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Profissionais de saúde caldenses alertam

“As principais medidas para enfrentar a pandemia partem da base comportamental”

Marlene Sousa

EXCLUSIVO

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O ritmo de casos de infeção pelo novo coronavírus aumentou no país. O cenário na região Oeste também está a ficar preocupante. A 12 de outubro registaram-se 448 casos ativos, mais nove do que no dia anterior. O JORNAL DAS CALDAS falou com dois profissionais caldenses que estão envolvidos na luta contra o coronavírus. Um deles é Vítor Hugo Cabral Veríssimo, médico interno de formação especializada em Saúde Pública, a exercer funções na Unidade de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde de Lisboa Central. O outro é Constantino Pereira Caetano, mestre em bioestatística, bolseiro de Investigação no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.
Vítor Veríssimo defende que se utilize máscara em espaços ao ar livre com grande afluência

Segundo Vítor Veríssimo, “a evolução da curva da pandemia é preocupante e, por enquanto, os números vão continuar a aumentar e é preciso travá-los”, contudo, “não deve criar-se um medo que paralise o país porque o simples aumento do número de casos não é indicativo de que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) vai entrar numa situação de rutura”.

Constantino Caetano diz que “na verdade, estamos a caminho de um terceiro pico no número de novos casos diários, de acordo com o relatório mais recente do departamento de epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

Será que o SNS já foi exposto a uma prova de stress extremo ou ainda está para acontecer? Vítor Veríssimo, explica que na fase inicial da atividade epidémica da Covid-19 em Portugal pode-se afirmar que “o SNS foi testado”. “Tratava-se de uma infeção recente em todo o mundo, da qual se pouco conhecia e que envolveu medidas extraordinárias para tentar conter o melhor possível este problema”, afirma.

De acordo com o médico de saúde pública, o stress extremo acontece quando um “sistema não se consegue adaptar a uma nova realidade e está prestes a colapsar”. “No nosso caso, e apesar de nem tudo ter sido (nem estar a ser) perfeito, não podemos afirmar que se tenha entrado em rutura ou em colapso”, manifesta. “Obviamente hoje verificamos que existem respostas a certas patologias que foram atrasadas e que o período de verão trouxe uma mortalidade superior ao normal, mas as falhas que são detetadas são depois estudadas a fundo e há uma tentativa de as melhorar”, adianta.

O profissional de saúde das Caldas afirma que estão também já em curso “as estratégias a aplicar no período de outono/inverno, precocemente, e numa tentativa de tornar o SNS mais resiliente e com consideração aos desafios que os períodos de frio e de gripe acarretam todos os anos no nosso país”. Quanto aos hospitais terem capacidade para responder a esta pandemia, Vítor Veríssimo sublinha que nem tudo está dependente dos hospitais.

“Se o serviço (e o sistema) nacional de saúde se conseguir adaptar às constantes necessidades para dar resposta ao número de casos que vão surgindo, reforçando-se os meios para quebrar as cadeias de transmissão e reforçando a possibilidade de tratar a maioria dos infetados no domicílio, há espaço para os hospitais manterem a capacidade de resposta”.

“Todos os elementos do sistema, e em especial destaque as equipas de saúde pública e de medicina geral e familiar, têm de responder como um só para se evitar que a afluência aos hospitais seja tal que esgote a capacidade de receber doentes”, sustenta.

O médico aponta que “as principais medidas para enfrentar a pandemia partem da base comportamental e todos nós estamos constantemente a ouvi-las”. “Sabemos que a etiqueta respiratória e a higiene das mãos são importantes, que o distanciamento físico é chave e que a higiene dos espaços também é fulcral”, acrescenta.

No entanto, salienta que falta “perceber em que medida estamos a falhar para que todos nós, em algum momento, negligenciemos cada um destes pontos – quer seja em momentos de convívio com familiares, quer com amigos”. O profissional de saúde caldense considera que temos de “reforçar a noção de que todos os momentos de descontração são potenciais momentos de risco”.

Usar máscara ao ar livre em locais com grande afluência

Vítor Veríssimo defende a utilização de máscara mesmo ao ar livre, afirmando que é das melhores “barreiras que temos ao nosso dispor para evitar a disseminação de gotículas e, assim, a transmissão de vírus entre indivíduos”. “Em espaços com grande afluência/circulação de pessoas, é prudente que se utilize a máscara, mesmo que ao ar livre. Os grupos devem reunir-se com máscara e mantê-la sempre que possível”, refere.

Quanto aos comportamentos seguros que devemos ter em casa, o médico faz notar que se os convívios “num ambiente ao ar livre não forem possíveis, e se se decidir ficar por ambientes interiores, há alguns fatores em consideração, como preferir espaços bem ventilados, em que a distância de pelo menos dois metros esteja salvaguardada e em que se utilize regularmente a máscara”.

Vítor Veríssimo diz que as “visitas devem ser encurtadas e os momentos de refeição (em que não se utiliza máscara) deverão ser evitados”. Para além disto, “devemos ter sempre em consideração a higienização das superfícies”.

Ao ar livre, o profissional de saúde refere que “podemos reunir com a família e amigos com maior tranquilidade, mas também não é isento de riscos, motivo pelo qual se deverá, mesmo nestas condições, optar pela manutenção do distanciamento físico de dois metros e sempre que possível utilizar máscara”.

Quanto a quem deve tomar a vacina da gripe, o médico de formação especializada em saúde pública, explica que todos os anos “são estudados os grupos de risco que maiores benefícios obterão com a inoculação da vacina”. “Portugal é exemplo disso e anualmente se revistos os critérios daqueles que são os grupos prioritários, bem como a partir de que idades se deve vacinar contra a gripe (geralmente é utilizado o critério dos 60 anos, com especial foco a partir dos 65)”, apontou.

Vítor Veríssimo considera que os jovens têm um papel importante a desempenhar para controlar a pandemia no país. “Há algo de especial na forma como os jovens que estão a trabalhar nesta área procuram constantemente inovador e encontrar novas soluções, especialmente com recurso ao mundo digital. São ágeis e não possuem um olhar “enviesado” sobre como epidemias anteriores foram tratadas”, salienta.

Também Constantino Caetano acha que os novos profissionais estão a desenvolver “conhecimentos e capacidades no país para lidar com surtos e epidemias no futuro”.

Vítor Veríssimo nasceu em Lisboa, mas mudou-se para Caldas da Rainha aos 10 anos. Completou na Escola Secundária Raul Proença (do 7º ao 12º ano de escolaridade) os seus estudos secundários e depois ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa em 2010 e por isso considera-se caldense.

Constantino Pereira Caetano é natural das Caldas, mestre em bioestatística e licenciado em matemática.

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