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Restaurantes vivem “tempos difíceis”

Mariana Martinho e Francisco Gomes

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Novamente de portas fechadas e sem data prevista para reabrir devido ao prolongamento do estado de emergência para combater a pandemia, pelo menos até abril, leva vários responsáveis de restauração a confessarem ao JORNAL DAS CALDAS que se preveem “tempos mais difíceis para quem está neste setor”, pois não sabem se conseguem continuar a funcionar só com o regime take away e entregas ao domicílio, ou se vão voltar a abrir portas.
O restaurante Botellini continua apostar no serviço de take away

Depois de um primeiro confinamento difícil, restrições no momento de reabertura e, agora, a braços com um segundo confinamento e a incerteza quando poderão voltar a abrir portas, fazem com que o setor da restauração esteja revoltado e passar por “dias difíceis”. É o caso de Marisa Botelho, proprietária do restaurante caldense vegetariano “Botellini”, que abriu há menos de um ano em Caldas da Rainha.

“Nós estamos com uma quebra enorme em termos de clientes, sem falar do custo elevado que temos com as embalagens de take away, pois privilegiamos as embalagens que sejam mais sustentáveis, e isso também tem um custo associado”, lamentou a proprietária, que juntamente com os seus filhos, Simão e Matilde, mantêm o espaço aberto todos os dias, apesar das dificuldades.

Neste momento o espaço está a funcionar apenas com serviço de take away, que já tinha mesmo durante o funcionamento normal, e de entregas ao domicílio na zona das Caldas da Rainha. “Mas não é a mesma coisa”, afirmou Simão, adiantando que “quando tínhamos o restaurante aberto chegávamos a fazer 50/ 50, o que foi bom porque houve clientes que ganharam o hábito de usufruir desse serviço e que agora continuam, mas só esses não chegam”.

Mas os problemas não ficam por aqui. O facto de a restauração não poder vender bebidas, mas outros estabelecimentos poderem fazê-lo não é bem visto, sem falar das obras de regeneração urbana, que se encontram a decorrer em frente ao restaurante. “As obras também nos vieram dificultar ainda mais a vida, pois as pessoas não vêm cá porque não tem onde estacionar ou parar o carro para vir buscar o take away”, alertou o responsável, adiantando que tudo isso e as novas restrições impostas no serviço da restauração fizeram com que o estabelecimento optasse por aderir às plataformas de entregas de refeições como Uber Eats e Glovo.

“Essas empresas vieram facilitar aquilo que nos não estávamos a conseguir fazer, mas tem outro custo”, apontou a responsável, afirmando que “esta imposição nos obriga a fazer coisas que nunca imaginávamos que iriamos fazer”.

Com as restrições, os restaurantes são obrigados a encerrar portas às 20h nos dias úteis e às 13h no fim de semana, ficando assim o serviço de take away proibido a partir desse horário, o que “também contribuiu e muito para a quebra acentuada na faturação do restaurante”. “Ao almoço verifica-se um decréscimo de pedidos e ao jantar nem se fala”, afirmou Marisa Botelho, adiantando que “nota-se muito a quebra comparativamente a outros meses”.

Apesar da situação o Botellini está a tentar manter o barco mesmo com prolongamento do confinamento, com serviço de entregas através de encomendas por telefone e redes sociais, a criação de um novo produto, o “Confin Burguer” e de uma nova ementa “mais prática, mas com a mesma qualidade como se fosse no restaurante”, e ainda a mercearia online. “Além do serviço de entregas decidimos apostar na venda online de uma série de produtos, que são vegetarianos e que temos tanto para o nosso consumo como para venda”, explicou.

Ou seja, “não paramos de inventar coisas nas redes sociais e estamos sempre a adaptar e ser criativos, de modo a conseguir levar isto para a frente”.

Questionada sobre os apoios, Marisa Botelho contou que “nós nunca podemos concorrer porque querem comparar a fatura com o ano anterior, e nós não temos nada para mostrar, pois só abrimos em julho do ano passado”. Portanto, “nós não podemos pedir apoios a nenhuma entidade”.

A essas críticas junta-se o layoff e a falta de apoio à restauração local. “Nós somos das Caldas e partilhamos nas nossas redes sociais que apoiamos o comércio local, mas depois enchemos outras cadeias de restauração, o que é ridículo”, apontou Simão, referindo que “também é obrigação por parte dos caldenses de lutar e apoiar os restaurantes locais, e encomendando dentro daquilo que são as possibilidades de cada um”. “As pessoas não têm noção, mas se cada um encomendasse um prato em cada restaurante local já fazia toda a diferença”, referiu.

A par disso, a proprietária do restaurante manifestou que se sente “injustiçada em relação alguns setores, que continuam abertos”.

Para já, a sobrevivência do espaço não é posta em causa, mas Simão lembra que o futuro é incerto. “As pessoas ainda não recuperaram do primeiro confinamento e já estamos a viver o segundo, por isso também acredito que esteja a começar a ficar muito pesado na carteira de toda a gente”.

No caso do Botellini, a proprietária sublinha que “nós já estamos para lá das nossas forças, sem falar que financeiramente será terrível. Eu estava com a perspetiva que fosse até ao final de fevereiro, agora março e abril vai ser desastroso, pois é uma carga pesadíssima que estão a impor às pessoas”.

A certeza é esta: “Quanto mais tempo se alongar, mais negócios vão acabar por colapsar e a situação vai ficar ainda mais desastrosa”.

“Uma dor de cabeça diária que faz perder o sono”

A perspetiva dos restaurantes e cafés permanecerem fechados ao consumo presencial até abril, devido à pandemia, agrava a luta diária dos proprietários pela sobrevivência financeira. A medida causa desagrado a um restaurante no IC2, na Venda das Raparigas, na Benedita, que tinha nos muitos camionistas que passam nesta estrada entre Lisboa e Porto a principal fonte de receita, mas a funcionar agora apenas com take away a redução do movimento foi drástica. A prolongar-se a medida até abril será o caos.

“Já está tudo péssimo e vai ficar ainda pior. Não sei como vamos conseguir sobreviver. É viver um dia de cada vez”, declarou Maria do Céu, proprietária do Restaurante Venda das Raparigas.

“Muitos camionistas ao saberem que têm de comer no camião, optam por trazer de casa. Também tínhamos muitos clientes a pedir café e agora não podem”, contou.

Este restaurante tem três funcionários e “provavelmente vamos mandar algum para casa, porque com estas medidas não vão ser precisos. Também não sei se nos vamos manter abertos, porque o mais provável é não aguentarmos”, relatou Maria do Céu.

“Temos muitos menos clientes e as contas no final do mês não deixam de aparecer”, vincou.

As imposições da luta contra a pandemia deixam a proprietária à beira de um ataque de nervos, apesar de compreender a necessidade de algumas restrições, mas não todas. “Acho que não precisavam de exagerar. Podíamos vender cafés, águas e sumos, produtos que acabam por adquirir nos supermercados”, sustentou.

Esta empresária diz que a situação é uma dor de cabeça diária que lhe faz perder o sono.

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