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O psicodrama da inveja

Rui Calisto

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O sol não brilha do mesmo modo na mente de todos os seres humanos, alguns possuem grandes nuvens negras a pairar sobre as suas frágeis consciências. Como resultado, libertam uma avassaladora onda de inveja, que levanta as pedras da calçada. Somente os fortes resistem, e não tropeçam nos pedregulhos.

A inveja é parte integrante do sistema psíquico dos pobres mortais que somos, sem dúvida, porém, há os que trabalham mentalmente de um modo organizado, e, como se ocupam positivamente na construção da sua vida, não possuem tempo para se atormentar com as conquistas alheias.

Alguns estudiosos do tema assumem que a inveja é um dos maiores tabus da humanidade. Se for verdade, isso significa que a maioria das pessoas pouco tem feito pela sua própria vida.

Essa zelotipia terrível motiva crimes, além de minar assustadoramente o núcleo da maioria dos partidos políticos. Neste caso específico causa verdadeiros estragos. É exatamente no cerne da instituição partidária que a mesma não deveria ocorrer, pois, todo aquele que se envolve em questões do foro político deveria fazê-lo apenas para corroborar com o crescimento e a evolução da sua aldeia, vila ou cidade, sem estar de olho comprido no “tachinho”, no “lobby”. Para agravar o que ocorre partidariamente, temos meia dúzia de elementos malformados, e manipuladores, que, com receio de perderem “a boquinha”, a chance de ver a sua “focinheira” num cartaz autárquico, ou o seu nome numa lista para uma Junta de Freguesia, Assembleia mou Câmara Municipal, são capazes de andar “de casa em casa” a difamar e a caluniar aqueles que, pelas valências que possuem, se destacam.

A inveja provoca traição. Outro ponto desagradável no seio político. A pessoa que não possua uma excelente formação, inevitavelmente passa a acreditar em todas as parvoíces que o invejoso dominador inventa, e, como consequência, por “dá cá aquela palha”, não hesita em trair os que lhe são próximos. A traição mostra, inclusive, falta de caráter.

A inveja é um sentimento tenebroso, injustificável e medíocre, habitante feroz do coração dos que nada produzem e nada representam para a sociedade, portanto, não trazendo nenhum benefício ao planeta.

Aristóteles (384 – 322 a. C.), na retórica, diz-nos que “praticamente, tudo o que traz felicidade estimula e inveja”. O que significa que a maioria das pessoas não consegue – mesmo – lidar com o sucesso alheio.

Na política, a inveja sobressai quando o outro percebe que – devido à nossa forte presença social, ao nosso conhecimento e à demonstração da nossa nata qualidade de liderar – somos muito superiores a ele.

É curioso: O invejoso – que não colabora com o desenvolvimento e o crescimento humano, conduzindo à inércia tudo ao seu redor – prefere aniquilar, enquanto o ciumento deseja mandar. Em qualquer dos casos, o esforço desse tipo de gente é no sentido de tentar trazer o outro para o seu baixo nível, um local triste e vazio, distante das emoções e das verdadeiras alegrias.

O psiquiatra José Ângelo Gaiarsa (1920-2010) afirmava que “o caminho que a inveja pode tomar é o da apelação para a calúnia ou para a sabotagem indireta, tudo isso para diminuir as qualidades da pessoa visada. O mexerico e a intriga são, então, utilizados como meios de condução social, o que revela o invejoso e mostra-nos quão estúpido é o que escuta, e aceita, sem ouvir o outro lado.”.

Arthur Schopenhauer (1788-1860) dizia que “ninguém é realmente digno de inveja, e tantos são dignos de lástima!”.

Todos estão certos, mas não podemos esquecer-nos de que o invejoso é inseguro, ingrato, possui ínfima autoestima e uma

imensa insatisfação pessoal. A história se encarregará de o colocar no vão da escada.

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