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A lei do menor esforço

-Crónicas nocturnas-

Jorge Ferreira
26 de Julho, 2021
José Afonso Anos 80, nas Caldas, no Café Central, numa roda de amigos. Ficámos a conversar após a partida dos outros convivas e continuámos a falar pelas ruas das Caldas até à casa do amigo onde ficava. Um homem simples, infinitamente bom, tolerante com quase tudo, não com injustiças e desigualdades. Voz clarividente e pura […]
Cais das Colunas

José Afonso

Anos 80, nas Caldas, no Café Central, numa roda de amigos.

Ficámos a conversar após a partida dos outros convivas e continuámos a falar pelas ruas das Caldas até à casa do amigo onde ficava.

Um homem simples, infinitamente bom, tolerante com quase tudo, não com injustiças e desigualdades.

Voz clarividente e pura de um Portugal que resistiu com coragem a tempos opressivos.

Manoel de Oliveira

Cais das Colunas, Lisboa anos 80.

Manoel olhava o rio, pensando no próximo filme…escrevia.

Non ou a vã glória de mandar?

Fotografei-o de longe.

A fotografia perdeu-se…e agora achou-se no meio de uns papéis velhos.

Clara Pinto Correia 1980-1981

No regresso da minha primeira viagem de trabalho, a Hamburgo, encontrei no avião um grupo de jornalistas em que vinham o meu amigo Manuel Silva Pereira e a Clara Pinto Correia, no fulgor dos seus vinte anos.

Regressavam do lançamento de um BMW, o Manel era director do jornal “O Motor”.

Conheci o Manel nas Caldas em 1973, era oficial miliciano no R.I.5. Cruzámo-nos no CCC (Conjunto Cénico Caldense) quando no início de 1973 se tentava levar à cena a peça de teatro de Mendes de Carvalho “A Décima Turista”.

O Manel logo nos avisou que a censura nunca o permitiria, o que se veio a confirmar.

Eu entrei para a Força Aérea em Outubro de 1973, o Manuel Silva Pereira veio a ser no pós 25 de Abril o encenador do “Canto do Papão Lusitano”, peça anti-colonialista de Peter Weiss, grande sucesso do CCC e que andou em digressão por todo o país.

Acompanharam-me nas Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA, em que os Militares de Abril procuravam levar cultura e informação democrática aos portugueses…

Colocado em Alverca no Depósito Geral de Material da Força Aérea, participei nas campanhas de dinamização cultural na zona de Vila Franca de Xira em colaboração com o Grupo 1 de Escolas da Armada, sediado em Vila Franca.

Tempos épicos de participação popular e anarquia generalizada, em que estive envolvido, com grande entusiasmo, até ao 25 de novembro de 1975.

O Manuel Silva Pereira foi adido cultural em Luanda…não sei por onde anda agora esse amigo inesquecível.

A Clara Pinto Correia, com quem conversei durante a viagem, encantou-me com a sua jovialidade e a mini-saia…

À saída do avião apresentou-nos quem ela disse ser o homem da sua vida: o jornalista Cáceres Monteiro.

Adeus princesa.

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