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95º aniversário dos bombeiros de Óbidos celebrado em A-dos-Negros

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A-dos-Negros foi palco da cerimónia do 95º aniversário da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Concelho de Óbidos, contando com a presença do presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, que deixou rasgados elogios à corporação e aos soldados da paz em geral.
O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses a usar da palavra

A-dos-Negros foi palco da cerimónia do 95º aniversário da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Concelho de Óbidos, contando com a presença do presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, que deixou rasgados elogios à corporação e aos soldados da paz em geral.

“Quero deixar uma palavra de gratidão e imenso orgulho em ver numa formatura jovens de tenra idade até aos mais velhos estarem disponíveis a trabalhar em prol da população”, disse o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses.

António Nunes disse esperar que os bombeiros “sejam reconhecidos por todos os cidadãos, pela sociedade em geral e pelos políticos em particular”, defendendo que “é preciso enaltecer mais o trabalho dos bombeiros”.

“Quando nós estamos aflitos a palavra que usamos simplesmente é ‘chamem os bombeiros’”, sublinhou.

Carlos Guerra, comandante distrital de operações de socorro, em representação da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil​, deixou uma palavra de incentivo aos bombeiros que ingressaram nas fileiras como bombeiros de 3ª e elogiou a Câmara de Óbidos por contribuir para assegurar duas equipas de intervenção permanente. “Estamos a chegar ao período mais crítico de incêndios florestais e a grande preocupação é o problema da disponibilidade de recursos humanos”, reconheceu.

Marco Martins, comandante dos bombeiros de Óbidos, declarou estar satisfeito com a corporação que dirige. “É uma família que me faz acreditar que vale a pena fazer as coisas pelos outros”, partilhou.

Fazendo uma resenha do mandato que desempenha desde 2019, recordou que a corporação tem enfrentado várias contingências, como uma situação pessoal de um bombeiro cujo filho foi alvo de uma tentativa de homicídio, a pandemia de Covid-19, em que os profissionais se uniram para permitir que os voluntários pudessem ficar em casa ou a morte do chefe António Ventura, que foi muito sentida pela corporação.

“Nos últimos três anos passámos de cerca de 80 para 137 operacionais, contando com os estagiários e sem contarmos com os cerca de 50 elementos da escola de infantes e cadetes, somos um corpo de bombeiros inclusivo, com bombeiros do Brasil, Angola e Cabo Verde, e alguns bombeiros com dificuldades de mobilização motora”, relatou.

“Conseguimos a classificação de corpo de bombeiros tipo 1, a máxima classificação a nível nacional, e todos os nossos operacionais profissionais estão qualificados com nível 4 – 12º ano”, referindo que a corporação é “uma entidade certificadora”. A constituição de dez brigadas de voluntários ao serviço da população de Óbidos aos fins de semana e feriados, foi outra das várias metas alcançadas.

Mário Minez, presidente da direção da associação humanitária, apontou que o maior feito dos últimos anos foi “a remodelação e reestruturação administrativa e financeira”.

“Em 2021 apresentámos um resultado positivo em mais de 50 mil euros. Num ano difícil, só com uma casa bem organizada se conseguia obter”, destacou, considerando que agora “o grande desafio será não o de aumentar o número de voluntários, mas sim dar manutenção, maturidade e melhorar a qualidade do profissionalismo”.

Aproveitou para elogiar os bombeiros “que a qualquer hora estão disponíveis para socorrer os outros”.

José Machado, presidente da mesa da assembleia geral da associação humanitária, vincou que a história da corporação “foi enriquecida com a recente missão humanitária de apoio a cidadãos ucranianos que são vítimas da guerra”, sendo “um excelente exemplo de serviço prestado a quem precisa”.

Falou ainda de outros bons exemplos: “Os bombeiros que prestaram missões de socorro no âmbito do Covid-19 doaram o subsídio atribuído pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil para aquisição de equipamentos e materiais para o corpo de Bombeiros, os bombeiros que têm realizado serviços de transporte de doentes não urgentes abdicaram de receber a verba correspondente a horas executadas e o comandante Marco Martins decidiu não receber honorários durante todo o ano de 2021”.

O presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Filipe Daniel, disse estar reconhecido por ter no concelho “um corpo de bombeiros de excelência, forte, qualificado e que tem granjeado reconhecimento pela sua capacidade de resposta a todos os pedidos de socorro”.

“Os bombeiros são uma estrutura indispensável, pelo que o país não se pode dar ao luxo de os ignorar, nem os governos se podem demitir da responsabilidade de garantir as condições mínimas de operacionalidade”, sublinhou.

Heitor Conceição, presidente da Junta de Freguesia de A-dos-Negros, agradeceu à corporação a realização desta cerimónia na freguesia, numa ótica de descentralização. Reconhecendo que os bombeiros “são a nossa alavanca quando temos algum problema”, disse estar disponível para fazer um peditório a favor dos soldados da paz.

Quem também deu o seu testemunho nesta cerimónia foi Maksym Bohun, representante da associação SOS Exército, que agradeceu a “ajuda enorme dos bombeiros” ao povo ucraniano, com ambulâncias. “Conseguimos chegar à última linha de defesa da Ucrânia e perdemos algumas viaturas porque os voluntários estão a ser bombardeados. Os médicos comunicaram que por cada ambulância salvaram-se duas pessoas por dia, por isso, por alto, a ajuda permitiu salvar cem vidas”, transmitiu.

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