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União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório

Vítor Marques não se recandidata mas está disponível para outros cargos autárquicos

Marlene Sousa

EXCLUSIVO

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Vítor Marques não se recandidata mas está disponível para outros cargos autárquicos V ítor Marques. “Felizmente tivemos a capacidade de ter muitas iniciativas, na produção de máscaras e na obtenção dos materiais necessários para as instituições sociais e para a população em geral”. O presidente da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório, revela em entrevista ao JORNAL DAS CALDAS que nunca pensou vir a viver esta pandemia e considera que se “irá arrastar no tempo, com uma crise na área da saúde da qual ainda não vemos saída e uma brutal crise económica que atravessaremos nos próximos anos”. E diz que “gosta de ser autarca”, porque dá-lhe “a oportunidade de estar perto das pessoas, de as ajudar a resolver os seus problemas, de poder ter iniciativas e de fazer as coisas acontecer”. Revela que não será “candidato nas próximas eleições autárquicas à presidência da União de Freguesias”, mas assume estar disponível “para outros cargos autárquicos que poderá culminar num futuro em ser presidente de Câmara das Caldas da Rainha”.
Vítor Marques revela que não será candidato nas próximas eleições autárquicas à presidência da União de Freguesias Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório

JORNAL DAS CALDAS – Qual o balanço que faz da sua vida política como presidente da União das Freguesias de Caldas da Rainha – Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório?

Vítor Marques: Faço um balanço positivo do trabalho que a equipa desenvolveu nos dois mandatos.

Demos início a uma realidade nova, uma União de Freguesias de novas competências próprias e de competências delegadas e às nossas propostas eleitorais fomos acrescentando novas propostas de trabalho e de obras que podemos dizer que triplicaram como podemos constatar através do orçamento inicial na ordem dos 300.000,00 euros para o orçamento de 2020 nos 900.000,00 euros.

J.C. – Nunca esperou como autarca viver uma crise destas provocada pela pandemia?

V.M.: Nenhum de nós pensou vir a viver esta situação, que creio se irá arrastar ao longo do tempo.

De início uma crise na área da saúde da qual ainda não vemos saída e uma brutal crise económica que atravessaremos nos próximos anos.

J.C. – Desde o primeiro minuto do início da pandemia que a União das Freguesias de Caldas da Rainha – Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório tem estado perto das pessoas. Qual a iniciativa que mais destaca?

V.M.: Felizmente tivemos a capacidade de realizar muitas iniciativas, umas como promotores, outras como colaboradores e todas foram importantes, mas destaco a solidariedade e envolvimento dos caldenses e das autarquias, freguesias e câmara na produção de máscaras e o dinamismo para a obtenção dos materiais necessários para as instituições sociais, hospitalares e para a população em geral.

J.C. – Foi essa proximidade com as pessoas que levou o executivo a agir mais rapidamente para dar soluções à população?

V.M.: O estar próximo das pessoas é algo que caracteriza a generalidade das freguesias e a nossa em particular, pois esse tem sido o nosso ADN desde o início e claro que permite conhecer melhor e ter uma melhor capacidade de resposta para as suas necessidades.

J.C. – Quanto é que a Junta investiu na prevenção e mitigação da pandemia?

V.M.: Em materiais e equipamentos gastámos cerca de 15.000 euros, em mão de obra dos colaboradores do nosso quadro cerca de 25.000 euros, (a alocação dos colaboradores na pandemia levou-nos a descorar outras áreas de manutenção que estão praticamente recuperadas) porém é importante destacar todas as contribuições voluntárias, principalmente a dos nossos colaboradores, que no seu período de descanso se desmultiplicaram em ações de desinfeção e distribuição de compras e medicamentos aos mais necessitados.

J.C. – Este grave problema de saúde pública está a originar uma crise na nossa economia e uma grave dificuldade social. Qual o problema mais grave que está a ser vivido nas freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório?

V.M.: Os problemas até agora ainda não ganharam dimensão e sempre que existiu necessidade, as freguesias e a câmara têm tido a capacidade de suprir, mas num futuro próximo a tendência será de agravar quer na saúde quer em questões económicas.

Aqueles que recorrem a ajuda alimentar aumentaram significativamente, arrisco a dizer que duplicaram. O desemprego terá tendência a aumentar, os problemas do foro psíquico irão aumentar e as estruturas do estado não estão preparadas, e as instituições sociais que dão apoio com o serviço de Lar, SAD e creches que tiveram os seus custos aumentados.

Vamos ter que nos reinventar para estancar o aumento destes problemas.

J.C. – Estamos a viver um momento de grande incerteza e angústia, no qual todos somos chamados a ter mais responsabilidade e espírito de sacrifício. Como vê o futuro dos próximos meses até o final do ano nas Caldas da Rainha?

V.M.: O futuro dos próximos meses vai ser difícil e todos teremos que nos reinventar.

Acredito que as autarquias, as empresas e a comunidade do nosso concelho terão capacidade de ter ações solidárias que irão minimizar estes problemas, mas caberá ao Estado Central uma ação musculada, bem estruturada e organizada.

J.C. – A restauração e comércio das Caldas vai superar esta crise?

V.M.: Todas as áreas do comércio e serviços vão sofrer com esta situação e tememos que alguns estabelecimentos não tenham condições de continuar.

Os apoios estatais suplementares via Covid-19 que o Estado tem distribuido não vão ser suficientes. Estamos a falar duma quebra de faturação em 3 meses muito acima do que foi a maior quebra do pior ano da crise 2008/2011 e que a tendência é de continuar a cair. Estamos em julho e a melhor projeção dará quebras na ordem dos 50% na faturação neste mês.

Mas acredito que terão a capacidade de se reerguer e de retomar um serviço com reconhecida excelência, na quantidade mas essencialmente na qualidade.

J.C. – Como vai ajudar o comércio e serviços na cidade das Caldas?

V.M.: A ajuda que a freguesia poderá dar é sempre que possível comprar no comércio local, fazer a manutenção dos espaços da sua responsabilidade, de apoiar as iniciativas das instituições e privados na promoção de iniciativas que criem fluxos de potenciais clientes na nossa região. Vamos estar ao lado das associações empresariais ACCCRO e ADIO e do próprio município, como diz a canção “ tu sozinho não és nada , juntos teremos o Mundo na mão”.

J.C. – É importante a boa comunicação e colaboração com a Câmara das Caldas?

V.M.: Felizmente ao longo dos nossos mandatos a comunicação e colaboração com a Câmara tem sido muito boa. Temos que continuar nesse caminho, mas com a certeza de que se fizermos igual não será suficiente, teremos que fazer de forma diferente, mais e melhor e acredito que temos a condição para o fazer, só necessitamos de juntar alguns recursos à vontade enorme que temos para o fazer.

J.C. – Critica ou chama a atenção ao executivo da Câmara Municipal das Caldas quando não concorda com alguma medida?

V.M.: Sempre que não concordamos com alguma medida que o Município toma fazemos chegar a nossa posição ao Sr. Presidente, que de forma muito correta tem tido a delicadeza de receber essas críticas construtivas e que nalgumas situações temos tido a capacidade de melhorar.

A relação institucional entre a freguesia e a câmara bem como dos seus presidentes tem sido excelente e isso dá-nos o direito, mas também o dever de podermos dar a nossa opinião e também de poder contribuir com novas ideias.

J.C. – É conhecido no concelho pela sua vertente humana e valores. Quem é Vítor Marques?

V.M.: Se é assim que me conhecem sinto-me lisonjeado.

Sou um caldense de nascimento, que desde sempre exerci a minha atividade empresarial em Caldas e que desde muito novo me envolvi e apoiei o movimento associativo.

Gosto de estar perto das pessoas e ser sempre parte da solução.

Envolvo-me de alma e coração em tudo aquilo que faço, mas que nem sempre sei priorizar o mais importante, a família.

J.C. – Gosta de ser autarca e de comunicar com as pessoas. O que o fascina mais do seu trabalho como presidente da União das Freguesias de Caldas da Rainha – Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório?

V.M.: Sim, gosto de ser autarca. Dá-me a oportunidade de estar perto das pessoas, de as ajudar a resolver os seus problemas, de poder ter iniciativas e de fazer as coisas acontecer, em suma de poder ajudar a criar melhores condições para o nosso concelho, para a nossa região.

J.C. – Gosta de política? É militante do PSD?

V.M.: O que faço duma forma ou de outra é política. Pode-se dizer que gosto, mas à minha maneira, em todos os partidos, em todas as ideologias existem coisas boas e menos boas, bem como pessoas e o que gosto de fazer é de tirar partido do que cada um tem de melhor independentemente da sua ideologia e ou filiação.

Não sou militante.

J.C. – Na sua opinião, porque é que a política está tão desacreditada? Como político, o que faz para combater isso?

V.M.: Haverá sempre situações desagradáveis que poderão desacreditar a política como existem noutras atividades. Não penso que sejam mais na política.

O problema do afastamento das pessoas não tem só a ver com esta situação, mas sim com a abordagem, com a educação e formação dos nossos jovens que não são preparados nem motivados para fazer parte ativa e envolvente e isso tem que mudar.

J.C. -O executivo da União das Freguesias de Caldas da Rainha – Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório também é muito unido. O executivo trabalha bem em equipa? Em equipa que ganha não se mexe? Vai candidatar-se para liderar a junta?

V.M.: O nosso executivo trabalha muito bem em equipa, duma forma ou de outra completamo-nos no saber e na forma de estar. Não estamos sempre de acordo, mas temos a capacidade de encontrar a melhor solução, o melhor caminho.

Nestes sete anos de trabalho fizemos poucas alterações. Saiu a Catarina Paramos e a Maria José e entrou a Maria João e o João Reis que se juntaram ao Carlos Cravide e ao José Cardoso, e se fosse para continuar seriam os mesmos.

Apesar da lei determinar a possibilidade de 3 mandatos que no meu entendimento não se deviam resumir nos presidentes, mas também noutros cargos e órgãos, quer locais quer nacionais, não serei candidato nas próximas eleições para a Junta de Freguesia.

Nos 2 mandatos tivemos a felicidade de concretizar tudo a que nos comprometemos em programa eleitoral, (falta-nos a requalificação do parque desportivo da Fanadia que está em fase de projeto) a que acrescentamos tanta iniciativa e obra só possível com a excelente relação com a câmara e o seu presidente.

E porque acho estar em condições e gostaria de poder continuar a dar o meu contributo noutra função.

J.C. – Qual a obra ou obras que ainda quer ver feitas neste mandato?

V.M.: As obras mais significativas que estamos a trabalhar para que se concretizem são várias: requalificação do parque desportivo da Fanadia, construção de espaço verde, lazer, fitness e infantil no Avenal e Sol Nascente , calçada na Avenida principal da Mata, calçada para terminar a ligação do Coto com a cidade na estrada 360, reconstrução do muro da mata da Rua Ernestina Pereira , iniciar a requalificação da mata do Parque, a aguardar autorização da DGPC e iniciar Jardim junto à linha de água ao pé da Escola Superior Artes e Design (ESAD.CR).

J.C. – Que obra o marcou mais durante a sua função como autarca?

V.M.: As obras são várias, mas permita-me que destaque o trabalho desenvolvido pelo nosso Gabinete de Psicologia, na área clínica, na área social, na área cultural e educacional que ao longo dos mandatos se foram desmultiplicando com atendimentos e desenvolvimento de ações.

J.C. – Tem como aspiração ser presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha?

V.M.: Como já enunciei estou disponível para outros cargos autárquicos que poderá culminar num futuro em ser presidente de câmara.

J.C. – O que mudava se fosse presidente do Município das Caldas?

V.M.: A estratégia que foi seguida nestes mandatos pelo Sr. Presidente da câmara sinto-a como minha também.

A situação que estamos a viver com a pandemia vai forçosamente levar a muitas alterações.

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