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Comerciantes caldenses queixam-se de duas semanas sem vendas

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Começou a 10 de janeiro a época dos saldos de inverno. Os descontos, que normalmente ocorrem no período entre o natal e o ano novo e nos primeiros dias do ano, foram apenas permitidos nas compras online, por culpa da pandemia. Os comerciantes caldenses criticam a medida que proibiu de 25 de dezembro a 9 […]
Começou a 10 de janeiro a época dos saldos de inverno

Começou a 10 de janeiro a época dos saldos de inverno. Os descontos, que normalmente ocorrem no período entre o natal e o ano novo e nos primeiros dias do ano, foram apenas permitidos nas compras online, por culpa da pandemia.

Os comerciantes caldenses criticam a medida que proibiu de 25 de dezembro a 9 de janeiro qualquer promoção nas lojas, salientando que foram “duas semanas perdidas sem vendas e com despesas”, considerando que “são mais uma vez os pequenos comerciantes e a restauração os mais prejudicados com restrições à Covid-19”.

Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS, o presidente da Associação Empresarial das Caldas da Rainha e Oeste (ACCCRO), Luís Gomes, fala em “transtornos financeiros para o comércio”, defendendo que sejam “compensados por medidas de apoio”, uma vez que é um setor já muito atingido pelos efeitos colaterais da pandemia de Covid-19.

Segundo este responsável, é difícil saber ainda qual será o impacto a nível económico desta proibição, mas as perspetivas não são boas. “Como milhares de pessoas estão em confinamento em casa e com tendência de aumentar acho muito difícil que nas próximas semanas se vá recuperar as compras. Foram duas semanas perdidas, portanto, vai ser complicado”, lamentou.

O presidente da ACCCRO considerou a medida injusta uma vez que pôde haver saldos online, criando “uma concorrência desleal com o comércio tradicional”. Criticou ainda o facto das lojas que já tinham vendas com redução de preço antes do natal terem sido obrigadas a retirar de 25 de dezembro a 9 de janeiro esses descontos. “Havia lojas que tinham promoções excecionais que as que tiveram de retirar”, contou.

Luís Gomes pede apoios para as empresas fazerem face “às dificuldades que grande parte do comércio está a enfrentar, dadas as diferentes privações que tem tido no seu normal funcionamento”. Defende, no entanto, “um apoio decente e não fingir que estão a apoiar, porque o que tem existido, como por exemplo os layoffs, não é nada”. “Apesar de não ser tão mau como em 2020, sabemos que as vendas no natal de 2021 não foram fortes e esta medida vem criar para o comércio um “desastre financeiro”, pois contava com as vendas neste período para minimizar os prejuízos do ano”, salientou.   

“O governo, mesmo em pré-campanha, não está com preocupação de proteger as pessoas e não está minimamente preocupado com o comércio, restauração e bares”, apontou Luís Gomes, considerando mesmo que estão a “gozar com quem paga IRC, TSU, entre outros”.

O dirigente revelou ainda que o projeto que a ACCCRO criou para a plataforma digital para o comércio tradicional das Caldas no valor de 270 mil euros foi indeferido. “Vamos ver agora quais os novos fundos comunitários para nos podermos candidatar novamente, considerando esta medida importante para que o comércio possa competir com outros estabelecimentos que vendem online, dada a digitalização dos negócios”.

No entanto, considera que “o nosso comércio tradicional continua a ser uma porta para muitos visitantes e é preciso ter cuidado com as vendas online, porque corremos o risco de ter um centro histórico vazio”. “O nosso comércio tradicional pode servir como um armazém do online, onde as pessoas sabem que existe um espaço físico”, referiu. 

Indignação nas lojas

Nas reações ouvidas pelo JORNAL DAS CALDAS os comerciantes mostraram-se indignados. Vanusa Silva, proprietária da Ecco-Moda, loja de vestuário para mulher, fez notar que “não permitir qualquer promoção não faz sentido”. “Compreendo a limitação de entradas nos estabelecimentos”, uma medida que qualifica de “adequada e suficiente” para evitar ajuntamentos, mas “não nos deixar fazer descontos e haver saldos online criou uma concorrência desleal com o nosso comércio”. Lembrou o esforço que tem feito “para garantir condições de segurança e higiene no seu espaço”. A comerciante disse que “foram duas semanas sem vendas e com despesas” até porque começou a fazer alguns descontos antes do natal e “como é claro ninguém vai comprar ao preço normal quando já havia uma redução”.

Dina Conceição, que trabalha na loja Lanidor, considera a medida muito “injusta e desadequada, sem efeitos na contenção pandémica e com prejuízos para os comerciantes”. “Caldas da Rainha tem muitos visitantes que vêm cá passear uns dias depois do natal e gostam sempre de fazer compras e este ano se vieram não compraram nada pois não havia descontos”, sublinhou.

Bé Amaral, responsável pela loja de roupa para criança Neck & Neck, afirmou que “há muito menos movimento nas ruas e ninguém vem comprar sem descontos nesta altura”. “Não é o meu caso, mas conheço aqui nas Caldas uma loja onde as pessoas compram online em promoção e pedem para enviar para a loja nas Caldas e a proprietária que não recebe lucro dessa venda está na loja a servir de correio e a pagar renda, eletricidade e água”, contou.

Já uma comerciante que quis manter anonimato declara que fez promoções às clientes que conhecia e “só assim consegui vender alguma coisa”. “O que estão a fazer com o comércio mais pequeno a retalho é inexplicável. Nós continuamos a pagar aos empregados, a renda, impostos e outras despesas”, salientou.

Ana Sousa, responsável pela Stefanel das Caldas, considera que o Governo não tem o direto de retirar negócio “às empresas privadas”. “Proibiu as promoções e não limitou as entradas dentro das grandes superfícies, a seguir ao natal estas estavam apinhadas de pessoas e as ruas vazias”, afirmou. “Foram quinze dias com faturação zero, mas o Governo não nos perdoa os impostos”, vincou.

A proibição dos saldos nas lojas físicas, que decorreu entre 25 de dezembro e 9 de janeiro também gerou contestação à responsável pela loja de malas e acessórios “Malas e Ideias”, Ivone Colaço. “Estou contra esta medida pelo simples facto de as lojas online poderem fazer saldos, bem como as grandes superfícies comerciais outlets, e nós, lojas físicas, não”, indicou, considerando a medida “injusta”.

Em contrapartida, “quem sai beneficiado são as grandes marcas, com lojas online, que têm saldos”, apontou a lojista, referindo que o período de saldos a seguir ao natal é sempre “um bom mote para escoar material da coleção de outono/ inverno, bem como fazer algum valor para um mês que normalmente é fraco”.

Também considerou que “as medidas aplicadas não são coerentes nos termos, pois, as pessoas que efetuaram as compras online podem dirigir-se às lojas físicas para levantar as encomendas, acabando por andarem na mesma pela rua”. “Ou seja, na minha opinião esta proibição não faz qualquer sentido”, frisou a responsável.

Quem também se mostrou indignada com esta proibição foi a proprietária da loja especializada em lingerie e bra fitting, Bra4all, Rita Batista, considerando ser “uma medida sem lógica, que acabou por se refletir mais no pequeno comércio“. Também criticou o facto de restringirem novamente a limitação de entradas nos espaços comerciais, com um rácio de uma pessoa por cinco metros quadrados, uma medida que qualificou de “desadequada” para o pequeno comércio.

“Faz sentido para as grandes superfícies comerciais, de modo, a evitar grandes aglomerados, mas para comércio tradicional não tem lógica”, apontou a lojista, adiantando que também não efetuou saldos online durante este período, “por não considerar justo para as nossas clientes de loja”. Nesse sentido, “optámos por esperar por novas medidas para podermos fazer os verdadeiros saldos”.

A caldense Judite Costa, que é administrativa numa empresa de contabilidade nas Caldas, também considera injusta esta medida para o comércio tradicional. “Antes do natal havia algumas promoções, agora não há nada, então não compro”, sublinhou, confessando que foi a uma “loja de calçado nas Caldas e experimentei uns sapatos para ver o tamanho e depois comprei online porque estavam com desconto”.

Nem todos os comerciantes foram contra as restrições aplicadas a seguir ao período de natal devido à pandemia de Covid-19. Foi o caso da proprietária da loja Atrativa Moda XL, Sandra Martins, que considerou “positivo o facto de podermos entrar só agora em época de saldos, pois permite evitar aglomerados dentro das superfícies comerciais, bem como organizar de forma mais adequada as coleções passadas para este período de descontos”. Além do espaço físico, a lojista caldense dispõe de loja online, com diversos descontos, o que tem permitido escoar material durante este período.

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