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A importância da saúde mental na pandemia

Marlene Sousa
25 de Fevereiro, 2021
O gabinete de psicologia da União de Freguesias Nossa Senhora do Pópulo Coto e São Gregório realiza dezenas de consultas por semana, número que tem aumentado desde o início do ano letivo, sobretudo de crianças e adolescentes.
A psicóloga Sara Oliveira, do gabinete de psicologia da União de Freguesias Nossa Senhora do Pópulo Coto e São Gregório

Em entrevista ao JORNAL DAS CALDAS, a psicóloga Sara Oliveira fala da importância da saúde mental para o bem-estar e nota mais pedidos de ajuda de crianças “dos 7 aos 10 anos e jovens dos 14 aos 18 anos”.

A decorrer um segundo confinamento e após quase um ano de restrições e cuidados redobrados, Sara Oliveira diz que a Covid-19 está a afetar emocionalmente as pessoas, e utilizou o termo “fadiga pandémica”.

Sublinha que ignorar os sinais de “ansiedade e depressão” é um erro e lembra que as duas psicólogas do gabinete de psicologia da União de Freguesias estão a dar consultas por telefone, videoconferência e, quando necessário, presencialmente.

A psicóloga do gabinete de psicologia da União de Freguesias Nossa Senhora do Pópulo Coto e São Gregório afirma que os adolescentes estão a enfrentar mudanças no dia-a-dia devido à pandemia e podem sentir-se ansiosos, isolados e frustrados. “A vida deles ficou em suspenso por causa da pandemia. Perderam-se os planos com os amigos, mas também o contacto e os afetos”, apontou a técnica, acrescentando que “um ano depois, o cansaço, frustração e tristeza parecem tomar conta dos dias”.

“As crianças e adolescentes estão psicologicamente exaustos”, alerta a psicóloga, referindo que “veem arrastar-se e cancelar-se diversos eventos que normalmente os acompanhavam”.

Numa fase inicial da pandemia havia uma maior leveza, porque a pandemia não era vista da mesma forma”, sublinhou. Agora, segundo a psicóloga, existe mais “medo” porque “sentem a Covid-19 mais próxima”. “Já afetou algum familiar, já aconteceu na própria turma, houve jovens que já estiveram em isolamento profilático porque estavam em turmas em que houve situações positivas, portanto, tiveram que passar muito tempo em casa por obrigatoriedade”.

“Já há um entender diferente e percebem que é importante estar em casa, mas em simultâneo estão a tirar-lhes muitas coisas importantes, sobretudo o afeto, o primeiro namoro, enquanto os adultos pensam noutros problemas, como os problemas financeiros muito complicados, as questões de saúde e de número de mortes”, adiantou.

Quanto aos mais novos, considera “curioso” porque “numa fase inicial viam vantagens porque estavam em casa, tinham mais tempo com os pais e encaravam o confinamento de uma forma mais positiva, uma vez que era tudo uma novidade”. Agora estão “saturados”, já “não viram com muito agrado este segundo confinamento, porque têm saudades dos amigos, e dizem que no intervalo não podem brincar e partilhar coisas com os colegas”. “É muito isto que eles traduzem na consulta e acho que sentem um cansaço transversal em todas as idades, embora se note mais nos adolescentes”, adiantou.

“A vida dos adolescentes ficou em suspenso por causa da pandemia”

Segundo Sara Oliveira, é preocupante ao nível dos jovens, porque existe “uma revolta”. “Sentem que vão perder a adolescência e é-lhes um bocado difícil perceber o que podem e o que não podem fazer”.

“Estabelecer estas regras de segurança é difícil”, referiu, acrescentando que “depois há os conflitos familiares que surgem e que são muito típicos nesta altura”. “Ninguém está a cem por cento perante esta pandemia, há dias que estamos mais irritados e mais ansiosos e acaba por haver este conflito familiar”, alertou.

“Os adolescentes estão frustrados porque não estão a sair à noite, conhecer bares, estas pequenas experiências são todas muito importantes consoante a idade”, referiu a psicóloga.

“Manter-se ocupado e escrever o que pretende fazer logo que a pandemia permita”

Para a profissional, esta é uma fase de ajuste “nas nossas vidas e, ainda que no início possa ser engraçado passar o dia todo de pijama e almoçar mais tarde, a longo prazo a rotina a que não se consegue fugir deixa de ter piada e poderá pôr em causa a nossa saúde mental e bem-estar”.

A psicóloga revelou que costuma dizer aos jovens que além da escola digital “façam listas das coisas que querem fazer e tentem diversificar os dias ao máximo com coisas divertidas”. Por exemplo, “é uma excelente altura para trabalhar num projeto que têm vindo a adiar, fazer uma comida diferente, dançar na sala, entre outros.

No fundo, Sara Oliveira aconselha os jovens a procurar fazer atividades ou os seus hobbies que lhes deem prazer e que consigam desenvolver em casa.

“Um adolescente que já não quer acordar de manhã para fazer a higienização, que já não se arranja minimamente para se sentir seguro e confortável, que está apático e frustrado sem vontade de fazer nada e dorme demasiado e que se isola muito, mesmo da própria família, isso são sinais de alerta”, fez notar.

No entanto, a psicóloga diz que é preciso “conhecer o adolescente e perceber se há mudanças”.

Para Sara Oliveira é muito importante falar da saúde mental porque “passa-nos um bocadinho ao lado, porque são dores invisíveis aos olhos dos outros”. “O apoio e ajuda psicológica tornam-se fundamentais nesta fase de maior isolamento, e em que o colo, o abraço e o afeto são agora realizados à distância”, adiantou.

A psicóloga disse que o gabinete de psicologia nunca parou de dar consultas. “Tentámos adaptar rapidamente para que as pessoas continuassem a ter o apoio, porque achamos que é importante”, informou.

No primeiro confinamento muitas das consultas eram feitas por videoconferência, mas como “havia pessoas que não tinham acesso à internet, demos apoio só por telefone”. Neste segundo confinamento tem algumas consultas presenciais em “situações extremas”. “Há situações que as pessoas estão com questões de intimidade difíceis e não conseguem falar pelo telefone”, contou.

Segundo Sara Oliveira, “a minha pessoa mais novinha de consulta tem 5 anos e a pessoa mais idosa tem 76 anos”. “Os adultos acham que têm que ser muito fortes pelos jovens e nem sempre mostram as emoções”, sustentou a psicóloga.

Outra questão relatada por esta responsável são os pais que estão em teletrabalho em casa com os filhos. “É preciso encontrar um equilíbrio entre a obrigação de manter o seu trabalho à distância e dar a atenção de que o seu filho ou filhos necessitam”, aconselhou, adiantando que “não é uma tarefa simples porque muitos pais não têm tempo para eles próprios”.

Executivo da união de freguesias preocupa-se com saúde mental

Sara Oliveira elogiou o presidente e o executivo da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório pela preocupação “pelas questões da ação social e saúde mental”. “Há um grande investimento no bem-estar dos fregueses e dão-nos espaço enquanto gabinete de psicologia para propor e muitas vezes somos nós que somos desafiados para fazer projetos e palestras diferentes”.

A psicóloga referiu ainda que têm uma plataforma nova para poderem realizar eventos online que promovam a saúde mental e o bem-estar das famílias.

Fazem parte do gabinete de psicologia as psicólogas Sara Oliveira – 910203714 e Sílvia Freitas . 910500872.

O Gabinete de Psicologia da União das Freguesias de Caldas da Rainha – Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório e o CLDS 4G (Contrato Local de Desenvolvimento Social 4ª geração) da Santa Casa da Misericórdia de Caldas da Rainha encontram-se a dinamizar um ciclo de palestras online intitulado “Parentalidade em tempos de Covid-19”, que engloba três sessões. A primeira palestra teve como título a “Gestão do confinamento, com crianças até aos 10 anos” e a segunda, com data a anunciar, será sobre a “Gestão do confinamento dos adolescentes”.

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