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Foi na Grécia antiga, 508 a.C., que surgiu o primeiro sistema democrático, implementando um ambiente de maior igualdade perante a lei e um conjunto de reformas que resultaram na maior participação política.
Rodrigo Amaro

Olhar JSD

Foi na Grécia antiga, 508 a.C., que surgiu o primeiro sistema democrático, implementando um ambiente de maior igualdade perante a lei e um conjunto de reformas que resultaram na maior participação política.

Na base da sua construção está o desenvolvimento da Pólis e,nela o surgimento de instituições com poderes, legislativos, executivos e judiciais. Não era um sistema perfeito, mas evoluiu e ajudou a moldar muitos dos sistemas democráticos atuais.

Portugal democrático tem 47 anos e com ele os portugueses tiveram acesso à liberdade de expressão, ao sufrágio universal, à participação política, entre muitas outras reformas democráticas. O país viveu em polvorosa na segunda metade da década de 70 – com uns a filiarem-se em partidos que esgotavam comícios, muitos a partilharem a sua convicção em manifestações ou jornais e outros simplesmente a participarem com o seu voto a cada eleição. Todos tinham um ponto em comum, a sede de participar e dessa forma contribuir para melhorar o país.

Hoje assistimos a um desinteresse crescente, com a abstenção a bater recordes e, este afastamento deve-se à degradação das instituições públicas, partidos, políticos, comunicação social e redes sociais – levando à criação de novos partidos ou movimentos independentes que apresentam muitas vezes um discurso de rotura com o status quo das instituições públicas e dos partidos tradicionais. E porquê? Porque os portugueses estão fartos do politicamente correto, da falta de respostas concretas, da desculpa com os outros e da eternização nos lugares. Todos estes acontecimentos levaram que parte do eleitorado se alheasse da participação, e a outra parte que vota, privilegie, maioritariamente, aquele candidato que vem sem amarras, que traz um discurso arejado e não cai no erro das promessas vãs.

Com isto, seria elementar compreender o contexto atual e futuro da nossa democracia, para a partir daí caminhar num sentido diferente, sem arrogâncias, num processo de “reanimação democrático” – um processo que para ter êxito deve contar com o envolvimento de todos, mas gostaria de referir três que me parecem fundamentais: os partidos, a comunicação social e os agrupamentos escolares. Começando pelo fim, os agrupamentos escolares têm a missão de ensinar, significa que devem incutir uma cultura política desde cedo nos alunos, sem sectarismos, explicando o que é, que partidos existem e o que defendem, com objetivo de estimular o gosto pela participação. Depois com os conhecimentos adquiridos, cada aluno deve estruturar o seu pensamento critico e fazer as suas escolhas.

Em segundo lugar a comunicação social deve comunicar, mas comunicar bem, destacando bons exemplos e privilegiando o seu tempo de antena com novas figuras, para que não sejam sempre os mesmos a aparecer e a falar de tudo, o que impede o aparecimento de novos rostos.

Em terceiro lugar os partidos devem integrar, um partido moderno deve estar envolvido na sociedade civil, deve chegar onde outros não conseguem pelas suas limitações organizacionais – um partido moderno não pode achar que é uma Associação Cultural e Recreativa, tem que perceber que é um partido político e que a política mudou e como tal, devem eliminar os métodos arcaicos que obstaculizam a participação, passando a estimulá-la, porque a porque a democracia não deve ser paga.

Por fim, aproveito este artigo para transmitir uma última mensagem como presidente da JSD Caldas da Rainha. Foram 12 anos de militância e 4 como presidente, o balanço entre o que fizemos e o que deixámos por fazer é francamente positivo, acima de tudo porque conseguimos defender os interesses da juventude caldense e a promoção das novas gerações – com propostas no Conselho Municipal de Juventude, nas Assembleias de Freguesia e na Assembleia Municipal, mas também com a eleição de 10 jovens nas autárquicas 2021. Saio confiante no futuro, mas não posso deixar de alertar a comunicação social para que dê mais atenção aos jovens e às juventudes partidárias, assim como aos líderes dos partidos para estimularem e valorizarem os jovens que ainda acreditam na militância nos seus partidos.

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