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Convidado do Rotary apresenta livro “Portugal-Europa de 1945 a 2019”

Marlene Sousa
20 de Novembro, 2019
Miguel Mattos Chaves, mestre e doutorado em Estudos Europeus, foi convidado pelo Rotary Club das Caldas da Rainha para apresentar o seu terceiro e mais recente livro “Portugal-Europa de 1945 a 2019”, numa sessão que decorreu no passado dia 13 no Restaurante Paraíso, no Coto.
Miguel Mattos Chaves, autor do livro “Portugal-Europa de 1945 a 2019”, e o presidente do Rotary Club das Caldas

O livro, que tem o prefácio do antigo presidente do CDS-PP, Adriano Moreira, é uma revisão, ampliação e uma atualização da investigação que efetuou entre 2000 e 2004, e que foi publicada no seu primeiro livro em abril de 2005, sob o título “Portugal e a Constituição Europeia – Mitos e Realidades” (já esgotado no mercado). O autor fez o levantamento das diferentes posições de Portugal face aos vários modelos de construção europeia. “O livro é sobre o mais relevante do que se passou em Portugal e na Europa desde 1945 a 2019”, disse o autor, revelando que “há muitas obras sobre vários capítulos desta matéria muito vasta, mas não há nenhum livro que cubra este período tão longo da história recente”. “Portugal-Europa de 1945 a 2019” é baseado em documentos oficiais, e um estudo académico de uma investigação científica feita pelo autor no âmbito do seu mestrado e tese de doutoramento em Estudos Europeus na Universidade Católica Portuguesa sobre orientação de Ernâni Lopes (falecido), figura incontornável do processo de adesão de Portugal à então CEE, a quem prestou a sua homenagem. “Recolhe os elementos preferencialmente oficiais, correspondência diplomática e capítulos onde se tenta adivinhar o futuro da União Europeia (UE) e dos destinos que Portugal deverá percorrer no sistema internacional”, explicou Miguel Mattos Chaves. Quanto à afirmação de Portugal no sistema de relações internacionais, o autor considera que o país tem que ser capaz de desenvolver esforços sérios no sentido de uma reaproximação política, comercial e económica aos EUA e de aprofundamento da proximidade histórica ao Reino Unido. O autor considera que Portugal deverá ter como objetivo a “diversificação das suas dependências externas, de forma a manter a sua capacidade de autogoverno e autodeterminação política e alguma relevância no sistema internacional”. Portugal para se manter independente politicamente, tem que “adotar de forma clara uma estratégia de diversificação de dependências e consequente diversificação das suas alianças com o mundo”, referiu. Disse o mestre em estudos europeus que o povo português “precisa de verdadeiras elites que não têm complexos de inferioridade, planeando o futuro com realismo e ambição”. “O que é necessário é que apareçam pessoas que pensem o país e que tenham projetos para Portugal”, sublinhou. O autor alegou que se houver persistência em seguir por este caminho de fazer da UE aquilo que ela não é – (um estado soberano, uma nação independente, uma pátria) – tal poderá ser o fim do período de paz e progresso que se tem vivido no continente. A seu ver, desde o Tratado de Maastricht que a Europa está a caminho do “suicídio” e em vez de perceber o que está a acontecer “cada vez insistem mais em avançar com uniões bancárias, com políticas fiscais comuns, entre outras”.

“Brexit vai acontecer”

Questionado sobre o Brexit, Miguel Mattos Chaves acredita que “vai acontecer de uma forma ou outra”. “Isto não é uma questão de ser da direita ou de esquerda, é uma questão transversal a todos os setores políticos, onde há pessoas que defendem o Brexit e outras que defendem o remain (permanência), referiu. Segundo o autor, “é sobretudo o setor financeiro que defende o remain, porque é aquele que tem mais a ganhar se permanecer na UE”. Miguel Mattos Chaves acredita que o “excesso de imigrantes” significa para muitos ingleses um peso incomportável para as estruturas do Estado, sobretudo hospitais, escolas e habitação social.“Nós aqui em Portugal não temos esse problema porque 60% dos imigrantes que vieram para cá já se foram embora, eles querem é ir para o Reino Unido, Alemanha e França”, referiu. Militante do CDS-PP, assumiu que a situação do seu partido está “complicada porque foi seguida uma política errada”. Quanto ao sucessor de Assunção Cristas na liderança, o centrista disse que “ainda não vi ideia nenhuma”. “Se ganhar algum dos candidatos que se anunciam afetos a esta direção o CDS vai perder milhares de militantes”, salientou.

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