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Município das Caldas assinalou Dia da Mulher com várias atividades

Marlene Sousa
11 de Março, 2020
“A mulher tem a capacidade de ser delicada como as flores e forte como o vento”, foi uma das mensagens escritas pelos alunos da Universidade Sénior Rainha Dona Leonor (USRDL), agarradas às 300 flores (gerberas) que foram entregues pelos técnicos do Gabinete de Atendimento à Vítima de Violência Doméstica (GAVVD) da autarquia, no passado sábado, às mulheres que passavam no centro da cidade. Foi uma das iniciativas do Município caldense que assinalou o Dia Internacional da Mulher e que culminou também com um Flash Mob da Sociedade de Instrução e Recreio “Os Pimpões” na Rua Miguel Bombarda e Rua Almirante Cândido dos Reis, que surpreendeu o público. À tarde, as iniciativas continuaram na Biblioteca Municipal para ouvir falar sobre “Teatro no Feminino”, no âmbito da iniciativa “À Conversa com as atrizes, Amélia Videira, Isabel Lopes e Tânia Leonardo”.
Flash Mob - “Os Pimpões”

A vereadora Maria da Conceição, que esteve presente nas atividades, referiu que celebraram o dia da Mulher num evento de rua para sensibilizar para a igualdade de homens e mulheres, destacando o combate à precariedade no trabalho, que “atinge tanta e tanta mulher”. Também teve como objetivo sensibilizar para muitos dos problemas relacionados com violência doméstica, que matou 35 mulheres e crianças durante o ano de 2019. Segundo a vereadora, o intuito da atividade foi também para dar a conhecer o GAVVD, que em 2019 atendeu “46 novos casos de vítimas de violência doméstica e continua a acompanhar 35 processos”. “Muito caminho já foi feito, mas muito ainda há por fazer”, avançou a autarca, revelando que é no âmbito da prevenção que o GAVVD continua a levar a cabo ações de sensibilização/informação, formação e ações de rua junto da população das diversas faixas etárias de uma “forma direta”. “Portanto, estamos aqui na rua em prol da luta das mulheres”, salientou a autarca. Atrizes falam do “Teatro no Feminino” Refletir sobre a presença da mulher no teatro português foi um dos objetivos da roda de conversa “O Teatro no Feminino”, que a Câmara e Biblioteca Municipal das Caldas levaram a cabo no sábado à tarde, no átrio da biblioteca caldense. As convidadas foram as atrizes Amélia Videira, Isabel Lopes e Tânia Leonardo. A primeira convidada está ligada à Universidade Sénior, a segunda ao Teatro da Rainha e a terceira lidera o Teatro da Pessoa. A iniciativa iniciou e terminou com uma intervenção musical com o duo de guitarristas Estela Pujadas e Jacques Genet. “Quando eu tinha 17 anos o meio não era aberto ao teatro e quando eu disse à minha querida mãe que queria ser atriz levei uma bofetada e disse-me que não que queríamos isso na família”, recordou Amélia Videira, que só conseguiu concretizar o seu sonho aos 32 anos quando ingressou na formação de Atores pelo Conservatório Nacional de Lisboa. “O meu trabalho a sério foi na revista no Ádóque. Durante três anos fazia revista durante o dia e ia para o Conservatório e tinha marido e filhos”, contou. “Muito se avançou e abriu o espaço dedicado às mulheres nas artes”, salientou Amélia Videira, que é mestre em “Teatro e Comunidade” pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa. Foi “Prémio Femina” em 2010 atribuída pela Matriz Portuguesa, Associação para o Desenvolvimento da Cultura e do Conhecimento. Isabel Lopes, atriz da companhia Teatro da Rainha, que se licenciou na Escola Superior de Teatro e Cinema, recordou que frequentava o curso de filosofia, mas sempre soube que queria ser atriz. “O meu pai queria que eu fosse para direito e a minha mãe achava que não tinha jeito”, mas eu segui o meu destino e levei 40 anos a tirar o curso de atriz. “Quem persiste sempre alcança”, salientou a atriz, que é professora na licenciatura em Teatro e Educação da Escola Superior de Educação em Coimbra. Isabel Lopes falou do início da história do teatro, onde só os homens podiam participar das encenações e para os “papéis femininos, os atores gregos utilizavam máscaras”. “A história do teatro é de interdições sistemáticas relativamente às mulheres e é assim desde o berço da democracia e do berço do teatro Ocidental da Grécia do século V”, apontou, acrescentando que “nenhuma grande figura do teatro grego foi escrita para serem representadas por mulheres”. O caso português ainda é mais caricato, segundo a atriz, porque foi “preciso chegar ao final do século XIX para D. Maria I ter determinado que nós não tínhamos direito a pisar os palcos e isto durou até 1800”. Segundo Isabel Lopes, os anos de 1836 a 1838 foram decisivos para a dignificação da profissão de atriz em Portugal. Hoje dá aulas de teatro, onde um “terço dos alunos são homens e dois terços são mulheres”, contou. Isabel Lopes recebeu a Menção Honrosa da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro (APPCT) pela sua interpretação nas peças “Eu não” e “Cadeira de embalar”, integradas no espetáculo “Dramatículos 2”. O ponto de vista de Tânia Leonardo foi um pouco diferente por ser mais nova. Nasceu nas Caldas da Rainha em 1977. No entanto, a reação do seu pai não foi muito diferente da história de Isabel Lopes e Amélia Videira. “O meu pai considerava que o teatro era um meio de perdição e que não iria trazer uma estrutura financeira”, contou. Hoje como diretora do Teatro da Pessoa – Associação Sociocultural, onde desenvolve sessões de expressão dramática bem como direção de grupo de teatro amador, alega que tem mais alunas mulheres. “Agora faltam-nos homens”, declarou, revelando que a mulher tem hoje um papel fundamental no teatro. Tânia Leonardo frequentou a licenciatura em estudos teatrais na Universidade de Évora, tendo ingressado posteriormente no Curso de Teatro/Dramaturgia da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa. A sua carreira como atriz desenvolveu-se principalmente nos palcos de Lisboa, destacando-se trabalhos como “performance” de João Craveiro, pela Kind of Black Box, e o “Grande Salão”, de Martim Pedroso.

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