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Cerca de 50 vendedores na abertura da Praça da Fruta na Expoeste

Marlene Sousa
17 de Abril, 2020
A Câmara das Caldas da Rainha abriu nesta sexta-feira a Praça da Fruta na Expoeste, com os cuidados de higiene acautelados à entrada, para que esteja garantida a segurança de quem compra e quem vende. No mercado, que funcionará diariamente das 08h00 às 15h30, há controlo de entradas no recinto, com o máximo de 60 pessoas ao mesmo tempo. Desinfeção do calçado, das mãos e uso obrigatório de máscara são as medidas impostas às pessoas à entrada, que é feita na porta lateral da Expoeste (junto ao estacionamento).
A Câmara das Caldas reabriu a Praça da Fruta na Expoeste

No primeiro dia houve oferta de máscara para quem não tivesse. No centro de exposições, que sofreu obras de adaptação para receber a Praça da Fruta, estavam nesta sexta-feira cerca de 50 produtores e vendedores com uma variedade de legumes, frutos, queijos, enchidos, pães, bolos e frutos secos. Havia também a venda de flores, sabonetes naturais e uma banca de artigos em verga, palha e madeira e uma com peças em cerâmica.

A Câmara investiu trinta mil euros na preparação do espaço, que tem um ecrã gigante promocional do concelho das Caldas da Rainha e onde também passa o pequeno vídeo com as regras sanitárias devido à Covid-19.

A reabertura deste espaço de negócio é muito importante não só para o abastimento da cidade, mas também para quem produz, que precisava desta praça para vender.

Recorde-se que a Praça da Fruta estava suspensa desde 16 de março devido à crise pandémica. Num contexto de múltiplos condicionamentos, a autarquia preparou esta solução provisória no Pavilhão da Expoeste, para continuar a manter o mercado vivo, apoiando produtores e vendedores locais a escoar os seus produtos, bem como garantir o acesso dos caldenses às frutas, legumes e outros alimentos.

Os cerca de cem vendedores habituais da Praça aderiram à iniciativa, sendo que nem todos estarão presentes diariamente. A autarquia estima que a média será de 40 a 70 vendedores.

As bancas são as mesmas e têm dois metros de distância entre elas. Os corredores, com seis metros de largura, asseguram uma circulação desafogada e segura. Os produtos expostos estão protegidos por uma película.

Máscara, luvas e gel compõem o kit de proteção que foi fornecido aos vendedores. Para evitar que as pessoas coloquem os sacos no chão também estão disponíveis carrinhos de compras.

O presidente da Câmara das Caldas, Tinta Ferreira, disse que foi feito um esforço para requalificar o espaço e as “reações que temos recebido no primeiro dia são manifestamente favoráveis, quer de quem vende quer de quem compra”.

O autarca espera que as pessoas ganhem o “hábito de voltar à praça e que os produtores e vendedores possam escoar os seus produtos e que um pouco da nossa economia possa renascer neste local”.

Tinta Ferreira assegurou que é uma medida provisória devido às restrições de distanciamento social. O autarca garantiu que logo que seja possível “agiremos para que a Praça da Fruta volte a funcionar no tabuleiro da Praça da República”.

“A Praça da Fruta começou há mais de cem anos naquele tabuleiro emblemático e é um ícone da cidade”, salientou, acrescentando que “há uma vivência não só dos caldenses que vão à praça comprar os produtos frescos de qualidade, mas também muitos visitantes que tinham por hábito vir de propósito ou parar nas Caldas para comprar fruta e legumes frescos”.

O autarca adiantou que também é uma oportunidade para as que pessoas que moram e trabalham nesta zona poderem beneficiar da Praça da Fruta durante algum tempo sem terem que deslocar para o centro da cidade.

Tinta Ferreira frisou que serão bastante “exigentes no controlo e aplicação das regras e que se o espaço funcionar de maneira adequada, poderá, posteriormente, ser alargado o número de pessoas em permanência no recinto”.

Neste novo recinto só terá que pagar o espaço quem vende pontualmente. Os que adquiriram o direito ao lugar em hasta pública “estão isentos de pagamento neste período”, explicou o autarca, adiantando que “mesmo mudando para aqui há, no nosso ponto de vista, uma perda de rendimento”.

Venda online dos produtos

O Município está a preparar ainda uma plataforma de venda online dos produtos da Praça, com entrega ao domicílio.

Segundo o vereador Pedro Raposo, a iniciativa tem o envolvimento da CoopCASA – Cooperativa para a Acção Social e Artística, entidade coordenadora da implementação da Marca Praça da Fruta, que está a fazer um esforço na atualização dos dados sobre os vendedores e produtos.

A ideia é levar “encomendas ao domicílio de bicicleta eléctrica na área urbana e nos restantes locais do concelho em viatura de mercadorias”.

O vereador espera que até ao final de abril já haja entregas dos produtos da praça ao domicílio, com a expetativa de que em três meses possam gerar cerca de 500 clientes.

Haverá ainda um projeto novo, que é a criação de uma loja online na plataforma dos CTT, com venda de produtos da Praça da Fruta e do Mercado do Peixe à distância. “Este projeto terá o know-how e capacidade de distribuição dos CTT, num regime mais profissional, com uma qualidade de programação e técnica do desenho e funcionalidade das plataformas, com a facilidade de ter o pagamento automático”, referiu Pedro Raposo.

O autarca revelou que espera que daqui a um mês já haja vendedores inscritos nesta plataforma, que foi construída pela Edubox, spin-off da Universidade de Aveiro.

Vendedores e clientes satisfeitos

Há um mês quando fechou a Praça da Fruta ao ar livre no centro da cidade, a vendedora Cristina Henriques sugeriu que poderiam abrir na Expoeste, por isso “estou muito contente com a nossa Câmara Municipal porque nos ofereceu todas as condições necessárias e adequadas ao momento que estamos a atravessar para podermos trabalhar”, manifestou a vendedora há mais de 30 anos no mercado da fruta das Caldas.

Cristina disse que não sofreu muito com a paragem do mercado porque “tinha um ponto de entrega com as clientes habituais”. No entanto, sabe que houve vendedores que sofreram muito com a paragem porque não conseguiram escoar os produtos.

Apesar de gostar do pavilhão da Expoeste por ter um grande parque de estacionamento à porta, considera que a praça faz sentido “no tabuleiro como ela funciona há mais de cem anos”.

“Há um gravíssimo problema de escoamento da produção para muitos pequenos e médios agricultores e isto é uma medida importante para estas famílias, que não têm outros rendimentos e que vivem do trabalho no campo”, referiu Sílvia Ribeiro, funcionária da banca dos enchidos e queijos.

Considera as instalações novas ideais “pela situação dramática que estamos a viver, mas não para um mercado definitivo”.

Já o produtor e vendedor de flores Apolinário Nunes, acha que “foi uma boa solução para poder escoar os produtos”, confessando que “à semelhança dos setores hortícolas, também o das flores regista já quebras acentuadas”. “Tínhamos as flores da Páscoa que se estragaram”, contou.

Carlos Pedro, vendedor de hortícolas, diz que a nova praça é uma ajuda mas considera que deveriam deixar entrar mais pessoas de uma vez, porque está “muito condicionado”.

O caldense Carlos Batista é cliente da Praça da Fruta às sextas e sábados e ficou satisfeito com abertura do mercado na Expoeste, para poder abastecer-se. Apesar de estar mais perto da sua casa, o motorista considera que o mercado é mais tradicional no seu local habitual.

Maria de Jesus prefere o mercado da fruta na Expoeste porque “tem estacionamento à porta”. “Fiquei muito satisfeita com esta abertura porque sou uma cliente habitual da Praça e confesso que aqui é mais confortável, nomeadamente no inverno”, declarou a auxiliar de educação.

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