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Óbidos: Construções que preocupam

Rui Calisto
19 de Julho, 2021
Depois de uma incursão por alguns recantos de Óbidos pude reparar em determinadas “liberdades” no quesito “construção”, especialmente em áreas próximas da Lagoa. É uma situação deveras perturbadora, pois pode ser o mote para que, num futuro breve, diferençados pulmões verdes deixem de existir.

O quadro político de Óbidos deve permanecer inalterado nas próximas autárquicas, o que pode ser mau para a mesologia local. A não ser que o candidato da situação (PSD) – que não conheço pessoalmente – tenha reflexos objetivos, e concretos, em relação ao valor ecológico do concelho.

Há, ali, áreas que podem ser qualificadas como protegidas, devido à sua tipologia. Duas entrariam na classificação “Parque Natural”, uma como “Reserva Natural”, e outra como “Paisagem Protegida”.

“A classificação de uma área protegida visa conceder-lhe um estatuto legal de protecção adequado à manutenção da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas e do património geológico, bem como à valorização da paisagem.” (Regime jurídico da conservação da natureza e da biodiversidade, decreto-lei nº 142/2008, artº12º).

Óbidos possui um património verde que, se for defendido, pode ser uma mais-valia económica para todo o distrito.

Não quero, evidentemente, que se deixe de construir na vila de Óbidos, porém, as áreas devem ser limitadas, e os espaços verdes valorizados, para bem do próprio concelho e, claro, das gerações futuras. Os fundamentos essenciais nos conceitos de educação, conservação e sustentabilidade ambiental, se forem colocados em prática conscientemente, podem contribuir de modo significativo para o bem-estar social, cultural, económico e ambiental de moradores e turistas, além de permitir que o clima seja mais equilibrado num raio de ação maior.

Óbidos não é só o Castelo e a Lagoa, e mesmo estes necessitam de, no seu entorno, espaços orgânicos, capazes de os valorizar ainda mais.

A construção desequilibrada, e vil, menospreza o ecoturismo, o que significa que a vila de Óbidos pode perder uma fatia de mercado muito tentadora, pois esse mesmo turismo ecológico movimenta (segundo a OMT – Organização Mundial de Turismo) quase 25% de pessoas, a nível planetário, permitindo uma faturação líquida de mais de 260 mil milhões de dólares. Para Óbidos integrar o conjunto de regiões que beneficiam dessa benesse, seria necessário implementar uma real política de proteção ambiental.

As grandes áreas verdes devem ser peças basilares no puzzle do traçado e da gestão municipal, pois podem representar uma panóplia de funcionalidades que permitem a diminuição do impacto das inferências negativas das ações humanas. Uma dessas más práticas é, sem dúvida, a autorização, por parte da autarquia, para que se construa indiscriminadamente em locais que deveriam ser parques e/ou reservas naturais e paisagens protegidas.

Harmonizar as estruturas naturais com as construídas é uma das excecionais competências do século XXI na gestão concelhia. Quanto mais cimento, betão e asfalto, menos qualidade de vida.

Na década de 80, do século passado, o Japão iniciou um projeto de reaproximação das pessoas à natureza, para isso desenvolveu o Banho de Floresta (shinrin-yoku). Qing Li, médico imunologista, diretor da Sociedade Japonesa de Medicina Florestal, um dos mais proeminentes estudiosos desse assunto, diz que: “Somente frequentando bosques, florestas e parques naturais é que o ser humano atual pode combater uma das grandes epidemias do nosso tempo: O stress”.

Construir em Óbidos? Sim. Mas com total respeito ao meio ambiente. E, já agora, utilizando ferramentas como o “Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis”, assim podemos pensar nas pessoas de modo sincero, e não apenas como legenda de ocas campanhas políticas.

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