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Histórias do Termalismo

13. A Oeste algo de novo

Jorge Mangorrinha

EXCLUSIVO

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Há 21 anos, editei o livro “O Lugar das Termas”, no qual está o estudo dos princípios de relação entre Património e Desenvolvimento, com foco nas estâncias do Oeste português (Piedade, Caldas da Rainha, Vimeiro e Cucos).

Defendia eu que a um processo de transformações, pelo qual deveria passar o desenvolvimento das termas, se associasse a evolução do conceito de Estância Termal para Estância de Saúde. E a estratégia de atração do segmento turístico às termas deveria estar subjugada à função terapêutica, promovendo o tratamento preventivo, através do uso dos recursos aquíferos, climatéricos e paisagísticos.

Neste sentido, concluía-se que o modelo de desenvolvimento e de inserção regional das termas passaria pelas seguintes prioridades:

*Criação de parâmetros que permitissem gerir e salvaguardar os espaços e equipamentos termais, nas suas vertentes hidrogeológicas, ambiental, de saúde e turística;

*Necessidade de criação de condições de investimento que permitissem recuperar os patrimónios turísticos termais existentes (adequando-os aos mercados) e dotar as estâncias e as instalações complementares às exigências atuais;

*Consciencialização dos agentes para a adequada articulação da paisagem com a expressão arquitetónica, como bem público, matéria de convicção, espaço simultaneamente de proteção e de afirmação, na medida em que as estâncias foram registadas, desde sempre, em olhares e estados de alma e, por isso, não poderiam perder a sua leitura de referência;

*Necessidade de desenvolver uma análise aprofundada de meios e métodos de animação termal, tendo em consideração a tipologia dos clientes, a formação profissional adequada e as estratégias de atuação;

*Necessidade de realizar ações-piloto, em intercâmbio, no país e no estrangeiro, onde se permitisse fazer o levantamento dos fatores de desenvolvimento, criando modelos que verificassem aplicações e resultados das estratégias predefinidas.

As estâncias, cujos equipamentos de suporte à atividade específica caracterizam o seu território, deveriam ser preservadas, não só numa lógica de nostalgia do passado, mas na afirmação clara de uma vontade de futuro, que passaria pelo incremento de Políticas da Memória, ativas e ousadas. Cada local teria necessariamente as suas referências de memória, que fossem a garantia da sua identidade.

O desenvolvimento passaria por uma gestão eficiente do território, e esta dependeria da qualidade dos projetos e das obras de reabilitação e de transformação, através de arquitetura contemporânea perfeitamente identificada com o espírito do lugar e uma consciência muito grande do equilíbrio entre conservar, renovar e ampliar, mantendo a indispensabilidade de funcionamento dos processos ecológicos e a estabilidade física do território.

As possibilidades de desenvolvimento das termas desta região eram, e são, excelentes e deveriam obedecer a uma integração perfeita entre as estruturas da paisagem: a ecológica e a edificada. Bastaria haver uma concertação de esforços e interesses, por parte das entidades responsáveis pelo seu funcionamento – concessionário (público ou privados), entidades tutelares (municípios e administração central) e dos agentes que atuam em seu torno.

Em suma, o conjunto de ações a desenvolver deveria orientar-se no sentido de preservar os recursos, o património histórico-cultural e o ambiente; contribuir para a criação de um produto termal e turístico de qualidade, tanto em meio rural, como urbano; valorizar a tradição e dinamizar as atividades de lazer; promover os produtos regionais e incentivar a cooperação inter-regional e transnacional.

As termas, em geral, têm estado sujeitas a altos e baixos, mas desde 2004 que se abriram a programas de bem-estar, potenciando uma procura mais diversificada. E a Oeste, não faltam potencialidades específicas que corporizam uma oferta diversificada, pois também a sua localização no litoral abre um aproveitamento terapêutico do mar e do clima e, também, das algas, areias e lamas marinhas. Caldas da Rainha mudou de concessionário, tem fechada parte da oferta de equipamentos termais e espera há vinte anos a classificação como Monumento Nacional ou Conjunto de Interesse Público, definitivamente, cuja Mata foi escandalosamente retirada do processo. Cucos tem fechados os equipamentos, há muitos anos, embora tivesse alcançado a classificação como Conjunto de Interesse Público. Piedade renovou-se, mas só recentemente teve a autorização para usar a água mineral natural. Vimeiro tem prevista a sua reabertura para junho, mas necessita de modernização.

A Oeste algo de novo, mas o caminho tem sido lento.

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