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Três trabalhadores da região morrem na Bélgica

Francisco Gomes
24 de Junho, 2021
Três das cinco vítimas mortais na sequência do desabamento da obra de construção de uma escola em Antuérpia, na Bélgica, na passada sexta-feira, são da zona da Benedita e Caldas da Rainha.
Alguns trabalhadores ficaram soterrados nos destroços (foto Brandweer Zone Antwerpen)

“É com grande pesar que confirmo que dos três portugueses falecidos, dois eram beneditenses, e há ainda um outro beneditense que se encontra hospitalizado. O terceiro falecido era natural de Santa Catarina [Caldas da Rainha] mas convivia e trabalhava regularmente na Benedita”, transmitiu Paulo Inácio, presidente da Câmara Municipal de Alcobaça.

“Nesta hora de tristeza é com grande consternação que apresentamos as nossas sentidas condolências aos familiares das vítimas”, manifestou, por sua vez, a Junta de Freguesia da Benedita.

Concluídas as operações de resgate, foram contabilizadas cinco vítimas mortais, sendo um dos trabalhadores com dupla nacionalidade – moldava e portuguesa, e outro romeno. Havia ainda nove feridos – quatro romenos, dois ucranianos e outros dois operários cuja nacionalidade ainda não tinha sido confirmada, e um português, que estava no hospital livre de perigo, depois de ter sido alvo de uma intervenção cirúrgica.

Três mortos e um dos feridos trabalhavam para a empresa de decoração de interiores Vaniplic, de Ribafria, Benedita, que tinha sido contratada pela empresa belga Goorden Bouw & Service. Nelson Rosário, o proprietário, que perdeu um irmão neste acidente, foi para a Bélgica a tratar das diligências com a companhia de seguros para trasladar os corpos, o que, mesmo com o apoio da embaixada de Portugal naquele país se prevê possa demorar alguns dias devido à realização das autópsias, ao cumprimento das formalidades relacionadas com a Covid-19 e à disponibilidade de transporte aéreo.

A vítima portuguesa mais jovem é Cristiano Santos, de 33 anos, residente na vila da Benedita. No sábado de manhã, quando ainda era dado como desaparecido entre os escombros, a família estava esperançosa num desfecho feliz. “É esperar e desesperar”, lamentava Ana Rebelo, a mãe, angustiada por saber que o filho tinha o telemóvel ligado, mas sem conseguir contactá-lo.

O filho não tinha vindo a Portugal nas férias da páscoa, mas já tinha contado aos pais que iria regressar a casa em julho. “Ele estava feliz por estar na Bélgica, depois de ter trabalhado num hotel em Ascona, na Suíça”, contou a mãe.

As notícias que chegaram não foram as esperadas. “Já está tudo confirmado. É uma situação muito triste”, desabafou posteriormente o pai, Pedro Santos.

De 35 anos, Carlos Quitério, residente em Ninho de Águia, na Benedita, foi a primeira vítima cuja identidade foi anunciada. Familiares reunidos em casa mostravam-se inconformados e remeteram-se ao silêncio. O trabalhador encontrava-se a viver com a atual companheira na Bélgica e tinha um filho de onze anos de um anterior relacionamento.

António Rosário, de 57 anos, residente em Mata de Porto Mouro, freguesia de Santa Catarina, era o irmão do proprietário da empresa da Benedita que laborava na obra.

O ferido é João Inácio, de 34 anos, que terá saltado dos andaimes onde os trabalhadores se encontravam, de uma altura do quarto ou quinto andar, ao aperceber-se do colapso parcial do estaleiro de construção. Caiu numa caixa de areia, que amorteceu a queda. Aparentemente não ficou soterrado, mas com a queda sofreu ferimentos.

“Continua nos cuidados intensivos mas é considerado estar fora de perigo”, revelou Maria de Lurdes, presidente da junta de freguesia da Benedita e familiar do ferido, cuja evolução clínica antevia poder em breve ser transferido para a enfermaria, onde poderá receber visitas.

“Resta-nos viver este momento difícil e triste em solidariedade com famílias e amigos”, expressou a autarca.

O trabalhador com dupla nacionalidade que morreu tinha 38 anos. O romeno falecido tinha 29 anos.

O acidente ocorreu quando trabalhavam na fachada do edifício, na sexta-feira, por volta das 15h25. O que falhou no processo de construção está a ser averiguado pelas autoridades.

De acordo com a imprensa belga, tratava-se de uma escola primária que a Câmara de Antuérpia queria inaugurar em setembro, no início do ano letivo. Teria espaço para 500 crianças e apresentava uma filosofia bastante diferente das habituais salas de aula, que eram substituídas por grandes estúdios e que poderiam ser divididos em espaços menores conforme as necessidades, num projeto de arquitetura e engenharia arrojados.

A derrocada terá começado no último piso que estava em construção. Paredes e pilares que suportavam a estrutura que viria a servir de telhado cederam, arrastando milhares de toneladas de ferro e betão.

A empresa Vaniplic, que se dedica à montagem de portas interiores, pavimentos flutuantes, tetos falsos, entre outros serviços na área da construção civil, tinha uma equipa de quatro trabalhadores na obra e outra equipa com dois elementos a cerca de um quilómetro de distância, noutra empreitada, que se deslocou ao local ao acidente e foi transmitindo informações para Portugal.

Quer o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, quer o Primeiro-Ministro, António Costa, apresentaram condolências às famílias enlutadas.

O primeiro-ministro belga, Alexander de Croo, enviou a António Costa uma mensagem de condolências às famílias dos trabalhadores que morreram.

O embaixador de Portugal na Bélgica, Rui Tereno, acompanhou a visita do Rei Filipe da Bélgica ao local do acidente.

O Governo português disponibilizou-se para ajudar as famílias das vítimas.

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