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Enfermeiros dos serviços de urgência contestam fim de contrato

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Para contestar a não renovação dos contratos de quinze enfermeiros dos serviços de urgência do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), realizou-se na passada quinta-feira uma concentração à entrada do hospital das Caldas da Rainha.
Concentração à entrada do hospital das Caldas da Rainha

Para contestar a não renovação dos contratos de quinze enfermeiros dos serviços de urgência do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), realizou-se na passada quinta-feira uma concentração à entrada do hospital das Caldas da Rainha.

Com os contratos de quatro meses a terminarem no final de abril, os quinze enfermeiros foram notificados que as suas funções iriam cessar, depois de terem começado a trabalhar no CHO em janeiro, ao abrigo do Plano de Contingência de Saúde Sazonal para o inverno.

Ivo Gomes, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), alertou que com a não renovação dos contratos “está em risco” a administração de cuidados de saúde, uma vez que se verifica uma “sobrecarga de utentes”, que obriga a quem sejam “necessárias mil horas de trabalho extraordinário, em média, por mês, só no serviço de urgência de Caldas da Rainha”.

A situação vai agravar a já caótica situação nas unidades de Caldas da Rainha, Torres Vedras e Peniche, onde nos últimos meses têm havido sucessivos relatos da falta de capacidade para prestação de socorro aos doentes.

Para a enfermeira Patrícia Oliveira, “vão ser os doentes a saírem prejudicado, porque vão ser agravados os tempos de espera e vai tudo piorar efetivamente”.

A administração do CHO solicitou à tutela autorização para proceder à renovação dos contratos, por entender que se mantém a necessidade que levou ao recrutamento dos recursos humanos para os serviços de urgência, que foi o reforço de meios perante o aumento da afluência de doentes. Contudo, à data desta concentração dos enfermeiros, não havia resposta do Governo.

O SEP pretende que os contratos sejam “no mínimo, renovados, mas a nossa exigência é que o vínculo seja definitivo para todos eles, porque os enfermeiros fazem falta”.

“A pandemia veio agravar as condições de trabalho, com uma elevada sobrecarga de utentes nos três serviços de urgência do CHO, cujas equipas de enfermagem expuseram as suas realidades ao conselho de administração. Esta sobrecarga continua a agravar-se, pelo que ninguém entende a razão destes despedimentos”, manifestou o SEP, que denunciou a existência de “doentes no serviço de urgência que cumprem o internamento numa maca e que tanto pode durar um dia, como duas semanas”.

Por outro lado, “o número reduzido de camas nos serviços de retaguarda não permite a transferência destes doentes” e em zonas onde deveriam estar vinte doentes “habitualmente estão trinta”.

Para além da contestação dos enfermeiros, o CHO tem estado debaixo de críticas de outros profissionais de saúde, nomeadamente dos médicos, cujos chefes de equipa e de banco do serviço de urgência do Hospital das Caldas da Rainha apresentaram a demissão, alegando “ausência de níveis de segurança mínimos”.

23 internistas e internos do complementar do Hospital das Caldas transmitiram em comunicado que “não estão asseguradas as condições mínimas de qualidade assistencial” e solicitaram que a urgência seja encerrada “enquanto não estiverem assegurados os requisitos para o funcionamento em segurança”.

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