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Reconfiguração eleitoral com as legislativas

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Nas últimas eleições autárquicas o VM de Vítor Marques conseguiu 9037 votos para a Câmara Municipal. Mas nas próximas eleições legislativas não existe VM, pelo que será interessante perceber como se fará a reconfiguração eleitoral do concelho de Caldas da Rainha.
António Cipriano

Nas últimas eleições autárquicas o VM de Vítor Marques conseguiu 9037 votos para a Câmara Municipal. Mas nas próximas eleições legislativas não existe VM, pelo que será interessante perceber como se fará a reconfiguração eleitoral do concelho de Caldas da Rainha.

Nas últimas eleições legislativas de 2019, o PSD foi o partido mais votado com 7532 votos (32,17%) seguido de perto pelo PS com 7320 votos (31,26%). Como se vão repartir, ou reconfigurar os 9037 votos do VM?

Parece-me claro, pelos resultados das autárquicas de setembro, que o VM conseguiu federar à sua volta muito voto útil do PS (razão pela qual o PS reduziu a sua expressão para apenas um vereador), e reunir muitos eleitores tradicionalmente social-democratas, que por razões várias, optaram por uma mudança de protagonistas.

O concelho de Caldas da Rainha tem um historial de propensão social-democrata, a que associado à falta de resposta do governo socialista, em especial nas questões da saúde do concelho (falta de médicos de família, perda de importância e qualidade de serviço do hospital das Caldas) e a algum cansaço de seis anos de António Costa, favorece o retorno do PSD às vitórias eleitorais, com o regresso de parte dos eleitores, que pelo menos transitoriamente, nas autárquicas, procuraram outro destino.

Mas também não deixa de ser verdade que se tem assistido a uma certa erosão do eleitorado do PSD, sobretudo nas freguesias urbanas, em que as gerações mais novas já não votam sempre no mesmo partido, estando mais aberto a flutuações.   

As eleições legislativas vão permitir responder a algumas perguntas com enquadramento local: Mantém o PSD uma presença e uma maioria forte nas freguesias rurais? Consegue o PSD nas freguesias urbanas recuperar o eleitorado que perdeu nas autárquicas? E o voto jovem, tem apetência para o PSD ou pelo contrário é mais à esquerda?  O PS consegue ultrapassar ou pelo menos ficar próximo do PSD? E o Chega terá expressão eleitoral no concelho?

Tudo questões importantes para o quadro eleitoral local, com especial acutilância para o PSD, para a perceção de qual o mercado eleitoral que este dispõe e qual a margem para a reconquista.

Mas muitos perguntam-se, para quê uma análise local das eleições legislativas?

Talvez os mais distraídos não tenham percebido, mas as autárquicas de 2025 começam-se a preparar no dia seguinte às autárquicas de 2021. É a vida, ou melhor, é a política!

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