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Percurso do “16 de março de1974” evocado na Escola de Sargentos do Exército

Marlene Sousa

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45 anos após o “16 de março de 1974”, o Município das Caldas assinalou, no passado sábado, o episódio histórico, com uma visita aberta ao quartel, atual Escola de Sargentos do Exército (ESE), de onde uma coluna militar tinha saído em direção a Lisboa para derrubar o governo.
Uma visita aberta ao quartel, atual Escola de Sargentos do Exército, para comemorar o 16 de março de 1974

Cerca de 50 pessoas, incluindo um grupo de alunos e professores da Universidade Sénior, visitaram as instalações da ESE e os espaços onde se desenrolaram os acontecimentos do 16 de março.

Presentes também estiveram alguns militares que fizeram parte da coluna com cerca de 200 elementos que há 45 anos saíram do Regimento de Infantaria 5 (RI5) das Caldas da Rainha rumo a Lisboa, sob o comando do capitão Armando Marques.

O grupo foi recebido pelo comandante da ESE, coronel Gonçalo Azevedo, e o professor de história da ESE fez uma visita guiada aos locais-chave onde se desenrolaram alguns acontecimentos.

Hoje, 45 anos depois da tentativa de golpe das Caldas que falhou, mas que serviu de ensaio para o que viria a ser o 25 de abril – a destruição das mais longas ditaduras da Europa, continua a haver histórias para contar.

Foi o caso do coronel Gonçalves Novo, o então capitão do RI5, que disse ao JORNAL DAS CALDAS que recorda com saudade “o espírito de camaradagem que nós vivemos como militares”. “Todos aqueles militares que fizeram parte do movimento do 16 de março tomaram parte do mesmo espírito que aqueles que fizeram parte do 25 de abril”, salientou, acrescentando que “foi um movimento coletivo onde não houve heróis, mas sim vontades de acabar com o Governo e com o sistema de ditadura”.

“Foi um golpe que serviu de ensaio ao 25 de abril”, relatou. “Nós criámos condições de paz e a democracia, onde as pessoas pudessem dizer aquilo que sentiam”, sublinhou, lembrando que o “país estava subdesenvolvido e a única estrada que tínhamos nessa altura era de Lisboa a Vila Franca, não havia supermercados e não se podia beber coca-cola”.

“Salazar dizia que vivíamos orgulhosamente sós e isso é ridículo, porque ninguém vive orgulhosamente no mundo só”, adiantou o coronel.

“A história da democracia passa pelas Caldas e não pode ser esquecida”, disse a historiadora Joana Tornada, autora da tese de mestrado “Nas Vésperas da Democracia em Portugal – O Golpe das Caldas de 16 de março de 1974 (2009)”, que esteve presente nesta iniciativa.

“A minha tese provou que claramente existe uma relação do 16 de março ao 25 de abril e que há uma relação estreita, porque todos os militares que participaram no 16 de março pertenciam ao movimento, na altura movimento de oficiais das Forças Armadas e não fizeram parte do 25 de abril porque estavam presos”, explicou a investigadora.

A historiadora referiu que a revolução portuguesa é única no mundo, “a primeira feita por militares que tinham como objetivo estabelecer uma democracia e foi o ponto de partida da minha tese, era saber como é que os militares souberam que queriam uma democracia”.

A investigadora contou que “não foi fácil porque as ideias não surgem de um dia para o outro”, por isso é que considera “importante esta visita porque há coisas que não estão escritas e não se conseguem perceber sem conhecer as pessoas que nelas participaram”.

Joana Tornada revelou que os manuais escolares de história já têm um parágrafo sobre o 16 de março.

50 anos do 16 de março serão comemorados com maior dimensão

O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, que encerrou a visita, também sublinhou a importância do 16 de março como momento impulsionador da revolução de abril, acrescentando que “o Estado Central deveria ter cerimónias evocativas do 16 de março, mas a verdade é que por qualquer razão não o faz”.

“O Município tem procurado desenvolver iniciativas, umas com maior visibilidade e outras mais intimistas, mas procuramos sempre fazer as comemorações de forma adequada relembrando esse momento relevante para o nosso país e que de alguma forma colocou o nome da nossa terra no mapa”, declarou o autarca.

Tinta Ferreira revelou que vão continuar a assinalar esta data histórica com iniciativas, sendo certo “que temos que nos preparar para os cinquenta anos do 16 de março, esses sim terão que ser assinalados com uma dimensão maior e talvez aí consiga trazer o Estado Central às comemorações”.

O comandante da ESE disse que a escola “está aberta a todas as visitas que queiram numa perspetiva de abertura à comunidade”.

A ideia de comemorar o 16 de março com uma visita às instalações da ESE surgiu por proposta do vereador Jaime Neto, do PS. “Eu nunca tinha aqui entrado e considero que, como eu, também outros caldenses têm interesse em conhecer e revisitar momentos do 16 de março de 1974 e que foram marcantes para o país e que na altura projetou as Caldas, porque foi falado em Espanha, França, entre outros países”, explicou o autarca.

Jaime Neto apresentou ainda a proposta da criação de um selo alusivo a este acontecimento histórico.

Segundo a vereadora Maria da Conceição, o objetivo da iniciativa, que contou com a parceria da ESE, foi também para “as pessoas conhecerem as instalações, nomeadamente a parte mais relacionada com a época do 16 de março e as instalações mais atualizadas”.

No âmbito desta comemoração foram distribuídos cinco mil lápis com uma inscrição alusiva à data. Os alunos do 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico do concelho foram desafiados a elaborar desenhos sobre o 16 de março, até porque “muitos desconhecem o acontecimento histórico”.

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