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Plano de recuperação do turismo no Centro de Portugal

Campanhas direcionadas ao mercado interno e ao mercado espanhol

Marlene Sousa
8 de Junho, 2021
O JORNAL DAS CALDAS esteve à conversa com o presidente do Turismo Centro de Portugal sobre o futuro da atividade turística, no pós-Covid. Pedro Machado considera que “neste verão já se vai assistir ao início da recuperação, que atingirá números mais expressivos na próxima páscoa”.

JORNAL DAS CALDAS – A 7.a edição do Fórum de Turismo Interno “Vê Portugal”, que este ano decorreu no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha em formato híbrido, contou com várias intervenções. Estas iniciativas servem para planear novas estratégias. Qual a principal conclusão? Pedro Machado: A principal conclusão a que chegámos é que hoje, porventura mais do que nunca, os principais intervenientes na atividade turística estão unidos numa causa comum. O período difícil que este setor atravessa desde o início de 2020 mostrou-nos que era fundamental unirmos esforços para enfrentar a situação. Essa união de esforços foi patente nas muitas intervenções que marcaram o tom deste Fórum, que apontaram todas no mesmo sentido: a crise foi profunda, afetou de forma violenta o setor do turismo, mas há que levantar a cabeça e olhar com confiança para o futuro, procurando adaptarmo-nos à nova realidade pós-covid e aproveitando as oportunidades que vão necessariamente surgir. Temos a certeza de que saímos da magnífica cidade das Caldas da Rainha com melhores condições para enfrentar os dias que aí vêm. O setor do turismo já atravessou crises antes e soube fortalecer-se com elas. J.C. – Estamos a virar a página, depois de dias difíceis. Qual o plano de recuperação para o setor do Turismo Centro de Portugal? P.M.: O plano de recuperação para o Turismo Centro de Portugal é diferente do de outras regiões do país e isso ficou igualmente patente no Fórum. Ao contrário de territórios como o Algarve ou Lisboa, cuja atividade turística depende essencialmente de turistas que chegam de avião, britânicos ou de outras nacionalidades, o Centro de Portugal tem como visitantes mais fiéis os portugueses e os nossos vizinhos espanhóis. Esta circunstância permite que a recuperação possa ser mais rápida. Aliás, assistimos a isso no verão passado, em que, graças aos portugueses e espanhóis, a taxa de ocupação superou as expetativas e houve muitas unidades de alojamento, em especial no interior, com lotação esgotada. O plano de recuperação do Turismo Centro de Portugal passa, assim, por campanhas direcionadas ao mercado interno e ao mercado espanhol. Em 2019, antes da pandemia, os turistas nacionais representaram 56% das dormidas na região, com 4 milhões de dormidas. As dormidas de estrangeiros valeram 44%, com 3,1 milhões. Só por curiosidade, a sub-região Oeste, onde se situam as Caldas da Rainha, foi a segunda com mais dormidas em 2019, com 1,36 milhões, só atrás da Região de Coimbra. Olhando com mais atenção para os números de dormidas de estrangeiros, verificamos que Espanha representa 26%, com 817 mil dormidas. Segue-se França, com 10,8%. Por aqui se vê a importância do mercado interno alargado, como chamamos ao mercado ibérico.

J.C. – No Fórum de Turismo disse que a autonomia do Turismo Centro de Portugal está hoje limitada. Que tipo de descentralização é que defende? P.M.: Defendo exatamente que seja cumprida a Lei 33/2013, que definiu o regime jurídico da organização e funcionamento das Entidades Regionais de Turismo. No primeiro painel do Fórum juntámos à mesma mesa os presidentes de todas as Entidades (Porto e Norte, Centro de Portugal, Região de Lisboa, Alentejo e Ribatejo e Algarve) e todos fomos unânimes em elogiar o espírito da lei. Quando foi criada, constituiu um avanço muito positivo no sentido da descentralização da atividade turística. É uma lei que, de facto, concede autonomia às regiões de turismo para delinearem as estratégias necessárias para o território e para gerirem, de forma integrada, os destinos. Infelizmente, de então para cá, a lei tem sido desvirtuada pela prática. O que se passa é que o poder central impõe às entidades regionais uma série de constrangimentos, orçamentais e não só, que impedem que a lei se concretize. Por exemplo, todos os anos somos impedidos de executar o orçamento aprovado, por cativações e não só.

J.C. – Foi ainda muito crítico da possibilidade de as competências regionais a nível do turismo passarem para a alçada das CCDR. Porque é que não concorda com essa medida? P.M.: Há uma tentação evidente, por parte da tutela, de centralizar a promoção turística em vez de descentralizar. Um caso evidente é a possibilidade que tem vindo a ser avançada de as competências regionais a nível do turismo passarem para a alçada das CCDR. Seria um erro crasso. As CCDR são instituições pesadas, com pouca agilidade e que têm dificuldade em executar os programas de investimento, face aos inúmeros projetos que têm de gerir. Se ainda ficarem com competências no turismo, o problema agravar-se-ia, com consequências muito nefastas para o setor.

J.C. – Qual a expetativa do Turismo Centro de Portugal relativamente ao verão de 2021? Há perspetiva de otimismo para com o futuro próximo na atividade turística? P.M.: Olhamos com otimismo moderado para o verão de 2021. Temos indicadores positivos, que nos deixam antever que irá verificar-se um fenómeno idêntico ao do verão passado. Nessa altura, muitos portugueses, e não só portugueses, olharam para o Centro de Portugal como um destino seguro, um refúgio de tranquilidade no meio de uma pandemia. Um destino onde há espaço a perder de vista, sem aglomeração de pessoas, seja nos areais das praias costeiras, seja no meio da natureza, ou nas aldeias, vilas e cidades da região. A taxa de ocupação no verão passado surpreendeu até os mais otimistas e estamos em crer que este verão segue pelo mesmo caminho. Com um fator extra, que é a vacinação estar a decorrer a um excelente ritmo.

J.C. – Considera que a atividade turística do Centro de Portugal pode finalmente respirar e ver a luz ao fundo do túnel? P.M.: Sem dúvida que sim. Depois de dois anos extremamente difíceis, os resilientes empresários turísticos da região têm motivos para acreditar que o pior já passou. Sabemos que, infelizmente, muitos não aguentaram o embate e tiveram de encerrar a atividade, com consequências para o emprego no setor. Mas agora é altura de ver a luz ao fundo do túnel. A oferta turística do Centro de Portugal continua cá. A pandemia não alterou o produto: as nossas praias, os nossos rios, as nossas montanhas, as nossas aldeias, a nossa gastronomia, os nossos vinhos, continuam tão convidativos como antes. Estou em crer que neste verão já se vai assistir ao início da recuperação, que atingirá números mais expressivos na próxima Páscoa.

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