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Cancro colo-rectal: O diagnóstico e o tratamento não podem esperar

Raquel Camacho Abreu, cirurgiã geral no Hospital CUF Torres Vedras e Clínica CUF Mafra

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O cancro colo-rectal é um dos cancros mais frequentes em Portugal e com elevada mortalidade, só em 2020 surgiram 10.270 novos casos diagnosticados em Portugal. Sendo o segundo cancro mais frequente no homem (depois do cancro da próstata) e na mulher (depois do cancro da mama), ocupa o primeiro lugar em termos de mortalidade.
Raquel Camacho Abreu, cirurgiã geral no Hospital CUF Torres Vedras e Clínica CUF Mafra

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Oncologia, o impacto da pandemia causou uma quebra de 60 a 80% nos novos diagnósticos de cancro e, segundo estimativas da Liga Portuguesa Contra o Cancro, muitos doentes com cancro ficaram por diagnosticar em 2020, devido à redução dos rastreios resultante da pandemia por Covid-19.

Importa alertar que outras doenças para além da Covid-19 continuam a existir e a ter impacto na vida de muitos portugueses – o cancro colo-rectal é uma delas.

O cólon e o recto fazem parte do tubo digestivo e são também conhecidos como intestino grosso (o cólon é a primeira porção do intestino grosso e o recto é a segunda porção que termina no ânus). O intestino grosso tem como função absorver água e nutrientes e conduzir as fezes para fora do organismo, através do ânus.

Existem vários factores de risco para o Cancro Colo-Rectal: Pessoas com mais de 50 anos; História familiar de Cancro do Cólon ou do Recto; Alterações genéticas; Doença de Crohn ou Colite Ulcerosa; Obesidade; Sedentarismo; Fumadores; Consumo diário de bebidas alcoólicas; Consumo regular de alimentos fumados, como por exemplo o presunto e o chouriço; Dieta pobre em fibras e legumes frescos.

Alguns destes fatores não podem ser alterados, mas outros são modificáveis. Desta forma podemos baixar o risco para o aparecimento do cancro colo-rectal adoptando um estilo de vida saudável, com a prática de exercício físico, controlo do peso e uma dieta diversificada e rica em fibras, fruta e legumes frescos.

Sintomas mais frequentes

Este tumor provoca perdas de sangue no intestino que nem sempre são visíveis, como tal, os doentes com cancro colo-rectal inicialmente podem ter apenas queixas vagas de cansaço por terem anemia. Os sintomas mais comuns são a perda de sangue nas fezes, a alteração do padrão habitual de funcionamento do seu intestino com prisão de ventre ou diarreia, a perda de peso, o desconforto abdominal e ter falsas vontades para evacuar.

Em alguns casos, as queixas podem ser súbitas e manifestar-se apenas quando o tumor obstruir a passagem das fezes através do intestino grosso. Nesta situação o doente pode ter queixas súbitas de náuseas e vómitos, barriga inchada com dor e prisão de ventre sem emissão de gases.

Apesar de vivermos actualmente num contexto de pandemia, é importante que se mantenha atento aos seus sintomas, em caso de suspeita procure o seu médico. Se realizou exames que ainda não mostrou ao seu médico, deverá fazê-lo o quanto antes.

Importância do diagnóstico precoce

O cancro colo-rectal, apesar de ser o cancro que provoca mais mortes na Europa, pode ser prevenido com o diagnóstico precoce, o que reforça a importância do rastreio deste tumor apartir dos 50 anos, com a pesquisa de sangue oculto nas fezes.

O diagnóstico do cancro colo-rectal é feito através de uma colonoscopia total, realizada com anestesia. Este exame permite visualizar o interior do intestino grosso e pesquisar a existência de polipos ou tumores do intestino. Na presença de alguma alteração do intestino realizam-se biópsias durante a colonoscopia para ter a certeza do diagnóstico.

O cancro colorretal inicia-se com o aparecimento de polipos, que são saliências na parede do cólon ou do recto, resultante do crescimento dos tecidos por multiplicação das células. A maioria dos polipos são benignos (polipos hiperplásicos), no entanto alguns polipos crescem com alterações (adenomas) que degeneram em cancro após alguns anos. Inicialmente os polipos não são malignos e podem ser removidos por colonoscopia, prevenindo o aparecimento do cancro.

Após o diagnóstico do cancro colorretal são necessários outros exames para determinar a extensão da doença (estadiamento), nomeadamente:análises de sangue e exames como uma TAC ou uma Ressonância Magnética, dependendo da localização do tumor.

Tratamento

O tratamento do cancro colo-rectal depende de vários factores, como o estadiamento da doença e as outras doenças que o doente possa ter. Habitualmente a estratégia do tratamento é discutida numa reunião multi-disciplinar com Oncologistas, Cirurgiões, Imagiologistas, Gastroenterologistas e Radioterapeutas.

O cancro do cólon precoce pode ser tratado por colonoscopia. Para um cancro do cólon mais avançado o tratamento mais comum é a cirurgia, em que se retira a parte de intestino grosso com tumor e uma parte saudável (como margem de segurança) e retiram-se também alguns gânglios junto ao tumor, que são importantes para o estadiamento da doença. Durante a cirurgia verifica-se o fígado para pesquisar tumores à distância (metástases).

O tratamento do cancro do recto pode ser mais complexo, uma vez que este tumor tem um comportamento diferente do cancro do cólon. O cancro do recto precoce pode ser tratado por colonoscopia. No cancro do recto mais avançado pode ser necessário fazer quimioterapia e radioterapia inicialmente e só depois fazer a cirurgia.

O tempo é crucial para o tratamento do cancro colo-rectal. Um cancro diagnosticado numa fase precoce pode ser curado com remoção do tumor permitindo uma vida normal, enquanto um cancro diagnosticado numa fase tardia após metastização vai comprometer a vida do doente e necessita tratamentos mais agressivos com menor possibilidade de cura.

Morrem todos os dias, em média 11 portugueses vítimas do cancro colo-rectal. Esteja atento aos seus sintomas e consulte o seu médico assistente.

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