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Livro fala sobre a “anorexia cultural e estética” vivida na música

Maestro António Victorino D’Almeida fez apresentação nacional do “Ensaio Sobre a Surdez” no CCC

Mariana Martinho

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Com o penteado caraterístico, o sorriso fácil e a bengala, o maestro português, António Victorino d’Almeida apresentou no passado sábado, no pequeno auditório do Centro Cultural e de Congressos de Caldas da Rainha, o seu mais recente livro. Editado por uma gráfica caldense, a obra retrata o que pensa “sobre aquilo que se está a passar na música, que é uma anorexia cultural e estética, onde uma pessoa só ouve temas porque está na moda”.
O lançamento nacional decorreu no pequeno auditório do CCC

Esta obra, que se junta aos doze livros já escritos e publicados pelo compositor desde o romance à autobiografia, passando pela história da música, tem como editor o ex-diretor do JORNAL DAS CALDAS, Jaime Costa, que sugeriu que o “Ensaio Sobre a Surdez” fosse lançado e impresso nas Caldas da Rainha. E como “este livro é tão especial, achei que era o sítio certo para apresentá-lo”, disse António Victorino D’Almeida, que além de escritor, é ainda pianista, realizador de cinema e de televisão, encenador e comunicador, ou seja, “um verdadeiro homem dos sete ofícios”. Trata-se de um livro que “tinha de escrever”, explicou o pianista, esclarecendo que “há coisas que não podemos acumular ou simplesmente estar calados”. Para o autor do hino da Sociedade Portuguesa de Autores, “era intolerável assistir e ouvir as pessoas reduzirem o seu grau de audição, ouvindo apenas o que está na moda”. Esse fenómeno, segundo o maestro, é “uma surdez, em que se reflete o inexplicável conformismo de uma larga faixa populacional, afetada por absurdos surtos de anorexia estética que levam a autoexcluir-se da plena fruição de uma arte maior que a música tem”. É também “uma surdez de um pais onde nascer-se músico ainda significa ser-se a pessoa errada no lugar errado”. Dedicado ao ator e encenador António Pedro da Costa, o livro também aborda, entre outras, a questão do plágio, começando desde logo pelo título, que “obviamente é um plágio sobre o título do livro de José Saramago”. Além disso, “sem o plágio não haveria cultura, e, consequentemente, também não haveria música”. “As várias artes, não só a música, provêm de uma imensa acumulação de plágios”, explicou o pianista, esclarecendo que tudo depende da intenção. António Victorino D’Almeida também adiantou que este não será o seu último trabalho, tendo “já pronto um guião para um filme”. Para Jaime Costa, o “Ensaio Sobre a Surdez é um livro extraordinário, que abre mentes e dá-nos perspetivas de vida, que até então não tínhamos conhecido. Mas sempre com o pano de fundo, a música”. Livro é “uma manifestação literária” Para o autor do prefácio do livro, Alejandro Oliva, “não é fácil falar sobre António Victorino Almeida, pois é um homem que fala, pensa e faz, e isso é uma coisa que cada vez mais está fora de moda”. Além disso “é um sagaz conhecedor da inserção da música na sociedade, e é nessa condição que agora emite este contundente “Ensaio Sobre a Surdez””. A obra, segundo o contrabaixista argentino, trata-se de “uma manifestação literária que explicita as pulsões doutrinais que norteiam a sua maneira de ser e de estar na música”. Constitui também “um gesto preventivo perante a miopia, a amnésia e a boçalidade que ameaçam hoje, à escala global, o sonho incumprido de uma fruição saudável e democrática da cultura, entendida como um bem de primeira necessidade”. No seu entender, o “livro é uma das obras mais importantes sobre a temática feita em Portugal”, sobretudo por “uma figura que faz parte do Portugal dos gigantes”. Alejandro Oliva realçou ainda que “nesta obra cada página faz pensar, cada capítulo esclarece dúvidas”. Constituído por doze capítulos, o “Ensaio Sobre a Surdez” conta com a fotografia de capa e design de João Vasco e grafismo da Gracal – Gráfica Caldense, Lda. Tem o custo de 20 euros e será agora apresentado em outras cidades do país.

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