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Marco José

Cavaleiro caldense celebra 25 anos de alternativa

Joaquim José Paparrola / Bruno Alexandre Paparrola

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No ano em que comemora um quarto de século de alternativa como cavaleiro tauromáquico, Marco José faz um balanço da sua carreira. “A minha carreira foi construída com muita entrega, ilusão, esforço e sentido de responsabilidade. Tive a felicidade de ter ao meu lado os melhores”, manifestou o caldense, de 44 anos.
O cavaleiro natural das Caldas da Rainha, Marco José

JORNAL DAS CALDAS – 25 anos de alternativa como cavaleiro tauromáquico, que balanço faz deste quarto de século nas arenas?

Marco José – São 25 anos muito bonitos como cavaleiro tauromáquico profissional e 34 anos como cavaleiro tauromáquico, onde me dediquei com amor, paixão, ambição, entusiasmo, humildade, dedicação e muita entrega. São 25 anos dedicados ao toureio a cavalo, onde todos os dias se aprende e onde estão guardadas histórias e momentos únicos. Este quarto de século nas arenas foi uma escola de vida, uma profissão, onde todos os dias acordava e me deitava a pensar nos cavalos e nos touros. Este quarto de século tem sido uma escola de vida, vivida com muita ilusão, sacrifícios e abdicando de algumas coisas. Aprendi a ser responsável, a ter humildade e a saber conviver com tudo e todos. Foram anos diferentes dos que se vivem hoje.

Existia uma cultura tauromáquica e quem geria as praças e representava os toureiros tinha sensibilidade, respeito e gosto pelo que se fazia e por quem representava, (havia amor à camisola). Hoje é diferente, pese embora alguns poucos manterem aquela caraterística. O balanço que faço destes 25 anos é muito positivo pois parti do zero, sem antecedentes taurinos na família, e consegui atingir e realizar muitíssimos sonhos e desejos pessoais. 25 anos triunfando e sempre no ativo. Trabalhei com os melhores e tive a felicidade de ter ao meu lado os melhores. Sempre presente o apoio familiar dos pais, irmã, esposa e filhos como uma retaguarda sólida e forte. Grandes amigos que partilharam comigo grandes e únicos momentos, fazendo parte do meu dia-a-dia e da minha equipa.

J.C.- A carreira que teve até este momento foi aquilo que desejou ou podia ter sido melhor?

M.J. – A carreira que tive foi construída com muita entrega, ilusão, esforço e sentido de responsabilidade. Uma carreira como desejei, com momentos bons e outros menos bons, mas sempre pronto para dar o melhor e não defraudar o público aficionado e todos que em mim acreditam. Quero e procuro sempre mais pessoalmente e profissionalmente.

J.C.- Ainda se lembra onde iniciou a carreira como cavaleiro (praça), como foi o antes e depois dessa primeira vez?

M.J.- A minha primeira corrida e apresentação ao público foi na Batalha em 1986, uma praça desmontável no recinto da feira. O antes foi vivido com muita ansiedade e muito entusiasmo, de uma forma muito pessoal e com um sonho enorme. Depois, vieram as certezas do que queria para mim, como jovem artista e como pessoa. Comecei a trabalhar cada vez mais, com o pensamento em ser figura e com metas definidas, abdicando de outras atividades e da minha juventude.

J.C- De tantos cartéis de que fez parte, qual foi o que se sentiu o grande triunfador ou a melhor atuação?

M.J. – Tive grandes atuações e grandes triunfos que me marcaram e fizeram crescer.

Toureei corridas muito fortes e com as maiores figuras do toureio a cavalo, designadamente com o Paulo Caetano, meu padrinho de alternativa, com o João Moura e Pablo Hermoso de Mendonça, meu padrinho de alternativa em Espanha. Tive enormes triunfos, em inúmeras praças, onde posso realçar, de entre outras, as praças de Reguengos de Monsaraz, de Alcácer do Sal, Vila Franca, Caldas da Rainha, Nazaré, Campo Pequeno, Viana do Castelo e, fora de Portugal, grandes triunfos em Madrid (Espanha), França, Califórnia, América e México. Lidei seis touros da ganadaria Grave a sós, na Praça Palha Blanco (Vila Franca de Xira) em 2001, ano do seu centenário; Lidei touros da ganadaria Miúra, com triunfo assinalado pela imprensa e público, na Praça de Touros de Vila Franca de Xira e em Moura, em 2001; Tive uma saída em ombros da Praça de Touros de Plasencia, de Chillon, em Espanha, onde em 2004, cortei “15 orelhas”; Apresentei-me na Praça de Touros de Las Ventas, em Madrid, na comemoração dos 10 anos de alternativa, como cavaleiro profissional; Apresentei-me na Praça de Touros do Campo Pequeno, em Lisboa, no ano da reabertura, com triunfo assinalado pelo público e pela imprensa em 2006, praça aquela onde tomei alternativa na XXXI Corrida TV, em 1995.

J.C- Quem foi o grande mentor para que o Marco escolhesse ser cavaleiro?

M.J. – O grande entusiasta, grande apoiante, grande impulsionador foi o meu pai.

Quem me fez querer ser cavaleiro fui eu mesmo que decidi. Quando era criança brincava às touradas e quando ia assistir as corridas de touros ficava muito entusiasmado e a pensar para mim mesmo que um dia seria eu que estaria ali dentro da praça a tourear.

J.C – Como é o dia-a-dia do Marco na quinta?

M.J. – Hoje é diferente de há uns anos. Maiores responsabilidades, mais preocupações e mais desafios. O meu dia-a-dia é repartido pelos treinos e ensino dos cavalos, sua criação e reprodução, assim como pelo projeto do qual faço parte integrante na China e, sobretudo, no acompanhamento familiar. Começo o dia muito cedo e termino o mesmo muito tarde.

J.C.- Como vê o atual estado da tauromaquia a nível nacional? Vão aparecendo novos valores?

M.J.- A tauromaquia está forte e com saúde. Os tempos mudam a sociedade, os hábitos mudam e a tauromaquia também está numa fase de mudança. Em ano atípico as praças têm estado cheias, de conformidade com as normas estabelecidas. Veem-se muitos jovens a assistir às corridas. A divulgação das corridas também é feita com maior facilidade pelos meios de comunicação social e nas redes sociais. As maiores dificuldades são as impostas pelo sistema em que vivemos, uma sociedade em que os hábitos e cultura são diferentes do mundo rural que conheci. Tudo é controlado pelo negócio e não pelas capacidades artísticas. Por essa razão o valor de um artista torna-se difícil singrar num mundo tão bonito como é a tauromaquia. Neste momento existem alguns jovens cavaleiros, poucos que estejam a começar certamente pelas dificuldades impostas, mas existem grandes cavaleiros com dinastias tauromáquicas enraizadas nas famílias, o que leva a concluir que a tauromaquia estará sempre viva.

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