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Congresso Frutos 2020

“Sustentabilidade e inovação, fundamental na agricultura em Portugal”

Marlene Sousa

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O secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Nuno Russo, que participou no encerramento do Congresso Frutos 2020, dedicado à temática "Inovação e estratégia para a fruticultura nacional", disse que o ministério da Agricultura, atento ao contexto atual, reforçou um conjunto de medidas excecionais e temporárias relativas à epidemia do coronavírus, no âmbito da operação “Cadeias Curtas e Mercados Locais”, da Medida Leader do PDR 2020, com o objetivo de “promover e agilizar os canais de comercialização de produtos alimentares locais entre produtores e consumidores, alargando as possibilidades de escoamento da produção”.
O secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Nuno Russo

O governante realçou ainda a criação de plataformas online, como foi o caso do portal “Alimente quem o Alimenta”, seguido de “dezenas de projetos que acabaram por ter um efeito positivo na capacidade de fornecer produtos que ficaram sem canal de comercialização”.

Ainda no contexto da pandemia que provocou perturbações financeiras no setor, Nuno Russo referiu que entendeu a Comissão Europeia ser necessário aliviar “essas dificuldades e no que respeita aos setores das frutas hortícolas aprovou um conjunto de exceções referentes ao ano 2020 para fazer face à crise provocada pela Covid-19”.

O secretário de Estado da Agricultura destacou o crescimento das exportações do setor agroalimentar. “Em resumo, a agricultura não parou e o Ministério da Agricultura também não”, salientou, acrescentando que demonstram, mais uma vez, “a eficácia da partilha de decisão em enfrentar e vencer os desafios”.

O governante salientou a necessidade de Portugal e a União Europeia poderem estar mais resilientes para os riscos das alterações climáticas e para o investimento em inovação”.

Foi na sessão de encerramento do congresso que decorreu online e que teve cerca de 450 inscrições que o governante deixou o desafio de participarem no processo de consulta pública alargada do Plano Estratégico de Portugal no âmbito da Política Agrícola Comum (PEPAC) para o período 2023-2027, cujo prazo foi alargado para o dia 8 de janeiro de 2021. “Constitui uma oportunidade para o país melhorar as suas respostas aos desafios inerentes a uma produção agrícola acessível e adequada para todas as pessoas, contribuindo para a resiliência do território enquanto preserva a biodiversidade e o clima. Para que tal aconteça, o desenvolvimento do PEPAC deve ser participado”.

O responsável afirmou que a agenda de inovação para a agricultura 20-30 tem como propósito fazer crescer o setor de forma “sustentada e baseada na inovação”. “Isto será possível defendendo uma sociedade mais consciente da sua alimentação e bem-estar, protegendo o planeta e valorizando os seus recursos naturais, apostando numa cadeia de valor inovadora e competitiva e contando com o Estado que promove o seu desenvolvimento”, apontou.

Daí existirem na agenda de inovação duas iniciativas emblemáticas: “Uma a exequência da organização da produção, porque queremos reforçar a posição dos agricultores na cadeia de valor e terá como objetivo contribuir para uma melhor coordenação e organização da produção, valorizando os nossos produtos agroalimentares”.

A outra é, segundo o governante, a “promoção dos produtos agro-alimentares, que terá como objetivo sensibilizar os consumidores no território nacional para a importância de consumir produtos agroalimentares com selo nacional e ainda aumentar a notoriedade e reputação dos produtos nacionais nos mercados internacionais”.

Nuno Russo elogiou o congresso que a Câmara Municipal das Caldas promoveu, uma vez que não se realizou este ano a 5ª edição da Feira Nacional de Hortofruticultura, que “contribuiu para o lançamento de novas estratégias inovação e competitividade indispensáveis à modernização do sector”.

Durante a sessão o governante anunciou uma notícia de última hora, revelando que o vencedor da 8ª edição do Concurso Nacional de Jovens Agricultores foi um produtor de maçã de Alcobaça das Caldas da Rainha.

“Pera rocha já não é o que era há alguns anos”

O Congresso Frutos 2020 contou com um painel de oradores nacionais e internacionais de reconhecido mérito, e foi uma oportunidade de demonstração e divulgação dos trabalhos e resultados obtidos no âmbito dos grupos operacionais, que em muito contribuem para mitigar os problemas da fruticultura e abrir caminhos para o desenvolvimento sustentável da mesma. A primeira parte foi mais dedicada às tecnologias de produção e a segunda aos parâmetros de qualidade à colheita. Uma iniciativa muito baseada “nos grupos operacionais na medida de inovação do PDR 20/20, que é uma medida muito ajustada à inovação aplicada e tem a vantagem de juntar no mesmo formato a organizações de produção e entidades de conhecimento científico”, disse Maria do Carmo Martins, secretária geral do Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional Centro de Competências.

Ana Cristina Rodrigues, coordenadora técnico-científica do “The RochaCenter” – Núcleo de Pós-Colheita e Tecnologia, um agrupamento complementar de empresas que tem por objetivo a prestação de serviços para o aperfeiçoamento de tecnologias de pós-colheita da Pera Rocha, evidenciou a importância do “sabor e conservação”. A oradora não deu uma lição sobre “aquilo que é a pós colheita”, mas fez uma síntese daquilo que “tem sido feito sobre os seus problemas e um pouco dos desafios” que lhes “são colocados naquilo que é a investigação necessária”.

Realçou a necessidade de “voltarmos a ter tecnologias que nos permitam valorizar a qualidade que está associada aos frutos”. “Todos nós estamos fartos de ouvir falar que a pera rocha já não é o que era há alguns anos, portanto, temos que pensar seriamente naquilo que é a rainha das nossas exportações hortofrutícolas e como é que nós podemos valorizá-la e fazer com que ela volte a ter aquilo que são as suas caraterísticas intrínsecas”, apontou.

Na sessão de abertura, José Lacerda Fonseca, diretor da Direção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo, disse que neste momento da evolução tecnológica não “podemos esquecer a inovação que está na base de tudo”. “Temos finalmente uma inovação que está a orientar os esforços do Ministério da Agricultura e é uma oportunidade histórica para pensarmos em conjunto de como podemos levar essa inovação para o mercado”, adiantou.

O responsável alertou para as novas exigências a nível ambiental, defendendo uma agricultura mais sustentável. “O investimento em inovação é crítico para o futuro da agricultura. Temos de produzir mais num contexto em que os recursos escasseiam e as alterações climáticas nos colocam novos desafios”, acrescentou.

O vereador do Município das Caldas, Hugo Oliveira, frisou o relançamento da Feira Nacional Hortofrutícola no Parque D. Carlos I, que resultou da necessidade de uma feira enquanto festa em agosto, e havia também a necessidade de organizar um congresso para discutir a inovação e a estratégia do sector.

450 inscrições no Congresso Frutos 2020

A Câmara Municipal das Caldas da Rainha, entidade promotora da “Frutos – Feira Nacional de Hortofruticultura”, não podendo realizar este ano a sua 5ª edição, devido à situação epidemiológica da Covid-19, optou por organizar um evento mais técnico e direcionado à produção, em particular ao setor hortofrutícola. O evento foi totalmente online, daí que não houve nenhum interveniente no CCC, exceto o apresentador, José Ramalho, e o presidente da Câmara das Caldas, que encerrou a sessão.

Tinta Ferreira recordou a feira da fruta, uma grande tradição que nasceu no final dos anos 70. “Tinha como atualmente a componente de mostra de produtos numa região com grande impacto do ponto de vista da produção e era também um evento de sucesso que trazia grande animação em termos de espetáculos”.

O autarca destacou o facto de o Município ter reeditado a Feira dos Frutos e também a “valorização da marca fruta e hortícolas, mas também a produção de conhecimento científico e inovação”.

Salientou o sucesso do primeiro Congresso Frutos, que teve como objetivo promover um “espaço de apresentação, divulgação científica e tecnológica e debate, contribuindo para o lançamento de novas estratégias e maior competitividade, indispensáveis para a modernização e o desenvolvimento da fruticultura no futuro, ajudando a promover um setor agrícola mais sustentável e resiliente”.

Referiu que há condições para realizar uma 2ª edição, uma vez que tiveram 24 comunicações associadas a 21 projetos de fruticultura e 16 vídeos que estão disponíveis no site do congresso da Frutos. Entre moderadores e oradores foram cerca de 30 pessoas, todas em formato online.

Houve 450 inscrições. Todos os inscritos vão receber uma pen com a documentação e conclusões do congresso.

Esta iniciativa foi organizada pela Câmara Municipal das Caldas da Rainha com o Centro Operativo Tecnológico Hortofrutícola Nacional-Centro de Competências, Instituto Nacional de Investigação Agrária, Direção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo, Frutalvor, Centro de Gestão Agrícola de Alvorninha, Associação Nacional de Produtores de Pera Rocha, Associação dos Produtores de Maçã de Alcobaça e em parceria com a Associação Portuguesa de Horticultura.

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