiniões e saber não é bem visto nas rodas partidárias (ou no seio dos movimentos políticos que vão nascendo e morrendo tal e qual cogumelos), pois traz em si a possibilidade de ser um político sério, correto, justo e, principalmente, honesto. Um perigo para os dias que correm.
As teorias acerca do Poder foram esmiuçadas até à exaustão, especialmente por pensadores de renome mundial, entre eles: Michel Foucault (1926-1984), Norberto Bobbio (1909-2004), Karl Marx (1818-1883), Aristóteles (384 a. C.-322 a. C.), Maquiavel (1469-1527) e Nietzsche (1844-1900), portanto, pouco há a acrescentar, apenas a constatar.
O Poder, quando está nas mãos de pessoas sem consistência intelectual, com pouca sabedoria e nenhuma criatividade, inevitavelmente, transforma-se no caminho mais rápido para a corrupção e o nepotismo. Não há como solucionar o problema, pois a Democracia refundiu-se numa arma contra ela própria e, por consequência, uma facilitadora de itinerários obscuros.
Depois, consideramos que a Ciência Política, e as estruturas jovens existentes nos partidos políticos, possam vir a alterar esse cenário, ledo engano. As segundas servem para fornecer “carne para canhão”, ou seja, a mão-de-obra barata que pode levar o chico-esperto a eleger-se. Claro que existe pagamento, pois, assim que a máquina partidária começa a funcionar e a galgar posições políticas, de imediato quem está na base é elevado a patamares de segurança financeira, através de uma (às vezes pouco) discreta acolhida de cargos autárquicos.
A Ciência Política, existe, apenas, para cimentar o Poder instalado (sendo amplamente responsável por entender e ajustar todas as questões concernentes a esse mesmo Poder na sociedade), determinar regras e princípios para o bom funcionamento das instituições sociais (setores económico, jurídico, autárquico e governamental), sendo comum ouvirmos que, quem conclui a sua formação nessa área está plenamente preparado, intelectual e teoricamente, para organizar e executar todos os meios de ação existentes, que possam aproximar os seres humanos das instituições em geral, ou seja, sendo um motor benéfico para a vida coletiva. Infelizmente, tudo isto é meramente figurativo, pois o que se vê é o engrossamento das hostes que alimentam o ataque à real Democracia.
Samuel Langhorne Clemens (1835-1910), mais conhecido como Mark Twain, desfere um golpe objetivamente lúcido ao sistema, quando diz que “o princípio da democracia é dar e receber; dar um e receber dez”. E, assim, caminhamos e investimos… naqueles que não pensam, para não atrapalhar os verdadeiros intentos dos eleitos.

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Últimas

Artigos Relacionados

Caldas e a Cultura

A atual gestão camarária tem vindo a prestar contas aos caldenses sobre os investimentos culturais nas Caldas. Assim, foi justificado, e bem, o abandono do projeto World Press Cartoon, que envolvia verbas na ordem de mais de um milhão de euros/ evento/ano. A...

Arte musical do Ocidente

Refletindo um pouco acerca da música que enlevou algumas regiões do nosso planeta em tempos idos, vêm-me à memória diversos e inauditos temas, entre eles os do período medieval e renascentista, aquando do surgimento da monodia, no século VII.

Para que serve a Cultura?

Recentemente desfrutámos da excelente notícia da criação da Biblioteca António Lobo Antunes, na freguesia de Benfica, em Lisboa, a ser instalada no antigo edifício da Fábrica Simões (Simões & Cª Lda., 1907-1987). Depois da recuperação do imóvel, abandonado por mais de trinta anos, o seu destino só poderia ser o cultural, desejo antigo dos moradores de uma freguesia que conta com, aproximadamente, 37 mil pessoas, e possui, também, dois outros importantes espaços, o restaurado Palácio Baldaya (com uma excelente biblioteca) e o Auditório Carlos Paredes.