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Histórias do Termalismo

25. Faz bem aos olhos

Jorge Mangorrinha

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Um dos objetos mais curiosos do Museu do Hospital e das Caldas é este vaporizador de água mineral natural destinado à terapia ocular. Pelo menos, esta é a minha convicção, cuja informação dei recentemente à atual coordenadora do Museu, para que conste como hipótese verosímil. O tratamento das doenças dos olhos fazia-se nalgumas termas do país, por exemplo no Hospital Termal e nas Termas da Fonte dos Frades ou Fonte dos Olhos, no Vimeiro (Torres Vedras), no primeiro caso através deste acessório e no segundo caso pelo uso de copinhos para lavagem dos olhos. É que, por analogia, ver bem também é determinante para a política, para a gestão das termas em Portugal e para o futuro pós-pandemia. Quem não veja assim, tem nas próprias termas bom remédio.

Já o escrevi tantas vezes: a água mineral natural, como primeiro de todos os patrimónios, deu origem a territórios identificados pela existência de balneários, pavilhões de nascente, hotéis, casinos, parques e alamedas, que marcam o carácter e a poesia de espaços inconfundíveis, quando atingem uma dimensão considerável para este raciocínio. Estes territórios dão ao visitante algo mais do que o efeito terapêutico das águas, mas também a magia e o universo dos sentidos e os ritos de todos os tempos, cenários encantatórios para recrear os olhos e satisfazer o espírito, na busca íntima com a natureza.

Um percurso pelo património termal permite induzir que o mundo da saúde não é separado do da cultura. O próprio culto da água e do banho é caracterizado por ritos e interesses materiais e simbólicos muito particulares, por parte dos seus utentes, e cada vez mais aberto à redescoberta dos valores culturais e à necessária criação de património contemporâneo.

Neste sentido, a todos os responsáveis se exige ver bem, para se criar um futuro sustentável das termas nacionais, com património e contemporaneidade e com aquistas em número satisfatório. Contudo, no primeiro semestre de 2021, as estâncias termais portuguesas registaram uma descida de 76% no número de clientes face a igual período de 2019, a que se somou uma quebra de 72,2% no volume de faturação.

A atuação do Governo, relativamente ao enquadramento das termas nas medidas aplicáveis no âmbito da atual pandemia, não foi bem aceite pelos concessionários e pela Associação Termas de Portugal. A desconsideração das termas como unidades prestadoras de cuidados de saúde provocou perdas no número de clientes, no volume de negócios, mas também trouxe efeitos no emprego e noutras atividades económicas dependentes da atividade, como são os casos da hotelaria, da restauração e do comércio local.

As termas devem ser vistas como parte integrante do Sistema Nacional de Saúde, através de medidas que não discriminem este setor, mas antes ajudem os utentes nos benefícios do SNS e em particular nas comparticipações da estada termal. E, no mesmo sentido, que se não ceda aos interesses económicos da indústria farmacêutica e dos médicos que dela usufruem, principescamente. Sem uma atividade forte em termos económicos, o património sofre, tal como a população, cada vez mais necessitada de tratamento nas várias indicações terapêuticas que o termalismo oferece.

Nem que para tal os responsáveis por este estado de coisas e decisivos no relançamento da atividade visitem as termas que lavam os olhos e regeneram a mente.

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