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Estudantes concordam com fecho das escolas mas estão preocupados com exames

Marlene Sousa

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Antes do Governo anunciar, no dia 21 de janeiro, o fecho oficial de todas das escolas, o seu encerramento esteve em discussão. O país dividiu-se entre os que queriam escolas abertas e os que queriam que encerrassem. Em entrevista ao JORNAL DAS CALDAS os presidentes das associações de estudantes de algumas escolas das Caldas concordam que a decisão de encerrar as escolas foi tomada no momento certo. O facto de não haver aulas à distância surpreendeu alguns alunos.
Solange Vieira, presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundaria Raul Proença

João Baiana, de 19 anos, do curso Técnico de Apoio à Gestão Desportiva, que é presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, concorda com o fecho das escolas, sublinhando que “há várias turmas e dezenas de estudantes em isolamento profilático”. Na sua opinião, dado o aumento exponencial de infetados nas Caldas e noutros concelhos “já não havia condições de manter as escolas abertas até porque o nosso hospital está em rutura e há que ter consciência da gravidade da pandemia”.

Considerando a escola um local seguro, o problema é, segundo João Baiana, “no seio familiar e fora das portas do estabelecimento, uma vez que é sabido que a camada jovem representa o maior número de infeções diárias”.

No entanto, lamenta a crise provocada pela pandemia, com consciência de que “escola fechada não movimenta o negócio local, mas a saúde está acima de tudo”.

Quanto a não haver aulas online o presidente da associação de estudantes diz que “se for só duas semanas não acho que haja problema. Se for mais começa a ficar apertado para dar a matéria toda para os exames e os alunos que estão nos cursos profissionais fazerem a sua Prova de Aptidão Profissional (PAP)”.

Já a presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundaria Raul Proença, Solange Vieira, de 17 anos, disse que quando receberam a informação que não iriam ter aulas online ficaram satisfeitos porque “sabemos que vamos retomar as aulas presenciais”, que considera “serem melhores para a preparação para os exames”. Espera que as aulas “sejam compensadas nas férias da Páscoa”.

Concorda com a medida do Governo, na medida que é “justo para todos os alunos, uma vez que muitos não têm computador e acesso à internet”.

Estando no décimo segundo ano no curso de Línguas e Humanidades está preocupada com os exames e as notas porque “é um ano muito importante para quem quer candidatar-se à universidade”.

No seu entendimento, o Governo seguiu as “opiniões e sugestões dos especialistas e não havia outra solução senão o encerramento das instituições de ensino, garantindo a segurança de todos”.

Também Letícia Bento, de 17 anos, no curso de Turismo, presidente da Associação de Estudantes da Escola Técnica Empresarial do Oeste (ETEO), concorda com o fecho das escolas para proteger “as nossas famílias”. Com esta medida, o objetivo principal “é isolar todo o sistema escolar”, já que, “não havendo aulas, evita-se que as pessoas sejam forçadas a sair de casa”.

Revela que ficaram “surpreendidos por não haver aulas online”. Concorda com a decisão “porque todos preferem as aulas presenciais”. “Se ficarmos fechados mais de duas semanas então acho que devíamos iniciar as aulas à distância”, apontou, acrescentando que o que é mais complicado nos cursos profissionais é “a formação em contexto de trabalho”.

Também salientou o problema dos alunos que não têm “as condições necessárias para ter aulas online”, dando o exemplo de que só na sua turma “há três alunos que não têm computador”.

O que acontece depois dos15 dias?

José Bettencourt, vice-presidente da Associação de Pais do Agrupamento de Escolas Raul Proença, concorda com o fecho das escolas, revelando que havia uma grande “inquietação por parte dos pais que, ansiosos com o aumento de infetados nas Caldas, já tinham dúvidas em enviar os filhos para a escola”. “Aliás, na quinta-feira houve encarregados de educação que decidiram não enviar os alunos para as aulas”, contou.

Também foi uma surpresa para este responsável não haver aulas à distância, mas aceita “devido à desigualdade que provoca aos alunos que não têm condições”.

“As crianças ficarem em casa não será bom, mas obviamente que, para qualquer decisão que tenha de ser tomada, têm de ser pensados os riscos e os benefícios”, salienta José Bettencourt, que considera que nestas duas semanas as escolas “têm tempo para se organizarem para as aulas à distância caso não haja condições sanitárias para voltar à escola”.

Peter Duivenvoorden, presidente da Associação de Pais da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, concorda com o “fecho de escolas” e é da opinião que “deveriam ter encerrado quando foram anunciadas as medidas do segundo confinamento”. “Se não fossem as eleições as escolas já estavam fechadas há mais tempo”, declarou.

Também acha bem a interrupção sem aulas online, mas tem receio de que as escolas estejam fechadas por mais de que duas semanas.

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