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Carla Moio dedica-se à produção de salgados para sobreviver

Francisco Gomes

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Carla Moio tem 48 anos e trava duras batalhas na sua vida, pois a par de sofrer de fibromialgia, o que a impede de trabalhar normalmente, está em vias de ter de deixar a sua habitação nas Caldas da Rainha, por falta de pagamento do empréstimo bancário. Recorre à produção de salgados para conseguir sobreviver financeiramente.
Carla Moio tem 48 anos e sofre de fibromialgia

Os salgados servem para fazer face pelo menos a algumas despesas, mas Carla Moio está assustada com a possibilidade de ter de ir morar para a rua, porque vai ter de entregar a casa que comprou e que estava a pagar o empréstimo ao banco, o que deixou de fazer por falta de dinheiro.

A história desta caldense é feita de um árduo caminho, em que mesmo lutando contra as adversidades vai aparecendo mais uma, mas Carla Moio não desiste.

Licenciada em Gestão de Empresas, já na altura em que tirou o curso superior confecionava produtos para vender e conseguir algum dinheiro. “Ao fim de semana fazia os básicos camarão, pescada e carne, e a minha mãe vendia durante a semana”, conta, recordando que também fazia algumas horas numa grande superfície comercial. “Era mais um dinheirinho que entrava para ajudar”, indica.

Em 2011 foi diagnosticada como sofrendo de fibromialgia, uma doença crónica caraterizada por dores neuromusculares difusas, “com todas as “primas” doenças auto-imunes que normalmente vêm com a mesma”, acrescenta, confessando que passou a ter “dores físicas horríveis”.

Trabalhava como financeira e conta que “despediram-me apenas e só por causa do nome da doença, pois nenhum motivo tinham para o fazer”.

“Fui vítima de assédio moral. Estive três meses fechada num armazém em pé, sem luz e sem falar com ninguém. No fim não tive alternativa”, desabafa.

“Na altura tinha pouco mais de 40 anos, estava sem emprego, doente e sem poder fazer o que faria em outras circunstâncias – agarrar qualquer coisa. Na minha área não conseguia arranjar e pensei que para além de saber ser comercial, sabia cozinhar”, relata.

“Trabalhei como chef num hotel de 4 estrelas em Óbidos e a maior recompensa era ser chamada à sala para me darem aos parabéns. Mesmo doente trabalhava 18 horas e não pagavam, pelo que vim embora. Mas foi uma experiência brutal das minhas capacidades de cozinha. Era chef sem o ser na realidade”, descreve.

Depois entrou no ramo dos seguros e foi mediadora. “Modéstia à parte era uma excelente comercial, mas receber à comissão exerce uma pressão enorme em termos de objetivos e isso fez piorar a doença, a ponto de quase deixar de andar. A doença avançou. Adorava o que fazia mas não era mais capaz, porque o rendimento não era estável”, manifesta.

Beneficiou desde 2015 do resto do subsídio de desemprego mas o dinheiro não chegou para tudo. “Perdi a minha casa, que comprei aos 25 anos e que estava quase paga, onde vivo ainda hoje e terei de sair e nem sei para onde irei. Apesar de eu já estar doente, isso ainda me deixa mais”, lamenta.

E admite: “O que mais me preocupa é um destes dias ter de sair e não ter para onde ir e não ter como pagar uma renda de casa para mim e para os meus gatos”.

“Embora seja muito duro para mim, não tive outra opção do que pôr mãos á obra e vender algo que sabia fazer, os salgados, para fazer face pelo menos a algumas despesas, uma vez que como perdi a casa e estou em vias de a ter de entregar”, declara.

O foco na necessidade de habitação digna e trabalho foram no fundo o motivo porque iniciou esta atividade e arregaçou as mangas. “É assustador pensar que poderei ir morar para a rua pois não tenho qualquer apoio familiar nesse sentido”, lamenta.

“Sempre adorei cozinhar, gosto que os outros comam a comida que eu faço com paixão e hei-de conseguir, apesar asdificuldades, dar a volta por cima e provar a mim mesma que embora me sinta presa num corpo que não “é meu”, que não me obedece, que me causa dor, que precisaria de outro tipo de trabalho e desafios dentro da minha área académica e profissional, sou capaz de suportar níveis de dor inimagináveis para sobreviver de forma honrada e honesta”, vinca.

“Bom seria se eu ganhasse o suficiente com os rissóis à data que tivesse de sair mas o meu objetivo é encontrar uma casa capaz onde eu possa habitar com os meus gatos e manter esta atividade ou encontrar trabalho na área administrativa de gestão, que não exige muito em termos físicos”, desabafa Carla Moio, que gostava que alguém a pudesse ajudar.

Produção artesanal

Carla Moio descreve que da sua ementa constam “salgados produzidos inteiramente de forma manual sem recurso a qualquer robô de cozinha, recorrendo a ingredientes frescos e de qualidade, sem adição de conservantes ou outros aditivos e entregues minutos depois de terem sido produzidos”.

“Os recheios e os temperos são todos criados por mim”, adianta. Pode-se encomendar salgados de carne de vitela e legumes, almofadinhas de frango com alho francês, rissóis de bacalhau, de berbigão, de camarão, de pescada, de atum, de carne e de bacon com cogumelos, croquetes de carne, pastéis e pataniscas de bacalhau, tortinis de alheira com espinafres, bolinhas mistas ou só queijo e vegan com ou sem queijo.

Os preços são na ordem dos cinco euros a dúzia.

As encomendas podem ser feitas através do Facebook (https://www.facebook.com/carla.moio.549) ou através do telemóvel 966703172. Será acordado com o cliente a hora que os produtos estarão prontos para serem levados.

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